OTORRINOLARINGOLOGIA
Nem toda tontura e vertigem é labirintite
Um quadro aflitivo em que há tontura giratória, geralmente acompanhada de náusea e vômito. Em alguns casos, pressão ou barulho no ouvido, uma espécie de zumbido. Esses são os principais sinais de que a pessoa pode estar com labirintite.
Texto por Tanner/ ASSESSORIA . Fotos por Tanner . 29 de outubro de 2020 . 14:20

A labirintite é um termo comumente usado para designar um problema que causa falta de equilíbrio, tontura quanto à audição, porque afeta o labirinto – estrutura da orelha interna constituída pela cóclea (responsável pela audição) e pelo vestíbulo e canais semicirculares (responsáveis pelo equilíbrio).
Dentre os fatores de risco para a pessoa ter labirintite, estão processos inflamatórios, infecciosos e tumorais, doenças neurológicas, compressões e alterações genéticas podem provocar crises de labirintopatias e vestibulopatias.
O médico otorrinolaringologista Dr. Maurício Garcia pontuou que os principais sintomas são tonturas e vertigens. “Na vertigem rotatória clássica, a sensação é que o ambiente gira ao redor do corpo, ou que este roda em relação ao ambiente. Na tontura, a sensação é de desequilíbrio, instabilidade, de pisar no vazio, de queda. Na fase aguda da doença, ela pode durar de minutos a dias; e está associada ou não a náuseas, vômitos, sudorese, alterações gastrointestinais, perda de audição ou audição diminuída e zumbido”, descreveu.
A labirintite se manifesta, em geral, depois dos 40 ou 50 anos, decorrente de alterações metabólicas e vestibulares. Níveis aumentados de colesterol, triglicérides e ácido úrico podem acarretar alterações dentro das artérias que reduzem a quantidade de sangue circulando em áreas do cérebro e do labirinto. “E os fatores de risco que podem influenciar nessa doença são a idade, hipoglicemia, diabetes, hipertensão, otites (dores no ouvido), álcool, fumo, café, alguns antibióticos e anti-inflamatórios; estresse e ansiedade”, descreveu Dr. Maurício Garcia.
Avaliação clínica, exame otoneurológico completo, tomografia computadorizada e ressonância magnética são muito importantes para estabelecer o diagnóstico da doença, especialmente o diagnóstico diferencial. “Algumas enfermidades podem provocar sintomas bastante parecidos, entre elas hipoglicemia, diabetes, hipertensão, reumatismos, síndrome de Mèniére, esclerose múltipla, tumores no nervo auditivo, no cerebelo e em áreas do tronco cerebral, drogas ototóxicas, doenças imunológicas e a cinetose, também chamada de doença do movimento”, acrescentou o otorrinolaringologista.
São vários os tipos de medicamentos que podem ser indicados no tratamento da labirintite, conforme informou o médico. “Vasodilatadores facilitam a circulação sanguínea e melhoram o calibre dos vasos, muitas vezes reduzido por placas de gordura (ateromas); labirinto-supressores suprimem a tontura agindo no sistema nervoso, anticonvulsivantes e antidepressivos (inibidores seletivos de recaptação da serotonina), drogas que atuam sobre outros sintomas, suprimindo a náusea, o vômito e o mal-estar”.
O médico ainda fez algumas recomendações fundamentais para prevenir crises de labirintite. “Evite ingerir álcool. Se beber, faça-o com muita moderação; não fume, controle os níveis de colesterol, triglicérides e a glicemia; opte por uma dieta saudável que ajude a manter o peso adequado e equilibrado, não deixe grandes intervalos entre uma refeição e outra, pratique atividade física, ingira bastante líquido, não consuma bebidas gaseificadas que contêm quinino (como água tônica); procure administrar, da melhor forma possível, as crises de ansiedade e o estresse. E o mais importante: não dirija durante as crises ou sob o efeito de remédios para tratamento da labirintite”, concluiu Dr. Maurício.


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