Especial

UNIMED OESTE DO PARANÁ

Produção de conhecimento a serviço da vida

Na segunda reportagem da série sobre o trabalho da Unimed Oeste do Paraná no combate à pandemia vamos demonstrar como a busca e a produção de conhecimento aliado a prática podem salvar vidas

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O Diretor Vice-Presidente da Unimed Oeste do Paraná, Dr. Rodrigo França destaca duas ações importantes realizadas pela cooperativa: os treinamentos das equipes e a parceria com a UTFPR para a produção de equipamentos

O mundo todo foi pego de surpresa. Pesquisadores, profissionais de saúde e população tiveram que aprender a lidar com o novo coronavírus. Com o objetivo salvar vidas e preservar quem estava na linha de frente, a Unimed Oeste do Paraná foi em busca de conhecimento. “Lá no início, nós tentamos entender exatamente qual o significado desta doença. A partir da leitura de artigos internacionais e notícias que vinham de fora, a gente identificou alguns problemas que poderiam acontecer na nossa cidade. Além da questão do colapso da saúde por não haver equipamentos hospitalares, respiradores ou leitos de hospitais, uma das principais preocupações era o colapso das equipes médicas. Em muitos países, tinha equipamentos, respiradores, mas muitas equipes estavam adoecendo e isso fazia com que não conseguissem realizar os atendimentos. Estudamos, entendemos o problema e começamos a implantar algumas medidas”, explicou o Diretor Vice-Presidente da Unimed Oeste do Paraná, Dr. Rodrigo Otavio Gama França.

Foram organizadas e ministradas várias aulas, envolvendo a parte teórica, com conteúdos sobre o mecanismo de transmissão e a parte prática, com treinamento em como utilizar os EPI’s e evitar a contaminação. “Apresentamos isso para todos os colaboradores da Unimed, do nosso laboratório e para os principais Hospitais. A gente considera que até o momento obtivemos sucesso, lógico que não 100%, mesmo porque contágio nem sempre é por meio do trabalho, pode ser em casa ou por outros meios. Mas a gente tem o índice de adoecimento das equipes de saúde relativamente baixa, se comparado a outros países, aonde tem 15 a 20% das pessoas relacionadas com o atendimento adoecendo. Aqui não tivemos um colapso no sistema por falta de equipe até o momento”, afirma o médico.

Nesse sentido de proteger as equipes, o Dr. Rodrigo destaca a parceria com UTFPR – Campus Medianeira, que acabou indo além, com o desenvolvimento de equipamentos também para os pacientes. São dois projetos principais: a câmara de proteção e o capacete de ventilação não-invasiva, que dentro de duas semanas estarão disponíveis para a Unimed Oeste do Paraná. “A caixa de proteção previne que secreções do paciente entrem em contato com a equipe. Já o capacete é colocado na cabeça do paciente que está com Covid-19, pneumonia ou falta de ar, e você consegue oferecer uma quantidade de oxigênio muito maior do que com as medidas atuais que a gente usa. Tem estudos feitos no exterior com equipamentos parecidos com esse, que mostram que a possibilidade do paciente piorar e precisar de um respirador, de uma ventilação mecânica, com esse tipo de capacete diminui de 20 a 30%”, salienta.

Os equipamentos foram desenvolvidos pelos professores do Departamento de Ciência da Computação da UTFPR – Campus Medianeira, por meio do projeto de combate à Covid-19, coordenado pelo Professor Pedro Luiz de Paula. O professor Fernando Schütz, que integra o departamento, detalha como funcionam os dois protótipos. “A câmara vai funcionar para proteção do agente de saúde que está lidando com o paciente. Ela é bem simples, feita com cano de PVC. É um cubo, transparente e desmontável. Ela permite a manipulação do paciente sem que exista um contato direto. Tem acessos laterais, onde o médico ou enfermeiro pode ajudar o paciente.Tem acesso para respiradores e para algum tipo de soro ou algo que precise ser aplicado no paciente. Quanto à saída, possui um filtro antibacteriano, que filtra o ar antes de sair. Esse filtro vai fazer com que a contaminação diminua ou até não exista quando esse ar sai dessa câmara”, esclarece.

Em relação ao capacete, o docente explica que a ideia também é proteger o profissional de saúde, mas a principal função é ajudar na oxigenação do paciente. “É conhecido como um equipamento de respiração não-invasiva. Ele auxilia através dos canos que são ligados a um respirador artificial, evitando que o paciente precise ser entubado. Ou seja, não precisa mais colocar os tubos pela traqueia, pela garganta do paciente, o capacete substitui. Os tubos são ligados a um respirador, que vai fazer com que entre uma altíssima carga de oxigênio dentro do espaço. E o tubo de saída evita que haja proliferação do vírus no ambiente. Tem também um orifício para alimentação, para ter acesso mais restrito ao paciente. Nós fizemos ele com vinil transparente para a pessoa poder enxergar e também usamos o neoprene para que se tenha um conforto estrutural no pescoço”, descreve Fernando Schütz.

Estão sendo confeccionados cinco câmaras de proteção e 10 capacetes de ventilação não-invasiva, projetos desenvolvidos graças à parceria Universidade – Unimed. “Esse é um dos grandes papéis da universidade, que é o tripé: ensino, pesquisa e extensão. O ensino diz respeito às aulas, monitoria e o contato aluno-professor. A pesquisa é produção de conhecimento a partir de novos estudos. E a extensão é levar para a população o que é produzido dentro do ambiente educacional. Infelizmente aconteceu por causa e durante uma pandemia, mas para nós é um grande orgulho, um grande prazer poder fazer isso. Esperamos que realmente ajude no combate a doença e na proteção dos nossos agentes de saúde”, finaliza o professor.

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