Especial

Homenagem especial aos afrodescendentes

O Dia Nacional da Consciência Negra foi comemorado nesta segunda-feira (20), dia da morte de Zumbi em 1695, líder do Quilombo dos Palmares. E simbolizando essa data, falaremos sobre a importância para o Brasil (especialmente aos afrodescendentes), as dificuldades que a comunidade ainda enfrenta após séculos e as conquistas.

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Para muitos estudiosos, a criação desta data foi importante, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. Durante dias, ou até mesmo na data, as escolas e outros espaços culturais comemoram fazendo apresentações e exposições – como forma de valorizar a cultura afro-brasileira.

Ainda sobre valorizar essa data, o professor de História Adriano Dias lembra que a homenagem a Zumbi foi justa (estabelecida pelo Projeto-Lei nº 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003), pela luta contra a escravidão no Brasil Colonial; além de citar outra personalidade esquecida na História brasileira. “Ele morreu em combate, defendeu seu povo e sua comunidade. Os quilombos representavam uma resistência ao sistema escravista e também uma forma coletiva de manutenção da cultura africana aqui no Brasil. E outro grande nome daquela época foi o advogado Luís Gama, que libertou mais de 500 escravos. Foi um dos poucos intelectuais negros no Brasil escravocrata, defendida a liberdade dos negros e, infelizmente, é pouco reconhecido na história brasileira”, citou o professor.

A abolição da escravatura, de forma oficial, só veio em 1888. Porém, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas da escravidão. E mesmo conquistando o “atestado” de liberdade (Carta de Alforria), os negros não tinham direitos no Brasil Colonial. Mesmo com tantas conquistas e tendo condições de vida melhores, os afrodescendentes (que representam 54% da população no país), ainda são marginalizados. “Mais de 70% da população carcerária é afrodescendente; nas favelas dos grandes centros, mais de 70% dos moradores são afrodescendentes; dos homicídios ou casos de violência, 80% das vítimas são afrodescendentes. São estatísticas que demonstram a desigualdade, com a qual o Estado e a própria sociedade tratam. E mais: é muito comum um afrodescendente, que busca um posto de emprego, estar mais qualificado que qualquer outro candidato e ser ‘desclassificado’ pelo simples fato de ser negro ou afrodescendente. Portanto, há um infinito de oportunidades tiradas por causa dessa exclusão”, alertou Adriano.

Após muitas reivindicações e luta por melhores condições de vida, as conquistas foram alcançadas com o passar dos anos. Mas ainda há muito a conquistar. “Diversas políticas públicas chegaram para dar mais oportunidades, dentre elas a Lei das Cotas para concursos públicos ou vestibulares. Muitas pessoas ainda não compreendem esse sistema, mas, se continuarmos tratando como historicamente foram tratadas, os resultados continuarão sendo de exclusão. E essas cotas estão aqui para corrigir as diferenças, fazer com que essa parcela da população tenha oportunidades de entrar numa universidade ou passar num concurso”, disse Adriano. E dentre outras conquistas a serem comemoradas, foi determinada a inclusão da temática “História e Cultura Afro-Brasileira” no currículo escolar.

FERIADO – Em mais de mil cidades no Brasil, o Dia da Consciência Negra é feriado. Esse acordo foi estabelecido por algumas leis municipais e decretos estaduais, no caso de Estados inteiros. Alguns Estados em que todas as cidades é feriado são: Rio de Janeiro, Mato Grosso, Alagoas, Amazonas, Amapá e Rio Grande do Sul.

O Dia Nacional da Consciência Negra é comemorado no aniversário da morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares

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LEIA POR EDITORIA

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