C

Café Analítico

Bom ou ruim

PUBLICIDADE

Temos a tendência ao fatalismo, a julgar os fatos como bons ou maus e isso é cultural, próprio da visão dualista ocidental. Quando algo acontece em nossas vidas, logo somos taxativos em determinar se foi algo positivo ou não. Não nos permitimos apenas viver e deixar fluir, sem rotular, sem prejulgar. Mas, há outros modos de olhar, há o caminho do meio. Existem infinitas possibilidades das quais não temos acesso por conta dos nossos sentidos limitados.

Há um conto que retrata bem o que quero dizer:

O cavalo de um camponês fugiu e seu vizinho foi, prontamente, consolá-lo, ao que o camponês reagiu: “não sabemos se isso foi algo bom ou ruim”.

No dia seguinte o cavalo regressou com outros cavalos selvagens com quem havia criado afinidade. O vizinho apareceu para felicitar o camponês, dizendo que aquilo era ótimo. O camponês insistiu que não sabia se isso era bom ou ruim.

O filho do camponês montou um dos cavalos selvagens que, desacostumado a ser montado, derrubou o menino, que quebrou a perna. O vizinho (novamente) apareceu, lamentando o ocorrido junto ao camponês, que retrucou: “não sabemos se isso é bom ou ruim”.

No dia seguinte, soldados guerreiros foram às terras do camponês para recrutar seu filho que, impossibilitado de andar, foi dispensado.

A moral da história é algo elementar: tudo que é bom ou ruim é, na verdade, relativo, dependendo de circunstâncias relacionadas – e, principalmente, da maneira como se olha para aquilo que acontece.

Talvez, devêssemos ser mais maleáveis às circunstâncias, afinal, não temos a visão do todo, um olhar de cima e imparcial sobre o que acontece em nossas vidas. Não sabemos, ao certo, se o que nos acontece é bom ou ruim e como os fatos vão se costurando ao longo do caminho.

Quem sabe, relaxar, deixar leve, seja uma atitude sábia. Fazer o que está ao nosso alcance, tomar as decisões que temos como adequadas e o que não controlamos, deixar fluir, sem fatalismo, sem julgamentos, sem rótulo. Nem tudo é inevitavelmente bom ou ruim, muitas vezes, apenas é… e isto basta.

PUBLICIDADE

LEIA NOSSAS COLUNAS

Café Analítico

Por: Camyle Hart

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 1999, atuando por 15 anos na área, em diversos veículos de comunicação do Paraná. Pós-graduada em Comunicação e Mercado na Era Digital.
Formada em Psicologia pela Faculdade Anglo Americano – Foz do Iguaçu, especializando-se em psicologia Junguiana. Atualmente, mantém uma coluna sobre saúde mental nos jornais Nossa Folha e O Mensageiro, ambos de Medianeira. Mantém um blog sobre temas da psicologia e atua como psicoterapeura, no contexto ‘home care’(domiciliar) e online.

Comentários