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O amor romântico

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Somos uma geração refém dos contos de fadas. Projetamos no outro a imagem de um príncipe encantado ou de uma princesa presa na torre, maltratada por uma madrasta má precisando ser salva. Mudam os personagens, mas o enredo é sempre muito parecido: o príncipe perfeito que salva a donzela em perigo. Crescemos lendo e ouvindo estas estórias e elas foram moldando o nosso imaginário e, claro, os nossos desejos.

Acontece que na vida real ninguém é perfeito e o ‘felizes para sempre’ não é o ponto final, mas o início de uma árdua trajetória de aprendizados, doação, empatia e resiliência. E aí, a idealização do conto de fadas bate de frente com a vida real.

Geralmente, quando nos apaixonamos, não é pela pessoa em si, mas por uma projeção daquilo que pensamos ser o ideal. Enredamos o outro num personagem criado por nós mesmos e o aprisionamos numa torre, o lugar do nosso imaginário. Então, ficamos suspirando pelos cantos pensando neste ser ideal incorporado no objeto do afeto.

Não raro, escuto as pessoas falando: “Eu fiz tudo por ele!”; “Planejei viagens, jantares e a pessoa não valorizou!”; “Dei o meu melhor e ela se apaixonou por outro!”… e assim por diante.

Mas o que estas pessoas não entenderam é que o que fizeram pelo outro foi baseado no que elas achavam ser o melhor. Elas não se importaram em saber se tudo aquilo que fizeram era o que a outra pessoa também desejava. Na ânsia por satisfazer os próprios desejos, estas pessoas acabaram tropeçando na própria estória, cegas pela idealização que criaram. Quando nos doamos a alguém, precisamos pensar se aquilo que estamos fazendo é o melhor para a outra pessoa também. E podemos dizer que muitas destas frustrações têm início nos lindos e inocentes contos de fadas.

Devemos viver a vida a dois que quisermos ter, com suas particularidades, qualidades e imperfeições. Entender que o que torna uma relação encantada é, justamente, a surpresa da descoberta do outro, dia a dia. Encantar-se com o real, com a vida ao vivo. O verdadeiro amor está longe do romântico, mas da surpresa no caminho, no carinho e nos desejos mútuos.

“Amava seus erros assim como amava os acertos, porque o que eu amava, enfim, era você.” Tati Bernardi

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Por: Camyle Hart

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 1999, atuando por 15 anos na área, em diversos veículos de comunicação do Paraná. Pós-graduada em Comunicação e Mercado na Era Digital.
Formada em Psicologia pela Faculdade Anglo Americano – Foz do Iguaçu, especializando-se em psicologia Junguiana. Atualmente, mantém uma coluna sobre saúde mental nos jornais Nossa Folha e O Mensageiro, ambos de Medianeira. Mantém um blog sobre temas da psicologia e atua como psicoterapeura, no contexto ‘home care’(domiciliar) e online.

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