Especial

ALERTA

Dependência pelo uso excessivo do celular

A tecnologia está definitivamente presente na vida cotidiana. Seja para consultar informações, conversar com amigos e familiares ou apenas entreter, a internet e os celulares não saem das mãos e mentes das pessoas. Por esse motivo, especialistas alertam: o uso excessivo dessas ferramentas pode causar transtornos psicológicos. E para falar sobre essa dependência do celular, sintomas e tratamentos, a reportagem conversou com a psicóloga Camyle Hart.

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O que dizer dessa dependência do celular?

Se souber usar, as tecnologias sempre serão bem vindas. Mas todo esse avanço tecnológico não acompanhou a construção emocional, para dar conta dessa tecnologia. Pois muitas pessoas deixaram de lado a vida cotidiana para ficarem o tempo inteiro nos celulares, e estão adoecendo psiquicamente pelo uso abusivo.

 

Quando pode ser considerado problema?

Quem usa de maneira adequada e não deixa de viver pela função de ficar o tempo todo no celular, usa o aparelho de forma positiva. Mas transforma-se em algo nocivo quando você prioriza essa nova vida. Por exemplo, você acorda de manhã, e a primeira coisa que faz é olhar Facebook, WhatsApp, Instagram; antes de levantar da cama. É problema quando você deixa de fazer atividades cotidianas para ficar “pendurado” no celular: deixa de encontrar com amigos no final de semana, negligencia seu trabalho para ter mais tempo no aparelho; e tantos outros exemplos. Outro caso grave é transferir todo o cotidiano fora da vida social para o mundo virtual. Por exemplo, ‘não me sinto bem, estou acima do peso, me acho feia, meu trabalho está ruim’ e a pessoa cria uma personagem no mundo virtual. É lá que a pessoa está feliz, magra, sempre sorridente, cheia de amigos e deposita todo o esforço dela nessa vida imaginária, nesse Avatar que ela cria. Abre mão de toda a realidade e joga num mundo, onde é aceita, bonita e amigável.

 

E os usuários podem ficar alienados?

Sem dúvida. Porque há uma gama de informações na internet, mas na maioria das vezes, não há produção de conhecimento relacionado a isso. Você sabe o que está acontecendo em qualquer lugar do mundo, mas não há uma conexão por trás disso, não buscam saber tudo o que aconteceu antes para chegar ao agora – acaba tendo conhecimento superficial e não exercita o cérebro. Há alguns anos, você decorava o número dos telefones dos seus amigos, pais e familiares; hoje não, tudo está armazenado no celular e é só consultar. Resultando em jovens alienados, estressados, ansiosos e depressivos.

 

Quais os sintomas do uso excessivo?

Vai a algum lugar que não funciona a internet e começa a ficar ansioso, depressivo, nervoso, porque não tem como interagir com o mundo virtual. Neste caso, passa a ser algo nocivo – a pessoa não vive mais sem essa ferramenta. Tanto que, se esquece o celular em casa e chega ao trabalho, fica desesperada que ficará horas sem mexer; “dá um jeito” para buscar o celular. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) concluíram que, após oito minutos usando celular, o teu cérebro começa a liberar o neurotransmissor Dopamina, que transmite sensação de prazer. Com o tempo, viciará o cérebro como se estivesse usando álcool ou drogas. E veja que a vida cotidiana passa bem devagar, por isso, muitos deles não têm paciência com esse ritmo natural – vivem acelerados como se estivessem na rede.

 

Existe algum tratamento?

Primeiro deve se dar conta que está sendo prejudicial, porque não existe eficácia numa terapia forçada, só funciona quando o doente quer fazer. Há casos em que o pai procura o psicólogo para o filho adolescente, mas se o filho não quer e não tem a noção de que precisa mudar o comportamento, não funcionará o tratamento. Ficou sem o celular hoje, teve crise de ansiedade, começou a tremer, suar frio? Muito cuidado nessa hora, certamente precisará fazer terapia.

“Um caso grave é transferir todo o cotidiano fora da vida social para o mundo virtual. Por exemplo, ‘não me sinto bem, estou acima do peso, me acho feia, meu trabalho está ruim’ e a pessoa cria uma personagem no mundo virtual”.

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LEIA POR EDITORIA

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