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Memórias

MEMÓRIA

Madeireiras

Data de publicação original: 25/04/2024

Número da edição original: 2307

Quando os primeiros colonizadores chegaram às terras que hoje pertencem à Medianeira, encontraram uma vegetação de Mata Atlântica rica em madeira de lei. Não totalmente desabitada, pois havia a presença de indígenas, paraguaios e argentinos, como também não se tratava de uma região inexplorada, porque desde o final do século XIX haviam as “obrages”, em que os argentinos exploravam a região oeste do Paraná, retirando madeira e erva-mate.

Para dar início ao projeto de colonização, a empresa Colonizadora Bento Gonçalves teve como uma das primeiras tarefas a derrubada e “destoca” da mata nativa. Portanto, antes mesmo de começar a venda dos terrenos, foi retirada parte da madeira do local, onde seriam realizadas as primeiras construções. Isso quer dizer, que a primeira área a ser desmatada foi às margens da “Rodovia Federal”, como era chamada a BR 277, nas proximidades onde hoje está localizado o viaduto central.

Trabalhadores (adultos e crianças) da madeireira Irmãos Darolt. As crianças trabalhavam empilhando “parque” (madeira usada para assoalho). Na fotografia de 1965, da esquerda para direita estão: Alcides Cassol, Venício Carrer, Sebastião Pacheco, de camisa xadrez no centro Sergio Pedroti, Hibralino Dellagiustina, Zé Pacheco, Nei Padroti (e outras pessoas não identificadas)

Na década de 1960, chegou a ter oito grandes madeireiras em Medianeira e várias outras de pequeno porte. As madeireiras e serrarias tiveram uma participação importante no processo de colonização e ocupação da região, pois era necessário desmatar para construir a cidade. Sem entrar no mérito da questão ambiental e o do desmatamento da região, cabe destacar que durante as primeiras décadas de Medianeira, as empresas de exploração de madeira tiveram uma participação significativa no crescimento e desenvolvimento econômico da cidade.

A madeira extraída era usada para diversas finalidades, como por exemplo, lenha, bueiros, construções e vários outros fins. Entre as décadas de 1950 e 1960, uma parte da extração da madeira era enviada para Cascavel para beneficiamento e utilização nas construções. Depois foram instaladas serrarias que passaram a fazer beneficiamento da madeira. Havia também o comércio das madeireiras com os outros estados, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro. Cabe ainda mencionar que uma parte das madeiras retiradas eram exportadas, inclusive muitas vezes através do contrabando.

As empresas que exploravam a madeira na região possuíam dezenas de funcionários. Contratavam crianças para realizar o trabalho mais leve, mas o serviço pesado ficava com os homens adultos. Durante certo tempo, até a chegada das motosserras, o corte das árvores era realizado de forma braçal, com o uso de machado e de grandes serras manuais, que necessitavam de dois homens para manuseá-las, foi o que nos relatou o Sr. Venício Da Roli Carrer em visita à Casa da Memória, em que compartilhou conosco suas memórias.

Caminhão carregado de toras de canafístula, que eram usadas na construção de bueiros, que duravam mais de 20 anos. Na fotografia da década 1970, está Venício Carrer, Vilmo da Rosa, Edemar Darolt e a criança era Edegar Darolt
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A Casa da Memória Roberto Antonio Marin de Medianeira é a guardiã das memórias do município, um espaço dedicado à documentação, pesquisa e resgate do Patrimônio Cultural.

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