Maisa Responde

A importância do tipo de tecido na escolha das peças íntimas

Há algumas colunas, falamos sobre como a utilização do sutiã tem gerado polêmica, especialmente nesses últimos meses de pandemia, em que temos passado a maior parte do nosso tempo dentro de casa. E agora, venho abordar um pouquinho sobre o universo das calcinhas, já que esse assunto é de extrema importância para a saúde íntima da mulher. Como esse conteúdo dá pano pra manga, vou dividir essa coluna em 3 partes, então, não deixem de acompanhar pois é muito assunto de utilidade pública!

Já falei por aqui que cada tipo de fibra possui uma característica diferente da outra e é justamente essa diferenciação que faz o algodão ser ótimo para peças de verão e o poliéster ser excelente no inverno, por exemplo. E, no caso das peças íntimas, não é muito diferente: como essa é uma região úmida e quente (ambiente propício para povoação de fungos e bactérias) precisamos de uma fibra que promova a troca de calor, com a finalidade de manter a área arejada. Porém, devemos levar em consideração não somente o tipo de fibra como também a construção do tecido, uma vez que, dependendo de como for, ela poderá formar bolsões de ar e não transportar líquidos e umidade entre os seus espaços e isso poderá promover um aquecimento da região.

Em outras palavras: a afirmação médica de que fibras sintéticas são ruins e somente as de algodão que são recomendáveis para peças íntimas não é totalmente verdadeira, pois tudo irá depender desses fatores que citei acima. De acordo com uma pesquisa feita por alunos de engenharia têxtil da Universidade FEI, em que eles compararam o gerenciamento de umidade em lingeries de poliamida e de algodão, as atuais malhas sintéticas não contribuem para o aumento da umidade e temperatura local, ou seja, o ambiente não fica propício ao crescimento de fungos e bactérias.

Nessa pesquisa, foram realizados ensaios com cinco tipos de malha de lingerie, sendo duas usadas nos anos 80 e três utilizadas atualmente e o resultado foi que as malhas atuais tiveram o mesmo desempenho que as malhas de algodão utilizadas na década de 80. Para chegar ao resultado, foram realizados testes de permeabilidade ao vapor de água para mostrar a quantidade de ar que passa pela camada do tecido, além do transporte de líquido por capilaridade – que tem o objetivo de identificar o quanto de líquido o tecido consegue transportar através dos espaços dos fios e fibras ou filamentos.

O melhor resultado obtido foi com a microfibra texturizada com elastano em malha circular, a qual apresentou o mesmo desempenho que a malha de algodão. Já a malha de urdume, mais conhecida como renda, mostrou-se mais favorável a fungos.

Como vocês podem ver, o principal fator para retenção de calor e umidade na região não é o tipo de fibra e sim a construção do tecido, já que é ela que faz com que o tecido seja mais ou menos permeável e transporte mais ou menos o líquido do suor. Mas isso não quer dizer que não seja importante escolher peças com fibras que favoreçam o arejamento da região.

Não entendeu nada? Calma que irei te esmiuçar mais esse assunto na próxima coluna e te auxiliar na escolha das melhores peças íntimas para cada tipo de ocasião.

Vejo vocês lá!

Maisa Responde

Por: Maisa Silvestre

Maisa Silvestre, engenheira têxtil com especialização em gestão empreendedora e engenharia de produção, cofundadora da marca de roupas reversíveis Realma e apaixonada por moda, viagens, vida saudável e faça você mesmo.

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