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CORONAVÍRUS

Brasileiros residentes na Itália relatam como estão convivendo com as consequências da pandemia

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, no último dia 11, pandemia para o Covid-19, infecção causada pelo novo coronavírus. Segundo a OMS, uma pandemia é a disseminação mundial de uma nova doença. O termo é utilizado quando uma epidemia – grande surto que afeta uma região – se espalha por diferentes continentes com transmissão sustentada de pessoa para pessoa.  A questão da gravidade da doença não entra na definição da OMS de pandemia, que leva em consideração apenas a disseminação geográfica rápida que o vírus tem apresentado.

Essa rápida disseminação aterroriza hoje a Itália. O país europeu paga o preço mais alto pela pandemia de coronavírus, ultrapassando a marca de 2.000 mortos. As notícias são alarmantes e para ilustrar a situação italiana, conversamos com uma família brasileira, que reside em Verona há 15 anos, para que eles contem a realidade dessa crise na saúde.

A medianeirense Cassiane Molossi é casada com Marcos Mariano, natural de Pato Branco. O casal vive na Itália com os filhos Laura, Giovanna e Thomaz. São proprietários de um centro especializado de pinturas automotivas. Confira o relato:

 “No início de janeiro, começaram os primeiros comentários sobre o Coronavírus, até então desconhecido da população. Eram muitos boatos, mas nada de concreto, até que as notícias da China começaram a assustar. Verona tem um número muito importante de chineses que moram aqui, muitos dos produtos vendidos na Itália são importados da China, os mesmos são proprietários de vários negócios como: bares, centros estéticos, salões de beleza, salas de jogos, galerias, shopping, etc… Enfim, era inevitável que, com uma comunidade grande presente no território italiano, o vírus chegasse até aqui. Até que um casal de turistas chineses fez um tour pela Europa, incluindo Veneza, Verona e Roma (etapa final da viagem) se sentiu mal e foi diagnosticado com o vírus. A partir desse momento todos ficaram em alerta e começaram a divulgar mais sobre o assunto, como prevenir, comportamentos, higiene pessoal, mas a população não levou a sério. Fizeram vários exames nas pessoas que tiveram contato com o casal, mas todos resultaram negativos. A partir daí, o governo bloqueou os voos que vinham direto da China, mas deixou o acesso livre para os europeus que voltavam de lá, o que não fez o menor sentido, porque o problema não eram os chineses em si, o problema eram os turistas em geral, até mesmo os próprios italianos. Alguns dias antes do Carnaval, várias pessoas começaram a apresentar sintomas parecidos com pneumonia em uma cidadezinha que pertence a Padova. Depois desse dia, alerta total, quanto mais exames faziam, mais casos positivos apareciam, e o pesadelo começou. Na semana de Carnaval, o primeiro aviso de que as escolas estariam fechadas por mais três dias além das férias, depois por mais cinco, e agora até o dia 03 de abril. Pânico total! Fui ao supermercado fazer a compra da semana e me deparei com uma cena que nunca pensei enfrentar, as prateleiras do supermercado praticamente vazias, as opções eram poucas, naquele momento caiu a ficha: a situação é grave! Essa última semana está sendo muito difícil, controles estão sendo feitos em vários pontos da cidade, uso constante de máscaras, luvas e comércio praticamente todo fechado. Todos os dias um novo decreto imposto pelo governo e centenas de novos casos confirmados. A Europa está fechando todas as fronteiras com Itália, a Eslovênia ergueu uma barreira. O apelo do governo repetido continuamente é: fiquem em casa! Vários voos cancelados por 30 dias, muitos italianos ainda se encontram fora do território de origem, alguns por trabalho e tantos outros por lazer, o que na minha opinião poderia ter sido evitado. No último dia 13 de março, fechamos a nossa atividade e todos nós, família e funcionários faremos a quarentena em casa, sem contato com ninguém de fora. Entendemos que para o país será uma grande perda econômica, mas pensamos também em todas as famílias que perderam seus familiares. Mercados estão com horário limitado e o número de pessoas circulando também. Farmácias estão fazendo rodízio. Diante da situação, fica o apelo para quem, nas últimas semanas, viajou para o exterior, seja consciente, ninguém é imune ao vírus. Existe o paciente zero que não apresenta nenhum sintoma, mas que transmite o vírus, os mais vulneráveis são os idosos, mas isso não quer dizer que adultos, crianças e adolescentes não estão em risco. Se informe, previna-se!”, descreve Cassiane Molossi.

Na Itália estão sendo usadas as hashtags: #iorestoacasa (eu fico em casa) e #andratuttobene (vai ficar tudo bem). Por aqui, a recomendação é a mesma.

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LEIA POR EDITORIA

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