Caderno Especial Saúde

SAÚDE DA MULHER

Endometriose pode ser considerada problema de saúde pública

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 7 milhões de brasileiras possuem endometriose e o tempo médio até o diagnóstico é de 8 anos. “Endometriose é uma doença ginecológica crônica, benigna, estrogenio-dependente e de natureza multifatorial, que acomete principalmente mulheres em idade reprodutiva. É definida pela presença de tecido que se assemelha à glândula e/ou ao estroma endometrial fora do útero, com predomínio, mas não exclusivo, na pelve feminina”, explica a médica ginecologista e obstetra, Dra. Giovanna Olivieri.

Segundo ela, a fisiopatologia desta doença ainda é controversa. Várias teorias foram propostas, baseadas em evidências clínicas e experimentais, e a mais aceita é a da menstruação retrógrada (Sampson). “Os principais sintomas são: dismenorréia, (cólicas no período menstrual, principal sintoma), dor pélvica crônica, dispareunia (dor na relação sexual) alterações intestinais cíclicas (distensão abdominal, sangramento nas fezes, constipação, alterações urinárias cíclicas (disúria, hematúria, polaciúria e urgência miccional no período menstrual) e infertilidade”, descreve.

A Dra. Giovanna salienta que o exame físico é fundamental na suspeita clínica da endometriose, mas é necessária a utilização de ferramentas diagnósticas auxiliares. “O ultrassom pélvico e transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética com protocolos especializados são os principais métodos por imagem para detecção e estadiamento da endometriose e deverão ser realizados por profissionais com experiência nesse diagnóstico. A videolaparoscopia tinha, no passado, papel no diagnóstico da endometriose. Porém, atualmente, com o avanço dos métodos por imagem, ela é indicada, para o diagnóstico, apenas em pacientes que apresentam exames normais e falha no tratamento clínico”, orienta.

Após diagnosticada a endometriose, de acordo com a médica, o tratamento clínico é eficaz no controle da dor pélvica e deve ser o tratamento de escolha na ausência de indicações absolutas para cirurgia. “O objetivo do tratamento clínico é o alívio dos sintomas álgicos e a melhora da qualidade de vida, não se esperando diminuição das lesões ou cura da doença, mas sim o controle do quadro clínico”, destaca.

A ginecologista e obstetra ressalta ainda que existe grande associação entre endometriose e infertilidade, sendo que alguns estudos mostram que entre 25 a 50% das mulheres inférteis são portadoras de endometriose. “Esta doença pode ser considerada como problema de saúde pública, devido seu impacto negativo na saúde física e psicológica da mulher, quanto por questões socioeconômicas, visto os altos custos com diagnóstico e tratamento. Atente-se: dor não é normal! Procure um ginecologista”, finaliza.

A médica ginecologista e obstetra, Dra. Giovanna Olivieri, destaca que o exame físico é fundamental na suspeita clínica da endometriose, mas é necessária a utilização de ferramentas diagnósticas auxiliares

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