Educação e Cultura

INSPIRAÇÃO

Em homenagem à irmã, aluna com altas habilidades produz livro sobre autismo

Em Curitiba, a irmã mais nova tem autismo e foi inspiração para escrever o livro.

PUBLICIDADE

Anuncie - Naves

Contar para os colegas a alegria de poder conviver com uma criança com autismo. Esse é o objetivo do livro “Se você tem uma Sofia para amar”, escrito e ilustrado por Julia Gayeski Landerdhal, a estudante de 10 anos, do 5º ano, da Escola Municipal Madre Maria dos Anjos, no Novo Mundo. Julia tem altas-habilidades, condição popularmente conhecida como superdotação e foi a irmã mais nova, de 6 anos, que inspirou a criação da personagem central da história.

Em homenagem à irmã, estudante com altas habilidades produz livro que aborda o autismo. – Na imagem, a estudante Julia de 9 anos, que está escrevendo um livro sobre a irmã que tem autismo (Foto: Luiz Costa – Comunicação Social Pref. Curitiba)

“Sofia é uma menina especial, ela é meiga, amorosa e vive em um mundo muito diferente. Gostaria que todos pudessem como eu, ter uma criança assim para conviver e amar”, conta Julia, ao descrever a relação com Sofia, que além de companheira, foi seu estímulo para criar desenhos e narrativa.

O livro aborda com sensibilidade e muita sutileza a rotina e o universo de uma criança com Transtorno do Espectro Autista. Há poesia no texto, nas cores e nos traços da pequena autora. Segundo Julia, sua intenção ao criar o livro – que ela sonha poder editar para distribuir nas escolas municipais – foi dividir com quem convive, o privilégio que sente em poder acompanhar as descobertas e buscar compreender o mundo a partir do olhar da irmã.

“Ela é uma garotinha que vive em um mundo raro e isso é o que a faz tão legal. Gosto muito de imaginar como são e funcionam as coisas no mundo da Sofia”, diz Julia.

Potencialidades intelectuais – A produção do livro foi uma das atividades realizadas por Júlia, na Sala de Recursos para Altas Habilidades/Superdotação do Centro Municipal de Atendimento Educacional Especializado (CMAEE) Maria do Carmo Pacheco, no bairro São Francisco, sob a mediação da professora Walquiria Rodiani P. Teixeira.

Julia com sua irmã Sofia

“Assim como acontece com todos os trabalhos realizados na Sala de Recursos, partiu da Júlia o interesse em produzir o livro e definir como seriam concebidos os conteúdos”, explica Walquiria. A professora ofereceu apoio e estímulo às potencialidades intelectuais de Júlia.

O livro da estudante, define Walquiria, não é sobre autismo, mas sobre o que sente uma menina que convive com alguém que é diferente das outras meninas da mesma idade. “Percebo que o que ela quis foi fazer com que as pessoas, ao conhecerem o cotidiano da irmã, aceitem e entendam a diversidade como algo positivo”.

Encaminhada pela escola para o CMAEE, Julia foi diagnosticada com altas habilidades/superdotação com predominância das inteligências linguísticas e espacial. A riqueza do vocabulário associada à criatividade dos traços e do sombreado fazem de Julia um talento incomum para uma garota de dez anos.

Atendimento especializado

É na sala de Recursos do CMAEE que Júlia recebe atendimento especializado para desenvolver ainda mais as suas potencialidades. O ambiente é um espaço repleto de possibilidades: tem acervo de livros e publicações variadas, computadores com acesso à internet, kits de robótica, materiais alternativos e para artesanato, tudo ao alcance das mãos.

Outros dois estudantes com altas habilidades/superdotação, Murilo Neitzki e Luís Gustavo Macagnan, dividem projetos com a Julia. “Sempre gostei muito de ler e escrever e desenhar é uma forma que eu encontrei para mostrar o que eu sinto, o que eu vejo por aí”, revela Júlia.

Foram semanas de dedicação à obra, que começaram com a produção manuscrita do texto e dos desenhos que acabaram ganhando uma versão digital, com a ajuda de um programa de computador, pesquisado e usado por Júlia.

Tarde de autógrafos

O conteúdo está finalizado, mas agora Júlia e Walquiria tentam viabilizar a impressão do material. “Gostaria que ela tivesse uma tarde de autógrafos desse trabalho que foi muito significativo ao desenvolvimento dela”, sonha a professora.

O difícil é decidir qual é a melhor verão, se o boneco feito para planejamento do livro, com os desenhos manuais, ou a versão digitalizada, na qual a estudante desenvolveu outro talento, o de transpor sua criação a um novo formato.

Inclusão

Júlia e Sofia são estudantes em inclusão e pertencem ao grupo de mais de 2,3 mil crianças e estudantes com esta condição, atendidas nas turmas de educação infantil e do ensino fundamental, da rede municipal de ensino. “Há uma estratégia e um encaminhamento pedagógico diferenciado e diversificado para cada estudante em inclusão, voltada às especificidades individuais para garantir o processo de escolarização de qualidade e ações voltadas à promoção do desenvolvimento”, explica a diretora do Departamento de Inclusão e Atendimento Educacional Especializado, Gislaine Coimbra Budel.

Para Sofia, por exemplo, a estratégia é diferente da aplicada com a irmã. Ela também estuda na Escola Municipal Madre Maria dos Anjos, no 1º ano, porém, o suporte para suas necessidades especiais, por conta do autismo, são realizadas em atividade de contraturno, na Sala de Recursos Multifuncionais da Escola Municipal Professora Nair de Macedo, no Novo Mundo.

PUBLICIDADE

Anuncie - Naves

LEIA POR EDITORIA

Comentários