MEMÓRIA
Madeireiras
Texto por ASSESSORIA . Fotos por Acervo Venício da Roli Carrer/ Casa da Memória . Republicado em 6 de junho de 2024 . 14:20
Data de publicação original: 25/04/2024
Número da edição original: 2307
Quando os primeiros colonizadores chegaram às terras que hoje pertencem à Medianeira, encontraram uma vegetação de Mata Atlântica rica em madeira de lei. Não totalmente desabitada, pois havia a presença de indígenas, paraguaios e argentinos, como também não se tratava de uma região inexplorada, porque desde o final do século XIX haviam as “obrages”, em que os argentinos exploravam a região oeste do Paraná, retirando madeira e erva-mate.
Para dar início ao projeto de colonização, a empresa Colonizadora Bento Gonçalves teve como uma das primeiras tarefas a derrubada e “destoca” da mata nativa. Portanto, antes mesmo de começar a venda dos terrenos, foi retirada parte da madeira do local, onde seriam realizadas as primeiras construções. Isso quer dizer, que a primeira área a ser desmatada foi às margens da “Rodovia Federal”, como era chamada a BR 277, nas proximidades onde hoje está localizado o viaduto central.

Na década de 1960, chegou a ter oito grandes madeireiras em Medianeira e várias outras de pequeno porte. As madeireiras e serrarias tiveram uma participação importante no processo de colonização e ocupação da região, pois era necessário desmatar para construir a cidade. Sem entrar no mérito da questão ambiental e o do desmatamento da região, cabe destacar que durante as primeiras décadas de Medianeira, as empresas de exploração de madeira tiveram uma participação significativa no crescimento e desenvolvimento econômico da cidade.
A madeira extraída era usada para diversas finalidades, como por exemplo, lenha, bueiros, construções e vários outros fins. Entre as décadas de 1950 e 1960, uma parte da extração da madeira era enviada para Cascavel para beneficiamento e utilização nas construções. Depois foram instaladas serrarias que passaram a fazer beneficiamento da madeira. Havia também o comércio das madeireiras com os outros estados, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro. Cabe ainda mencionar que uma parte das madeiras retiradas eram exportadas, inclusive muitas vezes através do contrabando.
As empresas que exploravam a madeira na região possuíam dezenas de funcionários. Contratavam crianças para realizar o trabalho mais leve, mas o serviço pesado ficava com os homens adultos. Durante certo tempo, até a chegada das motosserras, o corte das árvores era realizado de forma braçal, com o uso de machado e de grandes serras manuais, que necessitavam de dois homens para manuseá-las, foi o que nos relatou o Sr. Venício Da Roli Carrer em visita à Casa da Memória, em que compartilhou conosco suas memórias.



A Casa da Memória Roberto Antonio Marin de Medianeira é a guardiã das memórias do município, um espaço dedicado à documentação, pesquisa e resgate do Patrimônio Cultural.
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