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Em 50 anos, número de filhos por mulher cai 74% no Paraná

Se em 1960 elas tinham, em média, 6,3 filhos, hoje a taxa de fecundidade está em 1,63

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A cada festa ou data comemorativa, a casa de Carmen Dalva Freitas fica cheia. O quadro na sala de estar, inclusive, denuncia. Aos 81 anos de vida, Dona Carmen, como é conhecida, ostenta uma família numerosa: são sete filhos, 11 netos e um bisneto. Mais do que um mero quadro familiar, contudo, a imagem na parede é um testemunho das mudanças ocorridas ao longo das últimas décadas no comportamento materno.

Dona Carmen e alguns de seus descendentes: outro momento

De acordo com o Ipardes, entre os anos 1960 e 1970, quando Dona Carmen teve seus dois primeiros filhos (Luiz Maurício, já falecido, e Rita de Cassia), as mulheres do Paraná tinham em média 6,3 filhos. Cerca de 50 anos depois, a taxa de fecundidade no estado teve queda de 74,1%, atingindo a média de 1,63 filho por mulher, segundo o IBGE. Não é só isso: se Carmen teve seus primeiros filhos aos 22 e aos 23 anos, hoje é cada vez mais comum a opção pela chamada ‘gravidez tardia’, quando a mulher decide ter filhos após completar 30 anos de idade.

Apenas entre 2015 e 2017, por exemplo, verificou-se em Curitiba, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, uma queda de  7,21% no número de nascimentos, que passaram de 24.506 para 22.740 no período.
A redução se deu principalmente nas faixas etárias da mãe entre 10 e 29 anos de idade, com variações negativas entre 9 e 34%. Por outro lado, os nascimentos cuja mãe possuía entre 30 e 39 anos tiveram queda de apenas 1,63%, mantendo-se praticamente estáveis (haviam sido 9.995 nascimentos em 2015 e caíram para 9.832 em 2017). Já a gravidez entre mães com idade entre 40 e 49 anos teve avanço de 12,35%, saltando de 810 registros para 910 no último ano.

Para a nova geração, ter filhos vem depois da formação profissional

Dentre os filhos de Dona Carmen, aquela que teve a maior prole foi justamente a mais velha, Rita, hoje com 56 anos, com quatro filhos. Marcio, o caçula, teve três, e Heloísa, dois. Já Eduardo e Lúcia tiveram um filho cada e Cristiano, nenhum. Com relação aos 11 netos, oito já são maiores de idade. E apenas a mais velha, Ana Carolina, teve filhos até aqui. E garante já ter ‘fechado a fábrica’. “Não penso em ter outro filho. Minha condição financeira atual não permite e também não estou planejando nada no futuro. Ser mãe demanda muito tempo e tem a questão profissional”, afirma a geóloga e estudante de geografia de 29 anos, mãe de Alexandre, de 10.

Já Rafaela Luisa, irmã mais nova de Ana, descarta desde já, aos 25 anos, qualquer possibilidade de ser mãe. “Não me sinto com um instinto materno. Quero viajar, ver o mundo. Hoje penso mais em mim e acredito que muita gente pensa assim”, explica. A outra filha de Rita, Luciana, segue o mesmo pensamento. “Nunca quis ter filhos, mas se fosse ter, seria um no máximo”, diz a veterinária de 28 anos. “Quem sabe depois que terminar a faculdade, daqui uns quatro anos, no mínimo”, deixa no ar.

Para as matriarcas da família, as principais mudanças com relação à maternidade ao longo das últimas décadas estão relacionadas, principalmente, à inserção da mulher no mercado de trabalho. “O papel da mulher mudou muito ao longo desses anos. Elas assumiram mais responsabilidades: são donas de casa, mães, cuidam do marido, tem responsabilidade profissional, muitas vezes estudam. Isso gera muita dificuldade, triplica o trabalho”, aponta a pediatra Rita de Cassia. “Esse é um dos grandes motivos que fizeram as mulheres ter menos filhos, hoje elas estudam e trabalham mais. Sem contar que ter mais filho é um encargo financeiro muito maior”, completa.

Segundo consultora, não é preciso abrir mão do trabalho para ser mãe
Algumas mulheres abandonam suas carreiras e sonhos para se dedicar à maternidade. Uma pesquisa da Catho, agência on-line de anúncio de vagas de emprego, feita com 13.161 profissionais em 2017, mostrou que 28% delas abriram mão do emprego para se dedicar aos filhos. Quanto aos homens, só 5% tiveram essa iniciativa.

Mas, para a master coach e consultora Alda Colombo, da PAN Desenvolvimento Humano, empresa de Curitiba que trabalha com capacitação de pessoas para o mercado de trabalho, as mulheres não precisam abandonar suas carreiras, muito menos seus sonhos, para se dedicarem à função de mãe.
Segundo Alda, é possível conciliar a maternidade e o trabalho e, assim, seguir, em paralelo, dois grandes sonhos: educar um filho e se realizar profissionalmente. “É o significado de uma felicidade plena, alegria e responsabilidade com empoderamento, capaz de superar muitos desafios, mas nem por isso é necessário abrir mão de novos projetos e sonhos”, diz a consultora.

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