Especial

PREVENÇÃO

Dia Nacional de Combate ao Câncer da Pele

No dia 25 de novembro, os dermatologistas vão se mobilizar para uma das maiores campanhas médicas do país. A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promoverá o “Dia Nacional de Combate ao Câncer da Pele”. Somente neste ano no Brasil foram registrados mais de 140 mil novos casos, de acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA). E para simbolizar essa data, conversamos com a dermatologista Luciana França Kalache, que falou sobre essa campanha no país, prevenção, cuidados, tratamento, Dezembro Laranja e uso de protetores solares.

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O que é o câncer de pele?

É o tipo de carcinoma mais comum em todo o mundo. As pessoas não têm o cuidado de fazer o autoexame, apesar de ser bem comum e era subdiagnosticado até alguns anos atrás. Com isso, a Sociedade Brasileira de Dermatologia viu a necessidade de criar essa campanha e orientar a população quanto aos sinais de alerta e a prevenção contra o câncer de pele.

“As consultas devem ser no mínimo anuais, caso não haja suspeitas de câncer – e orientamos o paciente a se autoexaminar. Caso note alguma alteração, procurar imediatamente o dermatologista”

 

Quais os cuidados devemos ter?

As pessoas devem criar o hábito de passar o filtro solar, produto que pode ser usado a partir dos seis meses de vida. Evitar a exposição solar direta nos horários de maior radiação entre 10 da manhã e 16 horas; evitar queimadura com bolha, bronzeamento artificial. Se pessoa tiver casos de câncer na família, deve ficar de olho e fazer consultas regulares com o dermatologista para avaliar as “pintinhas” que aparecem no corpo; verificar lesões novas e antigas que podem ter alguma alteração. Pacientes de pele clara, olhos claros e ruivos têm maior predisposição ao câncer de pele… Esses são os principais fatores de risco.

 

Se a pessoa tem “pintinhas” pelo corpo, como proceder para fazer as consultas?

As consultas devem ser no mínimo anuais, caso não haja suspeitas de câncer – e orientamos o paciente a se autoexaminar. Caso note alguma alteração, procurar imediatamente o dermatologista. Quando o paciente vai ao dermatologista, avaliamos todas essas lesões e, se tiver alguma com suspeita alta, o ideal é ser feita a retirada. Em caso de lesão com baixa suspeita, o médico pode optar por rever o paciente entre um a três meses.

 

Quais são os tratamentos aos diagnosticados?

Todos os cânceres de pele são malignos, mas cada um tem sua forma de tratamento. Há alguns que são superficiais e os subtipos menos agressivos. No caso dos superficiais, há procedimentos que serão usados cremes, tratamento com nitrogênio, curetagem para queimar sem fazer cirurgia – em áreas que não sejam de risco e lesões superficiais. Se for profundo, geralmente é tratamento cirúrgico. Tem o tratamento convencional (cirurgia tradicional) que a maioria dos médicos faz com margem de segurança maior ou menor. E há uma modalidade de cirurgia especial, que é a de Moss; feita em alguns centros por médicos especializados, garantindo 100% de cura desse tipo de câncer – indicado para áreas de risco, como face, perto dos olhos e nariz.

 

Como pode ser feito o autoexame?

Observar os formatos das “pintinhas”, se eram menores que no verão anterior, se estão com a mesma cor ou tiveram alterações. O mais importante é observar o ABCDE das pintas: a Assimetria, dividir em quatro quadrantes e estiverem bem parecidos; a Borda se está irregular; a Cor, se tiver mais de uma cor, pode ser suspeita de câncer; Diâmetro acima de seis milímetros; e Evolução: uma pinta que não coçava e agora coça, não sangrava e agora sangra, cresceu ou apareceu do nada. Tudo isso devemos observar para prevenir o melanoma, câncer muito grave e, se não diagnosticado precocemente, pode matar em pouco tempo. O risco dele não é pelo tamanho, mas pela profundidade.

“Observar os formatos das “pintinhas”, se eram menores que no verão anterior, se estão com a mesma cor ou tiveram alterações”.

Protetor solar jamais deve ser deixado de lado?

Ele realmente previne o surgimento do câncer, uma vez que o principal fator do surgimento é a radiação solar UV-A e UV-B. Não é apenas a radiação quando enxergamos o sol. Mesmo em dia nublado, chuvoso, inverno, em toda a época do ano é importante usar o protetor solar – podendo causar o envelhecimento, manchas e o câncer de pele. Eu sempre oriento a usar pelo menos o fator 30 e, o mais importante é passar a cada três ou quatro horas por dia. Se estiver na praia, piscina ou tomando banho no rio, repassar com mais frequência. Transpirou demais praticando esporte, passe mais protetor solar pelos braços, pescoço, pernas quando estiver vestido; sem camiseta, passar por todo o tronco.

 

Quem tem pele negra, também deve usar protetor solar?

Apesar de terem mais melanina na pele, que serve como um filtro da radiação ultravioleta, devem sim usar protetor. Porque há casos de câncer muito grave em pacientes com pele negra.

 

Como é feito seu trabalho na Clínica Volpato?

Faço exame clínico, avalio todas as pintinhas e feridas que não cicatrizam. Porque não é normal uma lesão ou espinha que não cure. Quando há uma lesão suspeita, faço biópsia dentro da Clínica e, dependendo do tamanho e aonde estiver, a cirurgia ou outros tipos de tratamento. Oferecemos o diagnóstico da lesão e, dependendo do resultado, fazemos o tratamento definitivo.

Pelo terceiro ano consecutivo, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) promove a campanha Dezembro Laranja. Diante da chegada do verão, a proposta é conscientizar a população sobre a necessidade do combate e prevenção do câncer de pele. Além disso, os dermatologistas dedicam um dia inteiro de trabalho, sempre no último sábado de novembro, para realizar o exame preventivo gratuito na população com risco para o câncer de pele e mostrar as medidas que as pessoas podem adotar para se proteger. Até hoje, as ações desenvolvidas no Dia Nacional de Combate ao Câncer da Pele atenderam mais de 450 mil pessoas. Só no ano passado, foram mais de 33 mil atendimentos e cerca de 12% das pessoas atendidas foram diagnosticadas com câncer da pele e 63% revelaram que costumam ficar expostas ao sol sem proteção.

 

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LEIA POR EDITORIA

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