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Memórias

MEMÓRIAS

Memórias do Jornal Mensageiro

Continuamos publicando reportagens históricas do Jornal Mensageiro e nesta semana destacamos um fato muito marcante da nossa região: o fechamento da Estrada do Colono (publicada em 24 de setembro de 1986).  

Data de publicação original: 24/09/1986

Número da edição original: 498

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Estamos de luto! Trancaram nossos caminhos; mancharam nossa honra!

Não pode haver crime maior que impedir a livre comunicação entre os homens. Foi o que fizeram com a população dos municípios de Medianeira e Capanema, agora tolhida na sua liberdade de ir e vir sem ser molestada. A Policia Federal com armas em punho, mantém fechada a estrada do colono – PRT 163 – no trecho de 17,6 quilômetros do Parque Nacional do Iguaçu.

Este é um trecho de um dos manifestos da Comissão de Defesa pró-abertura e asfaltamento da Estrada do Parque. A luta continua. Medianeira, Capanema, e todos que comungam este sonho acalentado há décadas estão em estado de alerta. O possível e o impossível estão sendo feito, desde que pisou em nosso solo a Policia Federal de armas em punho, dia 13 deste. A movimentação foi e está sendo intensa. Aqui registramos em letras toda a indignação.

Assim está a Estrada do Parque

Medianeira em estado de emergência

A presença de elementos da Policia Federa no município – um contingente razoável de policiais mantém bloqueada a entrada do parque nacional do Iguaçu, depois que Juiz Federal, Milton Luiz Pereira, concedeu liminar ao processo requerido pelo IBDF, no sentido do fechamento dos 17,6 quilômetros daquela reserva florestal, trecho este integrante da Estrada do Colono – foi motivo suficiente para que os vereadores de Medianeira se reunissem em caráter extraordinário no final da tarde do último dia 13 quando, na oportunidade, após levantarem um sem número de justificativas para o não fechamento daquele trecho da rodovia, requeresse ao prefeito Adolpho Mariano da Costa a decretação de “Estado de Emergência” no município. Numa tentativa extrema de acalmar os ânimos da população, bem como evitar a comoção social, o chefe do Executivo atendeu ao pedido formulado pelos vereadores. Se esta medida coloca Medianeira numa situação especial, não menos atípico é o ambiente suscitado na área, em maior grau pela presença ostensiva da Policia Federal naquele local, quadro este que o Prefeito Adolpho Mariano da Costa define como “intervenção branca”.

Tanto os moradores – a maioria agricultores – dos distritos de Flor da Serra e Jardinópolis, próximos ao parque Nacional do Iguaçu, bem como a população urbana de Medianeira, organizou um movimento o qual deflagrou na formação de extensas filas de veículos e máquinas agrícolas, posicionados há cerca de um quilômetro da entrada do Parque Nacional. A manifestação tem-se mostrado ordeira e pacifica, muito embora sejam grandes os prejuízos até agora contabilizados tanto pelas empresas de ônibus que dependem da Estrada do Colono – que existe há mais de meio século – para cumprir um itinerário que se estende por todo o Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso; como os setores empresariais, em maior escala as cooperativas, uma vez que os produtores estão impedidos se escoarem sua produção agrícola, rumo aos diversos armazéns e entrepostos espalhados pela região.

O momento mais delicado envolvendo a Policia Federal e a população, aconteceu na tarde do dia 13. O deputado Paulo Marques, acompanhado da imprensa e alguns populares, ao se dirigir até a entrada do Parque Nacional do Iguaçu para tomar pé da situação, foi recebido com toda reserva pelos policiais. Após receber alguns empurrões dos elementos da PF, o parlamentar fez algumas criticas ao comportamento dos policiais, retrucadas de imediato pelo Delegado da policia federal de Foz do Iguaçu, Mário Correia “Cada país tem a polícia que merece”, fulminou o delegado. A este incidente se seguiu uma marcha liderada pelo Delegado da Policia Federal e seus comandados, os quais passaram entre os agricultores de revolveres e metralhadoras em punho.

