Caderno Especial Saúde

A essência do cuidar

Saúde, conexão e propósito em tempos de transformação. Como ciência, tecnologia e empatia estão redefinindo o futuro do cuidado humano  

A saúde deixou de ser apenas ausência de doença e se tornou um ato coletivo de cuidado, empatia e inovação. Estamos vivendo a nova era do cuidar: onde tecnologia, ciência, bem-estar emocional e relações humanas se entrelaçam.

Nessa nova era, cresce o valor da empatia, da escuta e do toque. “Entendo que no passado, o médico era considerado um ser detentor da sabedoria, que apenas passava seus conhecimentos quase que em uma via de mão única, e não era questionado. Hoje, com amplo acesso a informação, o paciente vai ao médico esperando troca, e não apenas um parecer técnico. E com o mundo mais virtual e com menor contato físico, se torna valiosa a presença e a atenção do médico às queixas do paciente, em um atendimento humanizado. Eu considero esse um grande diferencial quando atendo e quando sou atendida como paciente também. Todo mundo quer ser tratado com atenção. Eu sempre considero duas variáveis que devem se somar em um profissional médico: capacidade técnica e humanização do atendimento. Procuro dar o mesmo valor e atenção às duas. Não adianta em nada eu ser tecnicamente magnífica, mas não gerar confiança no meu paciente, e nem o enganar, sendo boa no trato, porém sem conhecimento real do assunto”, destaca a médica gastroenterologista, Dra. Renata Mueller.

Ela complementa afirmando que se o médico souber ouvir o paciente, o diagnóstico vai ser alcançado com muito mais facilidade e, consequentemente, o tratamento será mais assertivo. “Isso depende de tempo e atenção, que vai na contramão daquele atendimento mecanizado e que atende ‘volume’. Hoje em dia muitos médicos se escondem atrás de exames que deveriam ser complementares, e a escuta fica perdida. Assim, muitos diagnósticos se perdem”, salienta.

O acesso amplo à informação é outro fator importante, pois o paciente normalmente chega ao consultório com muitas informações e questionamentos. “O médico precisa de humildade e paciência para trocar ideias e elucidar dúvidas, separando as informações úteis dos mitos, que muitas vezes a internet apresenta e que são difíceis de combater. Isso exige que o médico transmita confiança e segurança para o paciente, o que nos faz voltar ao assunto da empatia, atenção e tempo de escuta”, reforça a médica.

Esse olhar mais humano e a troca com o paciente são formas de enxergar o paciente como um todo, unindo a saúde física e mental. “O indivíduo é um só, e não tem como falarmos de saúde física sem saúde mental, e vice-versa. Todo dia falo disso no consultório. Para manter a mente sã, precisamos cultivar a nossa saúde física, nos alimentarmos bem, nos exercitarmos e ter um sono adequado. E o nosso organismo depende da saúde mental em dia para estar bem. Quando falamos de saúde mental, logo vem à mente um ar meio místico, como se fosse outro departamento, quando na verdade estamos falando de neurotransmissores que são ‘reais’ e fazem parte da nossa percepção sensorial. Quando a saúde mental não está bem, a saúde física sofre também. Não dá para separar”, explica a Dra. Renata.

Nesse sentido, é importante ter um novo olhar sobre o propósito da saúde: promover qualidade de vida, autonomia e bem-estar integral. “O futuro do cuidado humano está sendo construído com base em um princípio simples, mas poderoso, a conexão entre pessoas. Cuidar não é apenas intervir, é compreender, acolher e conectar-se”, finaliza a médica gastroenterologista.

A medicina avança em ritmo acelerado, impulsionada pela tecnologia e pela ciência de ponta, mas também redescobre algo essencial: a importância do humano no cuidado

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