A sombra
Sabe aquilo que condenamos no outro? É muito provável que faça parte da nossa porção sombra. Condenar é diferente de não gostar de algo. Eu posso não querer algo para a minha vida, mas devo aceitar que faça parte da vida e das escolhas do outro. Uma coisa é não gostar de tatuagens, por exemplo, mas outra é condenar quem as tenha. E tudo o que condenamos, sinto em dizer, faz parte de nós também. São justamente as coisas que não aceitamos de maneira alguma na personalidade que, possivelmente, façam parte da nossa sombra.
Por Camyle Hart . 8 de setembro de 2022 . 11:04
A sombra é um conceito trazido por Carl Jung, e diz respeito ao lado sombrio da nossa personalidade, a tudo aquilo que guardamos bem lá no fundo de nós mesmos e não mostramos a ninguém. Muitas vezes, nem a nós mesmos. É tudo o que há de mais obscuro na psiquê.
Todos temos a porção sombra, até os seres mais iluminados tem a sua e, geralmente, ela é tão imensa quanto a parte de “luz”. Como próprio Jung dizia: “Qualquer árvore que queira tocar os céus, precisa ter raízes tão profundas a ponto de tocar os infernos”.
A sombra é tudo o que reprimimos em nós mesmos: traumas que vivemos e guardamos no fundo do baú; segredos que não contamos para ninguém; as coisas que rejeitamos na nossa personalidade e não permitimos ser.
Portanto, vamos pensar nas coisas que condenamos veementemente, porque isso provavelmente faz parte da nossa sombra. A mentira é um exemplo do nosso aspecto sombrio. Todos nós mentimos em algum momento da vida e isso faz parte do humano. A mentira é tudo o que não queremos trazer à luz, seja para não decepcionar, não desfazer uma máscara social.
A sombra não é algo que podemos eliminar totalmente por ser algo inato ao ser, mas, podemos diminuir seus efeitos nocivos em nossa vida. Mas como? Trazendo as nossas sombras à luz. Admitindo que elas existem, abraçando-as e conversando com elas. Ou seja, tornar consciente os nossos aspectos sombrios e não os reprimir.
Todos temos desejos proibidos, segredos que não são contados a ninguém, traumas vividos ou emoções profundas e, para dissolver tudo isso é preciso fazer as pazes com a nossa sombra.
Nos conhecendo mais, entendendo e aceitando as nossas sombras, nos tornamos mais íntegros, mais inteiros e, assim, mais felizes. Nos amarmos de forma inteira, completa, com todas as qualidades e defeitos, sem julgamentos, nos torna mais saudáveis emocionalmente.



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