O governador do estado, João Elísio Ferraz de Campos nomeou uma Comissão, a qual reúne defensores da Estrada do Colono (entre eles o Prefeito Adolpho Mariano da Costa) e pessoas contrarias ao asfaltamento do parque nacional do Iguaçu, a  maioria deles ecologistas, os quais em nenhum momento se prontificaram em conhecer de perto o local. Esta Comissão realizara sua primeira reunião dia 16 PP em Curitiba, uma vez que é responsável pela formulação de um parecer favorável ou não ao asfaltamento da Estrada do Colono, no trecho de 17,6 quilômetros do Parque Nacional do Iguaçu. Enquanto isso, as obras da PRT 163 estão quase que paralisadas, tendo em vista que a camada asfáltica já tinge as imediações da reserva florestal. O leito da rodovia foi coberto de frases de repudio à intransigência do IBDF. Eis algumas delas “Cuidado; Perigo, o IBDF passou por aqui – Tantos anos de espera, Valem uma Guerra; Fora IBDF; Não existe diálogo com violência”, entre outras.

Estado de emergência

Foram as seguintes justificativas apresentadas pelos vereadores de Medianeira, as quais culminaram na decretação do Estado de Emergência no município: “Considerado que a Estrada do Colono, no parque Nacional do Iguaçu, foi interditada administrativamente, segundo informações, por ato do IBDF – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, em decorrência de eventual feito judicial, emanado da Justiça Federal;”.

“Considerando que a referida Estrada do Clono, dita PRT 163, atravessa o município de Medianeira, altura do Parque Nacional do Iguaçu, Estrada essa cuja existência data, segundos dados do DER – Departamento de Estradas de Rodagem, mais de 60 anos e que faz parte de uma estrada transbrasiliana, que liga os Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, até a fronteira do Suriname;”

“Considerando que a referida estrada foi o caminho natural dos primeiro colonizadores do oeste e sudoeste do Paraná, vindos dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul;”

“Considerando que nem na câmara municipal e nem o executivo receberam qualquer forma em direito permitido, como notificação, citação ou intimação pelos meios regulares;”

“Considerando que a referida interdição ocorreu na madrugada do dia 12 de setembro do ocorrente, por elementos da policia federal passando a operar em área inclusive fora da jurisdição do IBDF, sendo que atingiram locais do distrito de Jardinópolis, especialmente a sede da Comunidade da Divisa do Parque, que dista aquém do Parque Nacional, mais de um Km;”

“Considerando tratar-se de uma população pacifica, ordeira, laboriosa, sempre voltada ao trabalho e ao bem estar da comunidade;”

“Considerando que alguns agricultores foram ameaçados, individual e pessoalmente, por elementos da policia federal, bem como um grande numero de agricultores foram intimidados por policiais que demonstraram notório despreparo e incompetência, com termos pejorativos, inclusive sacando armas dos mais variados tipos;”

“Considerando que tal tipo de agressão que a população brasileira julgava extinto, configura claramente abuso de poder; e”

“Considerando finalmente, que atitudes constituem uma verdadeira intervenção branca no município de Medianeira, ferindo relevantes direitos e interesses assegurados por Lei à população acreditamos ser pertinente o presente requerimento, para preservar a paz e tranquilidade publica e preservar eventuais danos de difícil reparação ao interesse publico, aos cidadãos e ao bem comum.”

Medianeira está de luto fechado

Grande parte do sentimento de indignação e revolta que tomou conta da população de Medianeira após a policia federal ter interditado a estrada do colono (PRT 163) na altura do Parque nacional do Iguaçu – atendendo à liminar do Juiz Federal, Milton Luiz Pereira, em resposta ao processo requerido pelo IBDF – esteve representando em tarjas que homens, mulheres e crianças traziam presas ao peito no ultimo dia 15, em mais uma concentração realizada na localidade da divisa do parque, distrito de Jardinópolis, a um quilômetro de distancia da barreira montada pelos policiais. O clima é de luto e, através do silencio, a comunidade se organiza e mantem o movimento às custas de muito esforço e paciência. Que pode se esgotar a qualquer momento.

Foi com passos firmes e decididos que centenas de pessoas, aproveitando o intervalo entre uma enxurrada e outras dirigiram-se até o local do bloqueio no dia 15 à tarde, suspendendo a passeata a cem metros do Parque Nacional, onde estão montando guarda elementos da policia federal. Esta breve visita surgiu de improviso, uma vez que o culto ecumênico atrasou em duas horas, com o corte de energia elétrica no salão da comunidade. Nem mesmo as fortes chuvas que caíram sobre o município e toda a região dia 15 PP impediram a continuidade do movimento, o qual agora conta com outro importante aliado: e trata-se da operação tartaruga, onde o comercio e a indústria de Medianeira estão liberando todo dia cerca de 20 a 50 por cento dos seus funcionários para engrossar a manifestação nas proximidades do parque nacional do Iguaçu, sustentada a maior parte do tempo por agricultores de Flor da Serra e Jardinópolis.

