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FIBROMIALGIA

Em 2026, síndrome passa a ser reconhecida como deficiência para efeitos legais no Brasil

Falar sobre fibromialgia ainda é necessário. Apesar de atingir milhões de pessoas, a síndrome continua cercada de estigmas e preconceitos, especialmente por ser mais associada às mulheres

Segundo estudos, a fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dor generalizada, fadiga intensa, distúrbios do sono e alterações cognitivas, como dificuldades de memória e concentração. Trata-se de uma disfunção no processamento da dor pelo sistema nervoso central. Ou seja, não provoca inflamações ou lesões estruturais visíveis em exames, o que muitas vezes contribui para a incompreensão sobre a doença.
Embora não tenha cura, o tratamento multidisciplinar, que inclui acompanhamento médico, uso de medicamentos, atividades físicas orientadas e terapias complementares, pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

RECONHECIMENTO LEGAL – Um avanço importante aconteceu com a Lei nº 15.176/2025, em vigor desde janeiro de 2026, que reconhece a fibromialgia como deficiência para efeitos legais no Brasil. A medida permite que pessoas diagnosticadas tenham acesso a direitos garantidos às Pessoas com Deficiência (PcD), mediante avaliação biopsicossocial. Entre os direitos previstos estão prioridade no atendimento, possíveis isenções fiscais e maior proteção social. A legislação representa um passo importante no reconhecimento da condição e na busca por mais dignidade aos pacientes.

Para entender melhor os desafios enfrentados por quem convive com a síndrome, conversamos com o medianeirense Neilor José de Cezaro, portador de fibromalgia. Neilor tem 57 anos, é casado com Adriana Hanzen de Cezaro, pai de dois filhos e avô de dois netos. Ele nasceu em Medianeira e atua como educador social no CRAS de Serranópolis do Iguaçu. No momento, cursa sua segunda graduação.

Segundo ele, os primeiros sintomas surgiram em 2013. O diagnóstico veio apenas em 2016, após dezenas de exames e a avaliação de um médico reumatologista, especialista responsável por identificar a doença. “O sono não é reparador. Nas primeiras horas da manhã parece que estou pisando em agulhas. Quem tem fibromialgia sente dor 24 horas por dia. No meu caso, numa escala de zero a dez, a dor normalmente é seis. Em dias de crise, chega a oito ou nove”.

Segundo ele, as dores afetam músculos e articulações, limitando tarefas simples do cotidiano. “Em dias de crise, não consigo levantar os braços para lavar o cabelo, me vestir ou lavar os pés. Minha esposa é quem me ajuda”. Neilor compara a sensação àquela que antecede uma gripe forte: “Sabe aquele dia antes de uma gripe forte, quando o corpo todo dói? Assim são os dias normais de quem tem fibromialgia”, declara.

De forma simples, ele explica que a doença altera a forma como o cérebro interpreta os estímulos. “O cérebro entende tudo de forma superdimensionada. Às vezes evito abraços ou apertos de mão porque sei que vai doer. Um pequeno toque pode gerar uma dor muito forte. Não existem exames laboratoriais específicos que detectem a fibromialgia, e os tratamentos disponíveis são paliativos. Medicamentos, hidroterapia e caminhadas leves ajudam no controle dos sintomas, mas não eliminam a dor”.

Os dias mais difíceis, segundo Neilor, são desencadeados por fatores como calor, frio, estresse, luz intensa e barulho. “Um ambiente barulhento, como show ou baile, para mim é terrível”.

A fibromialgia afeta entre 2% e 3% da população mundial. Estima-se que, a cada dez pacientes, oito sejam mulheres. “O que buscamos é respeito. Se você não acredita na minha dor, não critique, não diga que é frescura. A dor é real”, alerta Neilor.

Além das dores físicas, a síndrome impacta significativamente a saúde emocional. Neilor faz acompanhamento com reumatologista, psiquiatra e psicólogo. “O que aumenta as crises são vários fatores, principalmente o estresse. O que faço para amenizar é tentar fugir dele. Muitas vezes, preciso me recolher em casa”.

Para finalizar ele destaca a importância do reconhecimento legal da condição: “Minha mensagem é de esperança. A lei que entrou em vigor neste ano é um avanço na garantia de direitos. A grande maioria dos medicamentos não é fornecida pelo SUS, e os gastos são altos. Esse reconhecimento é fundamental”, comemora.

A fibromialgia pode ser invisível aos olhos, mas é real para quem convive diariamente com a dor. Informação, empatia e respeito continuam sendo ferramentas essenciais no combate ao preconceito e na promoção de qualidade de vida para milhares de brasileiros.

Medianeirense Neilor José de Cezaro conta como é ser portador de fibromalgia

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