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TRABALHO

Unimed alerta para sintomas atípicos e importância do tratamento precoce da Covid-19

Cooperativa médica desenvolve um trabalho junto a Secretaria de Saúde, auxiliando coletas de exame, atendimentos domiciliares e acompanhamento dos pacientes por telemonitoramento

Parte da equipe da Unimed Oeste do Paraná, que atua no combate à Covid-9

Como a Covid-19 é uma doença nova, as informações vão surgindo aos poucos, novos estudos esclarecem pontos desconhecidos e muitas questões vão sendo observadas na prática.

Desde os primeiros casos em Medianeira, a Secretaria de Saúde fez uma parceria com a Unimed Oeste do Paraná para auxiliar na questão das coletas de exame, atendimentos domiciliares e acompanhamento dos pacientes por telemonitoramento. “Nós criamos uma estrutura de coleta de exames no domicilio e também de atendimento médico e de enfermagem. Conseguimos num primeiro momento fazer esse trabalho em domicílio. A partir do aumento dos casos, a gente acabou tendo que subdividir. A Secretaria de Saúde passou a atender os pacientes que são SUS e a Unimed os seus beneficiários. E essa união pode nos mostrar que juntando forças a gente consegue fazer um trabalho legal. E isso se mostra nos números, a quantidade de internados não foi tão grande, já passamos de 400 casos positivados e não temos nenhum óbito, demonstrando a efetividade do trabalho de contenção das pessoas infectadas dentro do seu domicílio”, explica Jonathas Bertoldi, Supervisor da Gestão em Saúde, da Unimed Oeste do Paraná.

Sobre o acompanhamento dos pacientes hoje, Jonathas salienta que há duas centrais de monitoramento, uma para quem têm Unimed e outra para pacientes SUS, com a mesma estrutura. “Acompanhamos diariamente, principalmente os que têm comorbidades, e vale ressaltar que não são somente os médicos e enfermeiros, têm outros profissionais. Na Secretaria de Saúde todos estão ajudando no telemonitoramento”. Ele complementa que “as pessoas que entram em contato com a central, passam por triagem para identificarmos quais os sintomas, desde quando iniciaram, porque o teste deve ser feito no melhor momento possível. Temos visto muitas pessoas fazerem o teste em momentos não adequados. Então, para cada fase da doença tem um teste específico. Por exemplo, iniciei os sintomas há dois dias, o melhor teste é o Swab Nasal, o RT – PCR para Covid, de 2 a 7 dias é o momento ideal para fazer este exame. Já o teste rápido é de imunologia, a pessoa passou pela doença e criou anticorpos. Isso só vai começar a aparecer 10 dias após o início dos sintomas. Então, fazemos a triagem, o monitoramento e, dependendo da evolução dos sintomas, a gente avalia a coleta. Na pessoa saudável, tem que observar se não vai evoluir para problemas respiratórios agravados, falta de ar, mãos e pés arrocheados, febre. Isso são sinais de alerta, que vão determinar a coleta. Já a pessoa que não evolui com os sintomas é mantida em isolamento, e só é liberada após três dias sem sintomas, mesmo que o exame tenha dado negativo. Desde o início, há um protocolo de quem testar. O Estado do Paraná tem isso bem estipulado. Além da questão do isolamento, que têm formas diferentes para cada tipo de paciente”, esclarece o Supervisor da Gestão em Saúde da Unimed.

Em relação aos sintomas, a Dra. Cristiane Binder Farinazzo, coordenadora médica da Gestão da Saúde, da Unimed Oeste do Paraná, comenta que desde o início são valorizados os sintomas que representam uma síndrome gripal: febre ou uma sensação de febre (calafrio), associada algum sintoma respiratório como tosse seca, nariz trancado, coriza, as vezes dificuldade para respirar, dor no corpo, dor de cabeça. “No entanto, a gente tem observado que alguns pacientes apresentam uma manifestação atípica, em que os sintomas lembram muito a dengue: dor do corpo, dor de cabeça, dor abdominal, diarreia, náuseas, vômito. Outra característica é que o paciente passa a não sentir cheiro e gosto, mas esse não é um sintoma tão precoce, normalmente vai aparecer mais adiante. Os sintomas acabam se confundindo com de outros vírus, além da confusão com a Dengue”, ressalta.

Outra orientação da médica é ao observar os sintomas, entrar em conato com os plantões da Covid-19. “Fazendo o diagnóstico precoce, a gente já orienta a pessoa em relação aos cuidados de saúde, questão da alimentação, hidratação. Temos tentado fazer um tratamento precoce. Apesar de não ter nenhum trabalho científico que aponte um tratamento específico para Covid, existem alguns estudos preliminares que indicam que alguns medicamentos geram uma evolução melhor, se ministrados precocemente. Então, avaliamos cada paciente, e quando se percebe que ele tem chance de evoluir mal, iniciamos o tratamento precoce com hidroxicloroquina e azitromicina”, afirma.

A Dra. Cristiane Binder Farinazzo destaca ainda que o Brasil teve a sorte da pandemia chegar um pouco mais tarde e o país pode aprender com outros que estão numa fase mais avançada. Inclusive em termos de estudos, que estão mais avançados quanto ao tratamento, mas não quanto a profilaxia. E mesmo assim não são conclusivos. “Não são trabalhos, são experiências pessoais com grupos de pessoas, nada científico, temos apenas sugestões. As medicações têm seus índices de efeitos colateriais, cada pessoa responde de uma forma. Uma pessoa que já toma remédios, pode afetar o efeito. Além do fato de que se todas as pessoas correrem para comprar medicamentos, vai desabastecer as farmácias. E talvez no momento em que você precisar, não vai mais ter. Não só na farmácia, mas para o governo também, que não está conseguindo as medicações. Os laboratórios também estão tentando aumentar a produção. É difícil você institucionalizar uma medicação baseada no achismo, porque vai que funciona, mas se não funcionar? Medicina tem que ser baseada em evidências, a gente não pode ficar fazendo só o que a gente acha, porque isso pode gerar consequências. E mesmo o tratamento fica a critério de cada médico, não há uma receita de bolo”, finaliza.

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