psicologia
Libido e redes sociais
Pasmem com esta informação: os jovens, hoje, estão tendo menos relações sexuais concretas com outras pessoas do que os mais velhos. Isto é muito curioso porque, pela lógica, os mais novos têm muito mais energia e intensidade que os mais velhos… e têm, porém, a libido deles está sendo direcionada a outros focos, que não pessoas reais.
Por Camyle Hart . 17 de novembro de 2022 . 14:03
De acordo com o filósofo coreano, Byung-Chul Han, esse comportamento tem a ver com o grande espaço que as redes sociais têm tomado em nossas vidas. Segundo ele, a libido continua a mesma, porém, está sendo direcionada para a internet.
No livro `”A sociedade do cansaço”, ele diz: “O ego pós-moderno emprega grande parte de sua energia da libido para si mesmo. O restante da libido é distribuído em contatos sempre crescentes e relações superficiais e passageiras. Em virtude de um fraco `elo de ligação` é muito mais fácil retirar a libido de um objeto e com isso direcioná-la rumo à posse de novos objetos.”
A análise que o filósofo faz é de que grande parte da libido está sendo dirigida a nós mesmos e apenas uma pequena porção é dirigida a outras pessoas na internet. Quer dizer, a libido dirigida a si mesmo é cômoda e não expõe o ego a possíveis julgamentos, pois não depende da aceitação e da interação com outra consciência. Não é preciso avaliar criticamente a relação sexual consigo mesmo.
Também de acordo com Han, a pequena parte da libido direcionada a outras pessoas na internet é mais fácil de controlar: pode-se deletá-las ou bloqueá-las, caso não agrade ou não atenda aos interesses.
Assim, uma parte da libido está com alguém que nos ama muito, que somos nós mesmos, e a outra parte da libido está direcionada a pessoas que talvez não gostem tanto de nós, mas que estão sob nosso controle. Assim, o esforço em negociar consigo mesmo e com pessoas virtuais é muito menor do que ter de negociar com pessoas reais em encontros reais.
Podendo controlar o outro, pode-se dirigir a libido para satisfazer o próprio impulso, a vaidade, o orgulho. Viver fora das redes passou a ser cansativo, a dispender muita energia, fora a possibilidade real da crítica e da rejeição, o que seria imensamente destrutivo a egos frágeis. Por outro lado, encontros reais podem ser muito mais prazerosos, embora sejam mais desafiadores, do que encontros virtuais. Mas como convencer àqueles que não os viveram?



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