Caderno Especial Saúde

SAÚDE E FELICIDADE

Pensamentos e sensações influenciam na saúde

A psicóloga Gisely de Almeida Lima Dall’Oglio salienta que uma ideia que acaba nos gerando sofrimento é a questão de achar que felicidade precisa ser constante

O conceito de saúde está relacionado ao bem-estar físico, mental e social. Já o de felicidade à nossa percepção desse bem-estar, ou seja, a avaliação que fazemos dos momentos que vivemos. “A forma como nos sentimos e pensamos influencia na nossa saúde como um todo, afinal corpo e mente não estão separados. Existem várias pesquisas indicando que o sofrimento psíquico pode sim afetar a saúde física e em especial, fragilizar o sistema imunológico”, explica a psicóloga Gisely de Almeida Lima Dall’Oglio.

Mas de onde vem a felicidade e como alcançá-la? De acordo com a psicóloga, essa é uma questão complexa e muito estudada. “Acredita-se que felicidade é um fenômeno subjetivo, com influência tanto genética quanto do ambiente. Nossos pensamentos, emoções e comportamentos influenciam na nossa percepção de bem-estar e de satisfação. Sobre a máxima: ‘dinheiro traz felicidade’ não se pode dizer que há uma relação causal, ou seja, que dinheiro é igual a felicidade. O que as pesquisas indicam é que pessoas que se sentem mais realizadas com o que fazem, ou seja, que apresentam níveis de satisfação e bem-estar mais elevados são mais felizes”, esclarece.

Sobre uma possível ‘receita’ para a felicidade, Gisely afirma que a primeira questão é avaliar o que é felicidade para mim? Como eu sei que sou feliz? “A maioria das pessoas não consegue descrever quais comportamentos precisam acontecer para que ela perceba aquilo como felicidade. Por isso é comum escutar ‘eu era feliz e não sabia’ afinal, naquele determinado momento em que a felicidade está acontecendo muitas vezes a pessoa não consegue perceber, pois a ideia de felicidade é de algo que a pessoa não consegue nem explicar”, destaca.

A psicóloga complementa que uma ideia que acaba nos gerando sofrimento é a questão de achar que felicidade precisa ser constante. “Para eu ser feliz eu preciso estar sempre me sentindo bem e alegre, o que é impossível. As nossas emoções são como ondas. A alegria, assim como a tristeza, vêm e vão, e eu acabo assim pensando que não sou feliz, mas na verdade é porque funcionamos assim. Portanto, poderíamos pensar em felicidade como momentos que nos causam bem-estar e começar a listar quais são esses momentos na minha vida. É importante ressaltar que não estou me referindo apenas aos grandes acontecimentos da nossa vida, mas também, as coisas do nosso cotidiano”, finaliza.

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