DIAGNÓSTICO
Crise de ansiedade ou infarto: como diferenciar?
Segundo o médico cardiologista Dr. Rodrigo França é comum casos de pacientes que procuram o hospital apresentando sintomas sugestivos de infarto, mas, ao chegarem lá, descobrem que se tratava de um problema bem diferente: Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
Texto por Ana Cláudia Valério . Fotos por freepik . 31 de outubro de 2024 . 16:10
Falta de ar, dor no peito, tontura, palpitações são alguns dos sintomas que podem ocorrer durante um infarto do miocárdio, mas que também podem estar presentes durante uma “crise” de ansiedade. “O diagnóstico de infarto, angina ou síndromes coronarianas agudas se baseia em um tripé: características da dor no peito, eletrocardiograma e dosagem de enzimas. Dependendo destes achados e também da probabilidade da pessoa ter doença coronariana (entupimento nos vasos), o médico vai ter diferentes abordagens. Ele vai diferenciar pelo tipo da dor, se ela é sugestiva ou não de uma dor coronariana. Características como fisgada, dor localizada em um ponto apenas, duração de segundos, piora ao palpar a região são sintomas que falam contra se tratar de doença obstrutiva coronária (entupimento). Mas dependendo da chance da pessoa ter a doença, por exemplo, presença de diabetes, hipertensão, colesterol elevado, tabagismo, pode fazer com que o profissional necessite realizar o eletrocardiograma e dosagem de enzimas para ter certeza. O ideal em situações de dor no peito é procurar atendimento médico”, esclarece o médico cardiologista, Dr. Rodrigo França
Segundo ele, chamamos de infarto quando ocorre uma oclusão de um vaso coronariano (do coração) e consequente perda (necrose, morte) de parte do tecido cardíaco. “Normalmente a dor no peito é o sinal principal, mas pode em alguns casos se apresentar apenas como falta de ar, ânsia de vômitos ou até mesmo sem sintomas. Nos casos mais comuns é uma dor em aperto, localizada no peito que pode se espalhar para o braço esquerdo ou direito, pescoço, costas, com duração de minutos a horas”, explica.
Sobre o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), o médico afirma que a ansiedade pode ser definida como preocupação excessiva, que ocorre na maioria dos dias por pelo menos seis meses, além da dificuldade em controlar a preocupação. Normalmente está associada a sensação de inquietação ou nervosismo, cansaço, dificuldade em concentrar-se, irritabilidade, tensão muscular e perturbação do sono. “Esse estresse psicossocial, definido pelo próprio paciente como estresse no trabalho, em casa, problemas financeiros e eventos impactantes na vida da pessoa foi avaliado no estudo InterHeart com mais de 24 mil pessoas em 52 países. Foi constatado que estes achados estão associados ao aumento do risco de infartos”, salienta o cardiologista.
A orientação em qualquer um dos casos é procurar atendimento médico o mais rápido possível, “pois em casos de infarto quanto mais precoce o tratamento, melhores os resultados”, finaliza o Dr. Rodrigo.



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