Terminado o culto ecumênico – o prefeito Adolpho Mariano da Costa tem liderado todas as solenidades – vereadores voltaram a se reunir em caráter extraordinário no próprio local da celebração da missa (algo inédito) a exemplo do que fizeram no sábado, dia 13, quando elaboraram requerimento depois enviado ao chefe do executivo, solicitando a decretação do estado de emergência no município.

Durante a sessão extraordinária, os vereadores acusavam o recebimento de um telex vindo do deputado Paulo Marques, no qual o parlamentar comunicava ter enviado telex ao presidente Jose Sarney, deputado Ulysses Guimarães; Ministro da agricultura, Íris Rezende; da justiça, Paulo Brossar, denunciando a violência praticada pela policia federal contra a comunidade próxima ao local.

Um total de três requerimentos, apresentados na ocasião, foram aprovados por unanimidade pelos oito vereadores requerem as autoridades a liberação imediata do parque nacional do iguaçu, trecho da PRT 163. Entre as inúmeras justificativas apresentadas pelos edis, eles destacam o fato de que a estrada existe há mais de 600 anos segundo informações do DER.

O segundo requerimento, refere-se ao envio de expedientes ao presidente José Sarney, aos ministros; da agricultura; dos transportes, do desenvolvimento urbano e meio ambiente (Deni Schwartz é favorável ao asfaltamento da rodovia) e presidente do IBDF, solicitando a liberação do Parque nacional do Iguaçu. Já o terceiro requerimento diz respeito à solicitação de uma carta de apoio aos prefeitos e Câmaras  Municipais do oeste e sudoeste paranaense, para liberação da PRT 163. Outro requerimento aprovado, foi apresentado verbalmente pelo vereador José Arlindo Sehn, que solicitou que dia 15 de setembro ficasse registrado como histórico, ou seja, nesta data – pelo menos nos próximos dois anos – fosse realizada uma reunião solene e festiva.

A Polícia Federal com as armas em punho impede qualquer tráfego

Agricultores ameaçados pela policia federal

Ao se reunirem em frente ao pavilhão da comunidade da Divisa do parque, distrito de Jardinópolis, distante já cerca de um quilômetro do parque, distrito de Jardinópolis, distante já cerca de um quilômetro do parque nacional do Iguaçu, onde a policia federal mantém interditada a estrada do Colono; para tomar um chimarrão, na manha dia 16, os agricultores jamais poderiam imaginar que seriam pegos de surpresa com o ultimato dado por dois elementos da policia federal de Foz do Iguaçu: “Dou cinco minutos para vocês liberarem o local”, ameaçou um dos policiais, sob o olhar incrédulo do agricultor Aluísio Sehn. A intenção da policia era afzer passar para o parque. Nacional a camioneta preta, F1000, placa AF 6878 de Porto Alegre. O veiculo foi liberado assim que chegou ao local o prefeito Adolpho Mariano da Costa e o Secretario da Fazenda, Rubi Brockmann.

Momentos após o incidente, o agricultor Aluísio Sehn, nervoso e amparado em duas muletas – falta-lhe uma das pernas – desabafou toda a sua indignação “Assim não dá. Uma hora dessas chega esse bando de loucos e atira na gente”. A policia federal parece não querer entender a posição dos colonos que lideram o movimento de protesto na área: “Nos temos o direito conquistando de permanecer aqui. A policia tem o dever de ficar lá no parque”, esclareceu Aluíso Sehn.

A exemplo da manifestação realizada dia 15, segunda feira na divisa do parque, dia 16, às 15 horas, foi realizado mais um culto ecumênico, seguindo de uma tribuna livre, quando a palavra esteve aberta aos participantes da manifestação pela liberação do parque nacional do Iguaçu. Às 17 horas, a comissão de Medianeira – formada para organizar o movimento no município, e que inclui representantes de todos os segmentos da comunidade – esteve reunida com lideranças de Capanema, quando foram discutidas novas formas de organização contra o fechamento dos 17,6 quilômetros da estrada do colono, no parque nacional do Iguaçu.

