C

Café Analítico

Violência contra a mulher

PUBLICIDADE

Anuncie - Naves

Nas últimas semanas, casos de violência contra a mulher impressionaram pelo nível de crueldade e levantaram a importância de falar sobre o tema e lutar contra estes crimes. Vou citar dois deles:

No primeiro caso, após oito meses de conversas pela internet, Elaine, 55 anos, resolveu conhecer pessoalmente o rapaz com quem conversava. Convidou-o para ir ao seu apartamento, adormeceu e acordou sendo espancada. Após gritar muito por socorro, foi ajudada pelo porteiro do prédio. Elaine teve traumatismos no rosto e pelo corpo e terá que fazer cirurgias de reparação.

No segundo caso, vimos o caso de Eva, uma adolescente que após seis anos de abusos cometidos pelo padrasto, conseguiu pedir ajuda por uma rede social. A história foi tão cruel, que o padrasto a impedia de ter amigos e até fazia faculdade com ela, para que Eva não pudesse buscar ajuda. Aos doze anos, Eva foi até uma delegacia especializada para denunciar, mas não a levaram a sério. Hoje, ao tentar sobreviver ao trauma, Eva quer ajudar outras meninas que passam por situações de abuso.

Em ambas situações, vemos o tamanho do problema quando, além das histórias, nos deparamos com milhares de comentários acusando e culpando as vítimas: “Quem manda levar desconhecido para dentro de casa!”; “Estava sendo abusada há seis anos e não denunciou!”; “Provoca e depois dá nisso!”.

Uma em cada quatro mulheres sofreu violência nos últimos oito meses. O medo do agressor, o terror psicológico, a dependência financeira e a insegurança em relação aos mecanismos de defesa do Estado impedem que estas mulheres denunciem e 90% dos municípios não tem uma Delegacia especializada. Assim, o Brasil está entre os países que mais comete assassinatos de mulheres, o feminicídio. Uma realidade que precisamos olhar de frente para poder, a partir de então, mudar.

O Brasil é o 5º país do mundo em mortes violentas contra a mulher, perdendo apenas para países como El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia. Em comparação com países desenvolvidos, aqui se mata 48 vezes mais mulheres que o Reino Unido, 24 vezes mais que a Dinamarca e 16 vezes mais que o Japão.

“A mulher é violentada toda vez que algo lhe é imposto. É violada em sua individualidade e sua dignidade uma vez que perde o poder de decisão sobre seu corpo.” Mary Scabora, psicóloga clínica.

PUBLICIDADE

Anuncie - Naves

LEIA NOSSAS COLUNAS

Café Analítico

Por: Camyle Hart

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 1999, atuando por 15 anos na área, em diversos veículos de comunicação do Paraná. Pós-graduada em Comunicação e Mercado na Era Digital.
Formada em Psicologia pela Faculdade Anglo Americano – Foz do Iguaçu, especializando-se em psicologia Junguiana. Atualmente, mantém uma coluna sobre saúde mental nos jornais Nossa Folha e O Mensageiro, ambos de Medianeira. Mantém um blog sobre temas da psicologia e atua como psicoterapeura, no contexto ‘home care’(domiciliar) e online.

Comentários