Violência contra a mulher
Por Camyle Hart . 14 de março de 2019 . 15:09
Nas últimas semanas, casos de violência contra a mulher impressionaram pelo nível de crueldade e levantaram a importância de falar sobre o tema e lutar contra estes crimes. Vou citar dois deles:
No primeiro caso, após oito meses de conversas pela internet, Elaine, 55 anos, resolveu conhecer pessoalmente o rapaz com quem conversava. Convidou-o para ir ao seu apartamento, adormeceu e acordou sendo espancada. Após gritar muito por socorro, foi ajudada pelo porteiro do prédio. Elaine teve traumatismos no rosto e pelo corpo e terá que fazer cirurgias de reparação.
No segundo caso, vimos o caso de Eva, uma adolescente que após seis anos de abusos cometidos pelo padrasto, conseguiu pedir ajuda por uma rede social. A história foi tão cruel, que o padrasto a impedia de ter amigos e até fazia faculdade com ela, para que Eva não pudesse buscar ajuda. Aos doze anos, Eva foi até uma delegacia especializada para denunciar, mas não a levaram a sério. Hoje, ao tentar sobreviver ao trauma, Eva quer ajudar outras meninas que passam por situações de abuso.
Em ambas situações, vemos o tamanho do problema quando, além das histórias, nos deparamos com milhares de comentários acusando e culpando as vítimas: “Quem manda levar desconhecido para dentro de casa!”; “Estava sendo abusada há seis anos e não denunciou!”; “Provoca e depois dá nisso!”.
Uma em cada quatro mulheres sofreu violência nos últimos oito meses. O medo do agressor, o terror psicológico, a dependência financeira e a insegurança em relação aos mecanismos de defesa do Estado impedem que estas mulheres denunciem e 90% dos municípios não tem uma Delegacia especializada. Assim, o Brasil está entre os países que mais comete assassinatos de mulheres, o feminicídio. Uma realidade que precisamos olhar de frente para poder, a partir de então, mudar.
O Brasil é o 5º país do mundo em mortes violentas contra a mulher, perdendo apenas para países como El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia. Em comparação com países desenvolvidos, aqui se mata 48 vezes mais mulheres que o Reino Unido, 24 vezes mais que a Dinamarca e 16 vezes mais que o Japão.
“A mulher é violentada toda vez que algo lhe é imposto. É violada em sua individualidade e sua dignidade uma vez que perde o poder de decisão sobre seu corpo.” Mary Scabora, psicóloga clínica.


Comentários