Política

OPINIÃO

Brasil teve 5 presidentes em um único mandato

Desde que a Dilma tomou posse em 1º de janeiro de 2015, o Brasil já teve cinco presidentes.

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Desde 1º de janeiro de 2015, quando Dilma Rousseff tomou posse pela segunda vez, o Brasil já teve cinco presidentes. Repetindo: no curto intervalo de um mandato ainda inconcluso, o país foi presidido por cinco personagens. Substituto eventual de Dilma, Michel Temer tomou posse em definitivo do trono em 31 de agosto de 2016, apenas três horas depois de o Senado ter confirmado o impeachment da titular. Desde então, assumiram interinamente a Presidência da República o deputado Rodrigo Maia, o senador Eunício Oliveira e, nesta Sexta-Feira 13, a ministra Cármen Lúcia, terceira na linha sucessória.
Deve-se a excentricidade à regra que obriga o presidente a passar o cargo a um interino sempre que voa para o exterior —como agora, que Temer foi ao Peru, para a Cúpula das Américas. Esse tipo de substituição é uma relíquia do tempo em que, ao viajar, o titular do cargo ficava inalcançável, incomunicável. Hoje, na era da comunicação instantânea, a prática tornou-se uma pantomima. A Presidência viaja junto com o presidente, que nunca deixa de exercê-la, esteja onde estiver. Mas a cerimônia de transmissão do cargo sobrevive à modernidade como uma farsa inútil.
A brincadeira tem custos. Candidatos às urnas de 2018, os presidentes da Câmara e do Senado, que antecedem Cármen Lúcia na linha de sucessão, não puderam assumir o Planalto, porque ficariam inelegíveis. Rodrigo Maia e Eunício Oliveira poderiam simplesmente pedir licença dos respectivos cargos pelas 24 horas em que Temer ficará ausente do país. Mas preferiram cavar agendas no exterior. Maia foi para o Panamá. Eunício, para o Japão – com todas as mordomias que o dinheiro público pode financiar.
Um dos temas centrais da cúpula peruana será o combate à corrupção. Por sorte, Temer passou a Presidência para Cármen Lúcia ao embarcar. Como não pode haver uma presidente em Brasília e outro no estrangeiro, o Temer que aterrissou em Lima é, na prática, um ex-presidente —o que o exime de explicar aos presidentes de outros países por que diabos um chefe de Estado que coleciona duas denúncias criminais e dois inquéritos por corrupção resolveu participar de um evento que acomoda os bons costumes no topo de suas prioridades.
Cármen Lúcia será presidente apenas até este sábado. Poderia aproveitar o pouco tempo de que dispõe para realizar uma gestão de absoluta e radical oposição ao regime. (…) Para não ser acusada de omissão diante das questões que inquietam o brasileiro, a substituta interina de Temer talvez pudesse cogitar a hipótese de enviar ao Diário Oficial a demissão de todos ministros delatados, investigados, denunciados ou réus. É improvável que a interina se atreva a tanto. Mas Temer viajará novamente em maio. Passará 11 dias na Ásia. Maia e Eunício não poderão assumir. É possível que até lá a presidente do Supremo perceba que a simples possibilidade de demitir gente como Eliseu Padilha e Moreira Franco deve proporcionar uma sensação extraordinária.

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