EXERCÍCIOS
Nem toda dor pede pausa: o movimento também é cura
Texto por Ana Cláudia Valério . Fotos por Ana Cláudia Valério . 31 de outubro de 2025 . 14:46
A dor é uma das principais justificativas para evitar exercícios. Mas como diferenciar a dor “normal”, do esforço físico, daquela que realmente indica um problema? Segundo o Personal Trainer Especialista em Inteligência Emocional, Alexandre Aparecido, a dor “normal” é aquela do esforço físico e da adaptação muscular. Surge entre 12h e 48h após o treino, tem sensação de “peso” ou rigidez, melhora com o movimento e desaparece em até 72h. Já a dor que indica problema, aparece durante o exercício ou logo após, tende a piorar com o movimento, é localizada (articular, tendínea ou irradiada) e pode vir acompanhada de inchaço ou limitação de movimento. “A dor muscular leve e difusa equivale a esforço e adaptação. Já a dor aguda, articular e persistente é um sinal de alerta”, afirma.
De acordo com ele, existem alguns erros comuns no treino que levam as pessoas a sentirem dor, além do sedentarismo. “A falta de movimento reduz a força muscular, a instabilidade articular e a mobilidade, fora outras complicações que podem ocorrer com a saúde. Isso gera tensões compensatórias, posturas incorretas e até dores crônicas. Durante o treino, devemos evitar exageros na carga ou volume sem adaptação progressiva, técnica incorreta de execução, falta de aquecimento e mobilidade articular, treinar sem respeitar tempo de recuperação e ignorar dores pré-existentes ou limitações ortopédicas”, destaca.
Alexandre complementa que o movimento é o melhor remédio. Ou seja, a atividade física, quando bem orientada, pode ajudar no controle ou até na redução da dor, pois melhora a circulação e reduz inflamações; fortalece músculos estabilizadores, protegendo articulações; aumenta a liberação de endorfinas, que têm efeito analgésico natural; reeduca o corpo para se movimentar com eficiência e segurança; e reduz tensões emocionais, muitas vezes associadas à dor crônica.
O professor ressalta ainda que a dor física é real, mas muitas vezes a forma como a pessoa interpreta a dor é o que a limita. “O medo de sentir dor novamente, experiências negativas passadas, falta de autoconfiança ou alguma lesão durante o treino fazem o corpo ‘reagir’ com tensão e evitação. Essa resposta é emocional e pode transformar um desconforto leve em um bloqueio mental. Mente e corpo trabalham juntos, aprender a reconhecer o que é desconforto saudável, é parte do processo de evolução física e emocional. O profissional de educação física é responsável por controlar isso”, esclarece.
Esse controle acontece, pois o profissional da área é o “tradutor” entre dor e movimento. “Ele deve saber identificar o tipo de dor e ajustar o treino de forma segura, respeitar os limites, mas também incentivar o progresso gradual, ensinar o aluno a distinguir dor de desconforto e promover uma relação de confiança e escuta ativa, reduzindo o medo. O objetivo não é ‘não sentir nada’, mas sentir o corpo com consciência, mover o que precisa ser movido”, reforça.
Para atingir este objetivo, existem várias estratégias elencadas por Alexandre. Ele afirma que um profissional com experiência em saúde física e mental pode criar o ambiente ideal para atender com maestria essas pessoas. “Treinos de baixo impacto é uma das estratégias: pilates, treinamento funcional controlado, hidroginástica (cuidar com os movimentos), caminhada orientada (local, terreno, velocidade, calçado), musculação com orientação, treinamento resistido, trabalhar mobilidade, concentrar na respiração, controle postural dentro da disponibilidade do cliente/aluno, além de progressão lenta, individualizada e controlada trabalho integrado com fisioterapeuta (quando necessário). E o mais importante: o treinamento mental adaptado ao treinamento físico, buscando explorar o melhor do cliente/aluno”, finaliza.




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