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Oi Sumida(o)!

Em tempos de Whatsapp, quem nunca recebeu inesperadamente, – depois de dias, semanas ou até meses sem ter sinal da pessoa, – a famosa frase “Oi sumida(o)!” pelo menos uma vez? Muito comum, e por vezes motivo de risos ou irritação, esta abordagem mexe com o inconsciente e com as dúvidas mais profundas daqueles que entram na onda atual das relações efêmeras, dos ‘relacionamentos líquidos’, como diria Bauman.

Mas, o que pode significar, do ponto de vista psicológico, esta mensagem? Uma das possibilidades é a indecisão. Esta atitude de sumir e reaparecer ‘do nada’ pode indicar que a pessoa até tem interesse em você, mas não a tem como prioridade ou está em dúvidas sobre a relação. Pode ser que ela ficou com você, mas quis sair com outra(s) pessoa(s) para entender a si mesma e o que está sentindo. Pode ser também que a pessoa ficou com você e depois não sentiu mais necessidade de continuar. Algumas pessoas não sabem lidar com términos e simplesmente somem, e isso é muito comum. Também há aquelas que têm dificuldades em manter vínculos. Enfim, existem várias possibilidades para o sumiço e depois a volta com a mensagem tão clichê.

O mais comum é que quando não há compromisso, a pessoa se envolve em outra relação que vem a não dar certo e, então, lembra da pessoa anterior e, muitas vezes, por carência, volta a manter contato, que pelas circunstâncias, só pode ser reatado gradativamente, com muita cautela.

A pessoa pode estar afetivamente carente e então reaparecer ‘pisando em ovos’ para sentir se tem ou não abertura num tipo de vínculo já fragilizado. Pode tratar-se de uma estratégia, de um jogo para avaliar qual será a reação do outro diante da abordagem.

Mas e então, devemos ou não responder ao ‘Oi sumida(o)?’

Quem recebe a mensagem deve avaliar o motivo do sumiço e o sentido da reaproximação para ter mais clareza sobre o que fazer e sobre o que quer deste envolvimento. O que se deve ter em mente é o tipo de relação que se quer construir. Cabe a quem receber a mensagem decidir se quer viver o momento e no que isto pode lhe desestabilizar emocionalmente. E o mais importante, nestes casos, é não criar expectativas futuras.

“A incapacidade de escolher entre atração e repulsão, entre esperanças e temores, redunda na incapacidade de agir.” Zygmunt Bauman

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Por: Camyle Hart

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 1999, atuando por 15 anos na área, em diversos veículos de comunicação do Paraná. Pós-graduada em Comunicação e Mercado na Era Digital.
Formada em Psicologia pela Faculdade Anglo Americano – Foz do Iguaçu, especializando-se em psicologia Junguiana. Atualmente, mantém uma coluna sobre saúde mental nos jornais Nossa Folha e O Mensageiro, ambos de Medianeira. Mantém um blog sobre temas da psicologia e atua como psicoterapeura, no contexto ‘home care’(domiciliar) e online.

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