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Auto sabotagem

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Você passa meses na academia, foca na dieta para emagrecer e anima-se quando os resultados começam a aparecer. Isso lhe dá ânimo para continuar e você já se vê atingindo os resultados que tanto sonhou. Mas, quando está próximo de atingir a meta, é convidado para uma festa num final de semana qualquer, vê todo mundo comendo e bebendo e pensa: “Vou me dar o direito de matar todas as minhas vontades só hoje, não fará diferença. Amanhã recomeço a dieta.” E então, este amanhã não chega mais.

Outra situação comum é quando você passa meses estudando para uma prova importante, de um concurso, por exemplo. Está preparado, estudou tudo o que estava no edital, mas, na hora da prova, quando está prestes a atingir seu objetivo, dá um “branco” e você esquece tudo o que aprendeu.

Estes dois exemplos acima mostram situações de auto sabotagem. Mas, por que tendemos a nos boicotar? Por que quando estamos próximos da realização dos nossos desejos, acabamos indo no sentido contrário?

Nestes casos, que são mais comuns do que pensamos, inconscientemente temos a convicção de que não temos o direito de ter nossos desejos realizados. Pensamentos vêm à tona: “Não mereço isso”; “É muito para mim”; “Não sou digno de tanta felicidade”; “Não fiz por merecer”.

E então fazemos um esforço contrário para provar que nosso inconsciente tem razão. Desorganização, falta de tempo, irresponsabilidade, descontrole da própria vida e medo de arriscar acabam sendo as desculpas para não chegar àquilo que nos deixaria mais felizes.

Freud, no texto Os arruinados pelo êxito, fala que um sentimento de culpa e angústia acaba por tornar intolerável a mera possibilidade de sucesso. Como se tivéssemos que nos punir por estarmos atingindo a felicidade. Então, para sair do estado de angústia, o único caminho é o fracasso. Não damos conta da angústia sentida ao estar próximos dos nossos objetivos. Tudo isto porque fomos constituídos na falta, onde não há completude. Inconscientemente, o lugar onde nada nos falta é um lugar inatingível, impossível, desconhecido. Já a falta nos é familiar, portanto, mais aconchegante, está dentro da nossa zona de conforto. Sem a falta, não teríamos a necessidade de desejar, então nos boicotamos.

“Neste mundo, há apenas duas tragédias: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, e a outra a de os satisfazermos.” Oscar Wilde

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Por: Camyle Hart

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 1999, atuando por 15 anos na área, em diversos veículos de comunicação do Paraná. Pós-graduada em Comunicação e Mercado na Era Digital.
Formada em Psicologia pela Faculdade Anglo Americano – Foz do Iguaçu, especializando-se em psicologia Junguiana. Atualmente, mantém uma coluna sobre saúde mental nos jornais Nossa Folha e O Mensageiro, ambos de Medianeira. Mantém um blog sobre temas da psicologia e atua como psicoterapeura, no contexto ‘home care’(domiciliar) e online.

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