C

Café Analítico

Só uma olhadinha

PUBLICIDADE

Anuncie - Naves

É uma tentação. Atire a primeira pedra quem nunca deu aquela olhadinha no perfil de alguém por quem se tem curiosidade no Facebook. Sim, nós olhamos. E penso que a ferramenta foi feita justamente para isso: expor-se. Porém, em alguns casos, visualizar o perfil de outras pessoas pode gerar angústia, ansiedade e sofrimento desnecessário.

Você abre o perfil de alguém e ali estão fotos das viagens, passeios divertidos, ‘selfies’ sorridentes, aquela pose feita na frente do espelho da academia mostrando o corpo sarado e pensa: “minha vida não tem graça, sou infeliz, não sirvo pra nada, estou gordo e feio”. E, na verdade, tudo isso é uma grande ilusão. Ninguém é feliz, lindo e sorridente o tempo todo. O que acontece é que as pessoas postam fotos quando vivenciam estes momentos ou até mesmo forçam situações.

Se for observar o seu próprio perfil, verá que também tende a postar fotos quando está bem, divertindo-se com amigos ou em passeios especiais. O problema é que as pessoas têm o impulso de olhar e avaliar a vida dos outros e não a própria. E isso é um passo para a insatisfação e tristeza. Passamos a nos comparar com os outros e esquecemos que cada um tem seus problemas e frustrações – uns mais, outros menos – então para quê se comparar?

Outra situação muito comum é em fins de relacionamento. Os parceiros não conseguem controlar a vontade de dar aquela olhadinha no perfil do ex para saber aonde foi, com quem está saindo, se já partiu para outra. Para isso, o Facebook é uma ótima ferramenta, porém, em contrapartida, a pessoa não percebe o sofrimento emocional que isto causa. Isso porque além de visualizar, ela irá criar uma série de afirmações na cabeça, sendo que a maioria é imaginária, não está acontecendo de verdade: “Se já está postando fotos com as amigas é porque já me esqueceu!”; “Adicionou esta pessoa… hummm sabia que eles tinham alguma coisa!”; “Curtiu a foto de fulano… já partiu para outra!”… e por aí vai… a imaginação vai longe, ainda mais sendo alimentada por tanta fartura oferecida pela rede social.

Estudos mais recentes comprovam que sim, o Facebook pode levar uma pessoa à depressão por conta da comparação social. Ficar muito tempo visualizando perfis e a linha do tempo acaba dando a impressão, para quem visualiza, de que se está socialmente superado pelos outros. Mas, o que a maioria mostra em seu perfil é como gostaria de ser e não a vida real. Grande parte dos usuários não é popular e feliz como mostra na rede, mas desejaria. Isso significa que o Facebook é uma projeção do que gostaríamos de ser. Assim, hoje, ao conhecer uma pessoa temos dois caminhos distintos, mas entrelaçados: o ‘eu online’ e o ‘eu offline’.

Tiramos vinte fotos, editamos meia dúzia e gostamos de uma. Esta, então, publicamos nas redes sociais… aí está a realidade.

PUBLICIDADE

Anuncie - Naves

LEIA NOSSAS COLUNAS


Strict Standards: Only variables should be passed by reference in /home/mensageiro/public_html/wp-content/themes/jornalmensageiro/single.php on line 128

Café Analítico

Por: Camyle Hart

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 1999, atuando por 15 anos na área, em diversos veículos de comunicação do Paraná. Pós-graduada em Comunicação e Mercado na Era Digital.
Formada em Psicologia pela Faculdade Anglo Americano – Foz do Iguaçu, especializando-se em psicologia Junguiana. Atualmente, mantém uma coluna sobre saúde mental nos jornais Nossa Folha e O Mensageiro, ambos de Medianeira. Mantém um blog sobre temas da psicologia e atua como psicoterapeura, no contexto ‘home care’(domiciliar) e online.

Comentários