ITAIPU PARQUETEC
Desafios, mudança de nome e foco no futuro
O diretor superintendente do Itaipu Parquetec, Irineu Mario Colombo, em entrevista exclusiva ao Jornal Mensageiro, fez um balanço do trabalho em três anos à frente da Instituição
Texto por Ana Cláudia Valério . Fotos por divulgação . 5 de fevereiro de 2026 . 15:02
Irineu Mario Colombo, assumiu o cargo de diretor superintendente, em 31 de março de 2023, com o objetivo de reestruturar o Itaipu Parquetec para ter abrangência nacional, aumentar a sustentabilidade financeira da Fundação Parque Tecnológico Itaipu e produzir mais bens econômicos na fronteira da inovação. “Esta era uma orientação do Diretor-Geral da Itaipu, Ênio Verri, que segue uma diretriz do Presidente Lula. O primeiro passo foi a elaboração do Planejamento Estratégico, que incluiu a definição de uma nova missão para o Itaipu Parquetec: transformar conhecimento e inovação em bem-estar social”, destacou Colombo.
Segundo ele, o bem-estar social é alcançado por meio da geração de novas empresas, conhecimentos tecnológicos, aplicações e soluções, transformando o conhecimento universitário em startups, produtos, processos e metodologias, que atendam à sociedade brasileira (empresários, setor público e pessoas em situação de vulnerabilidade). “Nós ampliamos a oferta de bem-estar social, com foco, por exemplo, na área de segurança. Temos convênio com a Polícia Rodoviária Federal para monitoramento de câmeras de controle de velocidade do trânsito. Desenvolvemos e fornecemos tecnologias (Projeto Áspide Tecnológico) para a Polícia Federal atender toda a fronteira. Com a Receita Federal, utilizamos a muralha tecnológica (câmeras inteligentes desenvolvidas pelo Parquetec, financiadas pela Itaipu Binacional) para identificar o fluxo de pessoas entre o Brasil, o Paraguai e a Argentina. Cedemos, por meio de troca de serviços com o Ministério da Justiça, suporte ao CISPPA (Centro Integrado de Segurança Pública e Proteção Ambiental da Fronteira), sediado no Parquetec, que monitora o Sul do Brasil e congrega diversas forças de segurança”, explica.
Na área de energia, o diretor comenta que o Itaipu Parquetec evoluiu na oferta de soluções em hidrogênio, baterias (e sua gestão), Internet das Coisas, 5G, robótica e cibersegurança.
Além disso, presta diversos serviços à Itaipu Binacional, à sociedade e a empresários. “Acolhemos estudantes com novas ideias e estimulamos o surgimento de novas empresas no Parquetec. Promovemos a qualificação profissional por meio de aplicações práticas, testes de laboratório e testes em ambiente real, utilizando equipamentos, softwares e metodologias aprimoradas. Contamos com uma equipe multidisciplinar e altamente competente, incluindo economistas, administradores, profissionais da área jurídica e engenheiros de diversas especialidades (elétrica, computação, software, mecânica e civil), que atuam de forma transversal. Para cada R$ 1 investido no Itaipu Parquetec, geramos R$ 1,44 para o PIB nacional, configurando um retorno socioeconômico relevante para o Brasil”, salienta.
Nesse período, Colombo destaca alguns desafios culturais e gerenciais enfrentados. “O primeiro foi alterar a cultura orçamentária interna, mudando de ‘orçado é para gastar’ para ‘orçar e gerar sobra é louvável’. O segundo desafio foi melhorar a relação com o mercado e com empresários, de forma a promover o desenvolvimento tecnológico na fronteira da inovação e da ciência universitária, o que exigiu a ampliação do contato com grandes empresas. O terceiro foi aumentar o número de startups no Parque, estimulando sua criação e fortalecendo uma relação transversal entre os centros de competência do Parquetec, de modo a facilitar a transferência tecnológica”, esclarece.
O diretor complementa ainda ser fundamental criar uma cultura e eficiência, trabalho de baixo custo e produção de bens econômicos por meio da inovação e da transferência de tecnologia, gerando novos contratos e receitas. “Em essência, o foco é uma mudança cultural para uma gestão mais empresarial, afastando-se da dependência exclusiva de convênios e subsídios da Itaipu Binacional”, reforça.
A mudança do nome de Parque Tecnológico Itaipu (PTI) para Itaipu Parquetec, em julho de 2024, para Colombo foi um dos aspectos mais positivos. A alteração celebrou os 20 anos da instituição, refletindo uma evolução para uma gestão mais empresarial, ágil e focada em negócios. “Além de ser denominação mais comercial, com presença internacional e que comunica de forma clara sua atuação como parque tecnológico, a alteração do nome desencadeou mudanças na missão e na organização interna, abrindo espaço para maior interação e aprendizado mútuo com a sociedade, pesquisadores, startups e empresas”, afirma.
Outra questão importante, foi a melhoria da governança, evidenciada pela criação do Escritório de Governança, um fator crucial para a assinatura de um convênio relevante com a UNICEF, elevando a credibilidade institucional e a presença internacional do trabalho desenvolvido. Houve, ainda, a formalização de convênios com grandes empresas nacionais (Petrobras e WEG) e internacionais (Boston Dynamics), além de parcerias com pequenas empresas em desenvolvimento, consolidando um salto institucional muito positivo. “O impacto da organização no Brasil e no PIB é mensurável e considerado significativo, com projetos exemplares junto à Itaipu Binacional, destacando-se pela prestação de contas, eficiência e governança”, demonstra o diretor superintendente.
Colombo finaliza ressaltando que o futuro do Itaipu Parquetec está focado em aumentar o número de startups e empresas de base tecnológica bem-sucedidas, de modo a garantir retorno financeiro, considerando o percentual de sucesso. Startups que não obtêm sucesso não ficam em débito com o Parque, uma vez que o modelo adotado por parques tecnológicos não impõe obrigações financeiras em casos de insucesso. Um desafio contínuo é manter algum nível de subsídio da Itaipu Binacional, uma vez que parques tecnológicos, de forma geral, dependem desse tipo de apoio. Há planos para ampliar contratos com grandes empresas e portos, fornecendo soluções em áreas como hidrogênio, gestão energética, baterias, transformadores, segurança cibernética, segurança de barragens e ações socioambientais, em parceria com a Itaipu. “O maior desafio para o próximo ano é elevar a receita atual, na faixa de R$ 70 milhões anuais, de forma a garantir maior sustentabilidade econômica e financeira do Parque. Atualmente, o Parquetec não é 100% financiado pela Itaipu (cerca de 23% do orçamento provém da empresa), sendo necessário buscar o restante do recurso no mercado”.







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