Milhares de pessoas participam dos manifestos públicos

Adolpho: “Se calarmos agora, vamos calar para sempre”.

“Se calarmos agora, vamos calar para sempre”, advertiu o prefeito de Medianeira, Adolpho Mariano da Costa na reunião acontecida na noite do dia 16 na sede da associação comercial e industrial quando participaram diversos membros – são 11 ao todo – da comissão nomeada (formada por Adolpho Mariano da Costa, Irineu Pelissari, Moyses Pistore, Adilar Borghetti, Irineu da Costa Rodrigues, Glaison Caparelli, Décio Winter, Nilson Monteiro, Hermogênio Batista, Gilson Rosa, Erno Muller, José Sehn, Antonio Augusto Grellert e Antonio Monssoni) para organizar as manifestações pela liberação da estrada do colono, trecho de 17,6 quilômetros do parque nacional do Iguaçu; juntamente com lideranças politicas, a maioria vereadores, dos municípios de Capanema e Planalto.

Ao solicitar aos demais prefeitos de região um mínimo de solidariedade, Adolpho ponderou que a estratégia a partir de agora resume – se em tomar conhecida a região, seja na parte jurídica, como do que se refere à mobilização popular. E é exatamente este o quadro que se instalou no município desde a interdição da rodovia na altura do parque nacional: enquanto milhares de pessoas fazem concentrações diárias e na localidade de divisa do parque, distante cerca de um quilometro da barreira montada pela policia federal, as autoridades engrossam sua munição legal, na esperança de revogar ‘a liminar concedida ao IBDF pelo juiz federal, Milton Luiz Pereira.

Neste dia 16, mais de duas mil pessoas estiveram concentradas próximas a área do bloqueio quando, no leito da estrada do colono – já pavimentado – participaram da celebração de um culto ecumênico e, embora a revolta e a indignação aumenta a cada dia que passa, a manifestação foi ordeira e pacifica. A avaliação da intensidade do movimento pode ser detectada pelo grande numero de veículos e maquinas agrícolas posicionadas ao longo da rodovia, numa extensão que superou os dois quilômetros.

Após missa, a população deslocou-se para o pavilhão da comunidade de divisa do parque, onde foi realizada uma tribuna livre. Varias autoridades pronunciaram-se na ocasião. O vereador de Capanema, Claudio Luiz Piva, lembrou que a Estrada do Colono foi o único meio de acesso para a colonização do oeste e sudoeste paranaense. “Sempre tivemos a esperança de vermos esta estrada asfaltada. Agora, com uma simples ‘canetada’, nos tiraram esse sonho. Quero felicitar a classe politica do Paraná pelo esforço, pela dedicação, pelo trabalho”. O vereador de Capanema revelou que o município tem em seu poder uma vasta documentação em favor da pavimentação do Parque Nacional do Iguaçu, documentos estes, coletados em todo o oeste de Santa Catarina e todo o Rio grande do Sul.

Por outro lado, o vereador de Medianeira José Sehn, representante do Distrito de Jardinópolis, assegurou que a luta continua “apesar da chuva e das ameaças da policia federal. Em plena década de 80 a ditadura branca continua”. Outro que se manifestou na oportunidade foi o vereador de planalto, Adilar Parzianello, o qual se mostrou solidário ao movimento de Medianeira e Capanema acrescentando que a “estrada do Colono acabou por se transformar na Estrada da Vergonha”, “Vamos com calma que nos venceremos”.

De outra forma, para o deputado Paulo Marqueis, dois tipos de violência foram cometidos contra a população dos municípios afetados pela interdição do parque nacional do Iguaçu. Na opinião do parlamentar, o primeiro tipo de violência ficou configurado pelo fato de a justiça federal “ter acabado com o sonho de todos nos – a pavimentação dos 17,6 quilômetros da rodovia” Em segundo lugar, o deputado citou a violência praticada pela policia federal, “ofendendo e ameaçando os colonos desta região”. De acordo com Paulo Marqueis, estes atos violentos são frutos dos 21 anos de arbítrio por que passou a nação brasileira. O parlamentar é favorável á reestruturação completa do IBDF, para evitar que se repitam as atitudes incompreensíveis por parte do instituto.

