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PONTE RIO-NITERÓI

Como foi construída a Ponte Rio-Niterói?

Batizada de Presidente Costa e Silva, a ponte que liga a capital Rio de Janeiro a Niterói, atravessando a Baía da Guanabara, recentemente completou 44 anos de construção – em seus mais de 13 quilômetros. Nesta reportagem, falaremos sobre como ela foi construída e algumas curiosidades.

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A obra pode ser dividida em três seções principais, que foram construídas simultaneamente: a ponte propriamente dita, sobre a baía da Guanabara, as vias de acesso no Rio de Janeiro e as vias de acesso em Niterói. “A parte mais complexa, é claro, foram os 9 quilômetros erguidos sobre o mar, o que exigiu a perfuração do subsolo oceânico na busca por um terreno rochoso que agüentasse a estrutura da ponte”, diz o engenheiro civil Bruno Cantarini, que foi diretor técnico na construção histórica. Além do longo trecho sobre a água, vários quilômetros de rampas e viadutos de acesso precisaram ser feitos para integrar a ponte ao sistema de tráfego local. Com isso, a extensão total da obra chegou aos 13 quilômetros. O sonho de fazer uma ligação direta entre as cidades do Rio e de Niterói já existia pelo menos desde o século 19.

Em 1875, o imperador dom Pedro II chegou a contratar um engenheiro inglês para projetar um túnel na baía da Guanabara. A idéia não vingou e os cariocas tiveram que esperar várias décadas para ver uma ponte começar a ser erguida no local, a partir de janeiro de 1969. O início dos trabalhos foi tumultuado, com a morte de operários afogados em um acidente e várias interrupções por problemas burocráticos. Quando a obra finalmente ficou pronta, em 04 de março 1974, virou imediatamente um orgulho nacional. “A ponte bateu alguns recordes notáveis, como o de maior vão livre com viga reta, com 300 metros de largura e 72 metros de altura”, diz o engenheiro civil Mario Vilaverde, que também trabalhou na obra, como superintendente técnico. Outro fato impressionante foi o volume de material usado.

Se os sacos de cimento da obra fossem empilhados, teriam uma altura 1 500 vezes maior que a do Pão de Açúcar. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, a ponte Rio-Niterói não é a mais longa do mundo. Seus 13 quilômetros de extensão ficam bem aquém dos 38 quilômetros de uma ponte sobre o lago Pontchartrain, no estado da Louisiana, nos Estados Unidos, considerada a maior do mundo pelo Guinness Book, o livro dos recordes.

As fundações da ponte foram construídas com a ajuda de ilhas flutuantes, que levavam os equipamentos de perfuração do leito oceânico. As grandes perfuratrizes trabalhavam dentro de tubos que as protegiam da água do mar. As escavações tinham que atingir trechos de rocha sólida, capazes de sustentar as bases da ponte. Nos buracos eram então instaladas longas tubulações metálicas (preenchidas com concreto) que iam do subsolo oceânico até a superfície do mar.

Em cima de um grupo formado por cerca de dez dessas tubulações metálicas, foram construídas cada uma das fundações da ponte, uma grande base de concreto maciço com 2,5 metros de altura e 6 toneladas de peso. Sobre essa base eram encaixados os pilares, posicionados em pares para segurar as pistas da ponte. Nos 9 quilômetros sobre o mar foram usados 103 conjuntos de sustentação formados por tubulações, base de concreto e pilares.

Com o uso de guindastes – que se apoiavam na base dos pilares – eram erguidas as estruturas pré-moldadas que formaram as duas pistas da ponte. Essas peças, chamadas de aduelas, que eram de concreto e tinham 5 metros de comprimento e 110 toneladas de peso cada uma, eram encaixadas umas nas outras, como se fossem grandes kits de Lego.

