Especial

JANEIRO BRANCO

Devemos cuidar da saúde mental enquanto há tempo

A psicóloga Mayara de Oliveira dos Santos comenta sobre a importância da campanha Janeiro Branco. A profissional orienta sobre cuidados com a saúde mental e emocional, prevenindo doenças decorrentes do estresse, como ansiedade, depressão, pânico, entre outras

Completando 10 anos em 2024, a Campanha Janeiro Branco trabalha no sentido de divulgar e debater causas de doenças mentais, que podem aparecer por uma série de fatores como: genética, estresse, abuso de substâncias, traumas, entre outros. Neste rol, entram também os transtornos de humor, esquizofrenia e transtorno bipolar. “Em janeiro nos dedicamos a falar um pouco mais sobre saúde mental e vale um lembrete importante: Cuidar da saúde mental é um compromisso diário consigo. Ter hábitos saudáveis, cuidar das relações, respeitar nossos limites, filtrar conteúdos negativos, diminuir as comparações que fazemos com os outros, aprender a ser gentil com nós mesmos, cuidar do nosso sono, aprender a se relacionar com os nossos pensamentos, cuidar das nossas emoções e procurar ajuda sempre que necessário”, ressalta a psicóloga Mayara de Oliveira dos Santos (CRP 08/28259).

Ela explica que quando falamos em saúde mental, pensamos em um conceito que abrange fatores psicológicos, sociais e biológicos, ou seja, a saúde mental não se refere apenas ao aspecto psicológico (Organização Mundial da Saúde – OMS). “Isso significa que enquanto seres humanos, somos atravessados por todas as questões que nos rodeiam. Nossa herança genética, as vivências que temos, as relações que construímos, os conteúdos que consumimos na TV, Internet, etc. Tudo o que chega até nós, nos afeta de alguma maneira, positiva ou negativamente”, destaca.

Segundo a psicóloga, ao vivenciarmos um processo de adoecimento mental, seja dentro de um quadro de Transtorno Mental (depressão, Transtornos Alimentares, etc) ou não, ficamos mais vulneráveis ao contexto, pensamos e olhamos o mundo através de uma “lente distorcida”. “Nossas funções psíquicas, como memória, atenção, pensamento, ficam comprometidas. Além disso, pode ocorrer uma diminuição do contato social, uma tendência maior ao isolamento, o que pode aumentar o tempo de uso em redes sociais. Ter na palma da mão conteúdos que possam incitar comportamentos autolesivos, violentos e relacionados a transtornos alimentares, nos deixa ainda mais vulneráveis”, esclarece.

Sobre a relação da saúde mental e redes sociais, uma medida tomada pela Meta (responsável pelo Facebook e Instagram) chama a atenção. A empresa aumentou as restrições para cadastro de contas, e ocultará resultado de pesquisas sobre suicídio, automutilação e transtornos alimentares, reforçando a proteção contra publicações consideradas perigosas à saúde mental. Até então não havia diferença nas contas de menores de idade e adultos. “A medida adotada pelo Instagram de bloquear estes conteúdos para adolescentes e jovens é importante e se faz necessária. Uma tentativa de proteção à saúde mental para minimizar os efeitos negativos que estes conteúdos podem provocar. O Instagram é uma das redes que podem exercer influência sobre as pessoas, em especial adolescentes e jovens, mas não a única, por isso, não podemos esperar grandes resultados com ações isoladas”, reitera Mayara.

A profissional reforça também que a participação da família também é importante para verificar que tipos de conteúdo estão sendo consumidos por jovens e adolescentes. Investir no vínculo e no diálogo é o melhor caminho para que seja possível observar quando as coisas não estão bem e fornecer a ajuda necessária. “O Instagram deu o ‘ponta pé’, mas acredito que o compromisso em promover saúde mental deve acontecer em todos os lugares, redes sociais, meios de comunicação, família, escolas, comunidade e grupos, pois só assim poderemos ver resultados realmente significativos”, finaliza.

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