Ivanir Ferronato, vereador de Capanema, analisou da seguinte forma a situação no município: “não esta fácil segurar o nosso povo lá. Vamos cerrar fileiras. Enquanto não sair o asfalto nós não vamos arredar o pé. Não vamos desanimar”. Adolpho Mariano da Costa lamentou a posição assumida pelo juiz federal Milton Luiz Pereira, uma vez que o magistrado, ao conceder a liminar, não ponderou que a estrada do Colono segundo o DER, tem 63 anos de existência, mais os prejuízos sofridos, com a interdição, por um total de 53 linhas de ônibus – regionais, nacionais e internacionais – que se utilizavam do trajeto – cumprindo um itinerário que se estende por cerca de 4000 quilômetros, ou seja, do Rio Grande do Sul até a Fronteira com o Suriname.

O povo clamando a reabertura e asfaltamento da estrada do Parque
A Comissão pró-reabertura da Estrada sempre atenta

É um absurdo o fechamento da estrada do colono

“É um absurdo o fechamento da Estrada do Colono. Esta atitude partiu de pessoas que nem sequer sabem onde fica o parque nacional do Iguaçu. É fácil ser conta esta rodovia, para quem fica lá em Curitiba, tomando seu chazinho às três da tarde. É mais fácil ainda ser contrario a construção de estrada, sentado nos gabinetes. Fico tão revoltado com tudo isso que posso acabar dizendo bobagem”. O desabafo é do secretario do estado dos transportes, Heinz Georg Hervig, que esteve em Medianeira recentemente, acompanhado de técnicos do DER e assessores daquela secretaria, para vistoriar as obras da estrada do colono – PRT 163 – ligando os municípios de Medianeira e Capanema,  bem como o trecho que liga Medianeira e Missal. Ao meio dia, o secretario dos transportes participou de um almoço no CTG Sentinela dos Pampas ao lado do Prefeito Adolpho Mariano da Costa, alguns secretários da municipalidade e dos gerentes da CBPO – Companhia Brasileira de projetos e obras – e da J. Malucelli, as executadoras de ambas as rodovias.

“Vamos aguardar o parecer”, afirmou Heinz Georg Hervig, referindo-se ao pedido de cassação da liminar concedida ao IBDF pelo juiz da 1° Vara Federal, Milton Luiz Pereira, a qual culminou na interdição dos 17,6 quilômetros do parque nacional do Iguaçu, pela policia federal. O pedido de sustação de liminar encontra-se em tramitação tribunal superior de recursos, em Brasília sendo que o resultado vem sento aguardado com ansiedade pela população de Medianeira e Capanema.

Sessão Extraordinária, a Câmara Municipal realizou na Divisa do Parque

Ao comentar que o “Governo do estado agiu porque se sentiu ofendido”, o secretario dos transportes avaliou que o “papel do prefeito Adolpho foi fundamental, uma vez que o governo só trabalha sob pressão. O principal agora é se unir”. No seu entender, a obrigação da secretaria dos transportes é construir a estrada. Heinz Hervih não acredita que haja interesses políticos por trás da interdição do parque nacional: “Não vejo quem possa ganhar politicamente com isso”. Ele garantiu inclusive que a posição contraria ao asfaltamento, manifestada por Suzana Munhoz da Rocha Guimarães, foi um episodio anterior a sua posse na secretaria da cultura e esporte.

O secretario do transporte confessou estar sendo pressionado pelos proprietários de empresas de ônibus que transitavam pelo parque – são 53 linhas, entre regionais, nacionais e internacionais – os quais estão exigindo uma majoração nas tarifas, já que são obrigadas a aumentarem o percurso em mais de 200 quilômetros, dando a volta por Santa Tereza, próximo à Cascavel. Neste contexto, Heinz Georg Hervig admitiu que o fechamento da estrada do colono chega a ser uma medida contraria ao plano cruzado.

Secretário dos Transportes veio se solidarizar com o Prefeito e comunidade

CARTA ABERTA À NAÇÃO

Fac-símile da reportagem de 24 de setembro de 1986
Fac-símile da reportagem de 24 de setembro de 1986
Fac-símile da reportagem de 24 de setembro de 1986
Fac-símile da reportagem de 24 de setembro de 1986

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