Como as aduelas eram de difícil instalação em vãos muito largos, elas não foram utilizadas na parte central da ponte, que precisava ter distância maior entre os pilares para os grandes navios passarem. A saída foi usar gigantescos blocos metálicos que, somados, chegavam a 850 metros. Resolvido o problema, a ponte estava pronta para ser inaugurada, o que ocorreu em 4 de março de 1974. Ela foi batizada oficialmente como Ponte Presidente Costa e Silva.

Várias propostas para a ponte foram estudadas antes de o governo federal, responsável pela obra, bater o martelo. Um dos trajetos possíveis era mais curto, mas passava perto do aeroporto, obrigando a ponte a ter no máximo 50 metros de altura, o que atrapalharia o fluxo de grandes navios. Havia ainda uma opção que facilitava a navegação, mas com um trajeto mais comprido que aquele finalmente aprovado pelo governo.

CURIOSIDADES – A Ponte Presidente Costa e Silva completou 44 anos no início de março e levou cinco anos para ser construída. Abaixo, sete curiosidades sobre esta edificação que liga Rio de Janeiro a Niterói.

As famosas oscilações da ponte costumavam acontecer quando o vento superava os 55km/h. O balanço era proposital e evitava que a estrutura fosse danificada, mas assustava os motoristas e causava interdições. Em 2004, a adoção de um sistema de atenuantes criado pela COPPE/UFRJ diminuiu em 80% as oscilações. (Foto: Custódio Coimbra/Agência O Globo(16-01-2014)

 

Quando foi construída, a Ponte Rio-Niterói era a terceira mais longa do mundo. Ficava atrás apenas da Ponte do Lago Pontchartrain, em Louisiana, com 38 quilômetros, na Costa Leste dos EUA, e a Chesapeacke Bay Bridge, na Virgínia (também nos EUA), com 29 quilômetros. Quatro décadas anos depois, caiu para o 11º lugar no ranking internacional de mais longa do mundo. (Foto: Arquivo/23-12-1973)
Quando a ponte foi aberta ao tráfego, às 6h da manhã do dia 5 de março de 1974, duas filas de veículos esperavam para passar pela obra recém-inaugurada, uma no Rio e outra em Niterói. O primeiro a passar pelo pedágio foi fusca do coronel Rodrigo Ajace, secretário geral do ministérios dos transportes. (Foto: Luis Alberto/Arquivo/05-03-1974)
Em 1974, a ponte tinha capacidade para 50 mil veículos por dia. Hoje, a via recebe em média o triplo do previsto. Para aumentar a sua capacidade, as seis faixas de rolamento originais foram remodeladas, de forma que entrasse mais uma fila de veículos para cada lado. Segundo o engenheiro Carlos Henrique Siqueira, caso passe por melhorias, a circulação de veículos pela via poderá passar de 300 mil veículos por dia. (Foto: Custódio Coimbra/Agência O Globo)
Antes da inauguração da ponte, quem quisesse fazer a travessia Rio-Niterói de carro precisava dar a volta na Baía de Guanabara ou pegar uma barcaça, que transportava 54 veículos por vez. Entre esperar na fila, embarcar, atravessar e desembarcar o veículo, a viagem pelo mar demorava até duas horas. (Foto: Arquivo/23-08-1973)
Dados oficiais contabilizaram 33 mortos durante a construção da ponte, mas levantamento da imprensa chegou a 72 vítimas. O acidente com maior repercussão aconteceu em 24 de maio de 1970, quando três engenheiros e cinco operários morreram durante um teste de carga. (Foto: Arquivo/Rodolpho Machado(12-01-1974)
A construção começou em 1969, com previsão de ser concluída dois anos depois. No entanto, a ponte só foi inaugurada em 1974, três anos após o prazo inicial. O consórcio original foi retirado em 1970, frente a sucessivos atrasos, e substituído por aquele que ficara em segundo lugar, composto pelas construtoras Camargo Corrêa, Mendes Jr. e Rabello. (Foto: Arquivo/23-12-1973)

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