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Café Analítico

“O nome dela é Jennifer”

Foi como um rastro de pólvora. De uma hora para outra, uma música grudou na cabeça das pessoas e até aqueles mais resistentes, em determinado momento, viram-se cantarolando: “O nome dela é Jennifer, eu conheci ela no Tinder!” E a música viralizou. Mas, você já se perguntou sobre o que faz uma música não sair das nossas cabeças?

Não é de hoje que estudiosos da psicologia investigam este fenômeno. Jung foi um deles e sobre o assunto escreveu: “É certo que a música, bem como o drama tem a ver com o inconsciente coletivo […]. De certa forma, a música expressa o movimento dos sentimentos que acompanham os processos inconscientes. A música expressa em sons o que as fantasias e visões exprimem em imagens visuais”.

Então, se a música representa algo familiar no nível da fantasia, ela pode, sim, viralizar. No caso da música citada, além de fácil e repetitiva, a letra remete a algo que hoje é comum, que é a busca de um relacionamento através das redes sociais. Milhares de pessoas recorrem às ferramentas virtuais na tentativa de pôr fim à solidão. Então, vem a música de encontro ao que milhares de pessoas desejam: encontrar alguém bacana nas redes sociais.

E essa identificação independe se a música é boa ou não, se gostamos ou não do estilo musical. Ela vai contagiar nosso cérebro e vamos nos ver cantarolando o refrão várias vezes ao dia.

De acordo com o neurologista Oliver Sacks, músicas que têm forte ligação emocional com quem a ouve, são difíceis de serem esquecidas. E se elas tiverem letra curta, forem de fácil compreensão e repetitivas, aí já era. Prepare-se para passar dias com a música na cabeça.

Assim, na era das relações virtuais, uma música que aborde o tema, vai de encontro ao inconsciente coletivo e viraliza. Como uma antena parabólica, captamos e sintonizamos o mesmo canal e, sem nos darmos conta, nos pegamos cantarolando o mesmo refrão por várias vezes.

“Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música.” Aldous Huxley

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Por: Camyle Hart

Jornalista e Psicóloga (Crp 08/22594)
Atendimento terapêutico (45) 99932-0666

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