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A mãe desnecessária

Há alguns dias chegou-me às mãos um texto que dá nome a este artigo e penso que é muito bacana compartilhar a ideia com vocês para uma reflexão. O texto, de autor incerto, inicia afirmando que a boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Uma provocação a todas nós, mães. Qual a medida do afeto e proteção necessários para que o filho se sinta amado e, ao mesmo tempo, livre para ser quem ele é e para dar conta, por si só das coisas do mundo… em que intensidade o zelo pela cria o impede de ser quem se é?

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O nosso impulso é colocar os filhos embaixo das nossas asas e tentar, a todo custo, preservá-los da dor, do perigo, da fome, da tristeza. Mas, fazendo isso, estamos fazendo o melhor? Não que proteger seja negativo, mas o excesso pode fazer com que este filho não saiba dar conta da vida sem a presença desta mãe. Então, o ideal seria amar incondicionalmente, mas dar o espaço para que os filhos cresçam aprendendo a lidar com as situações que a vida nos coloca diariamente. É fazer com que este amor de mãe não cause a dependência ou tire a autonomia deste filho.

A cada fase da vida a gente vai cortando o cordão umbilical e, ao mesmo tempo, vamos criando outros até o momento que eles crescem e tornam-se adultos. Não é fácil, pela nossa própria experiência de vida, não interferir nas escolhas e tentar apontar os caminhos menos espinhosos, mas precisamos entender que nosso caminho, sentir e caminhar nunca será igual ao do outro e que, para tornar-se um ser íntegro (no seu sentido de totalidade) é preciso que deixemos nossos filhos andarem e decidirem por seus próprios rumos.

A gente vai sempre estar ali para tudo o que precisarem, mas não podemos estar à frente nessa caminhada, que não é nossa. Assim, se fui ou sou uma boa mãe, inevitavelmente, terei de ir me tornando desnecessária com o tempo.

Boas mães criam os filhos para serem livres.  É deixar com que eles façam suas próprias histórias, andem por seus próprios caminhos, tenham suas próprias experiências e, caso precisem, saibam que estamos sempre ali para acolher quando necessário. Entender que os nossos filhos não são nossos talvez seja o maior aprendizado de uma mãe.

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Por: Camyle Hart

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 1999, atuando por 15 anos na área, em diversos veículos de comunicação do Paraná. Pós-graduada em Comunicação e Mercado na Era Digital.

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