Especial

EDUCAÇÃO INFANTIL

Os primeiros anos que definem tudo

10

Os primeiros anos da infância são determinantes porque é nesse período que o cérebro se desenvolve em ritmo acelerado e a criança constrói as bases de tudo o que vem depois: linguagem, autonomia, vínculo, curiosidade, segurança emocional e a forma como ela se percebe no mundo. “É como se a infância fosse o ‘chão’ da vida: quando esse chão é firme, afetivo e bem conduzido, a criança caminha com mais confiança e aprende com mais leveza”, afirma a Diretora do Centro de Educação Infantil Carrossel, Alexandra Penso.

Juntos, família e escola tem um papel essencial na educação infantil, porque escola e família não competem: elas se complementam. “A criança precisa sentir que os adultos ao redor falam a mesma língua em valores e cuidado. Quando a família participa, confia, dialoga e mantém parceria, a criança percebe coerência, sente estabilidade e evolui ainda mais. Educar na primeira infância é um trabalho de mãos dadas”, reforça Alexandra.

Nesta fase, o brincar deixa de ser “apenas brincadeira” e se torna a principal forma de aprendizagem. “Brincando, a criança experimenta, erra, tenta de novo, imagina possibilidades e dá sentido ao que vive. No brincar, ela aprende a pensar, a se comunicar, a esperar a vez, a dividir, a lidar com frustrações e a expressar sentimentos. É uma linguagem natural da infância, onde o corpo, a emoção e o pensamento trabalham juntos”, esclarece a Diretora.

Junto às brincadeiras, as atividades lúdicas contribuem para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional dos pequenos. “Isso acontece, porque elas criam situações reais, só que seguras e adequadas à idade. Um jogo pode estimular memória e atenção; uma roda de conversa e música fortalece fala e vínculo; uma brincadeira simbólica ajuda a criança a elaborar medos, alegrias e desafios do dia a dia. Quando a criança brinca com propósito, ela se desenvolve por inteiro, no seu tempo, com alegria e significado”, informa.

E isso, segundo Alexandra, precisa estar presente em um ambiente acolhedor. “A criança aprende melhor quando se sente protegida e pertencente. Um olhar atento, uma rotina previsível, a escuta respeitosa e o afeto constroem segurança emocional. E segurança emocional é pré-requisito para a aprendizagem: quando a criança não está ‘em alerta’, ela consegue explorar, interagir, se concentrar e evoluir”.

Outro ponto importante é o profissional que estará em contato direto com as crianças nesta fase da vida. “A formação profissional evoluiu, mas ainda precisa acompanhar mais de perto as necessidades reais das crianças e das salas de aula. Educação infantil não é ‘menor’ e nem ‘mais fácil’: é uma etapa que exige preparo técnico, sensibilidade, repertório pedagógico e inteligência emocional. A criança de hoje precisa de adultos que compreendam desenvolvimento infantil, que saibam observar com intenção e que eduquem com afeto e propósito. Quando investimos em formação contínua e em uma cultura de cuidado, quem ganha é a criança, a família e toda a comunidade”, destaca a profissional.

E além da formação das equipes, a Diretora do Centro de Educação Infantil Carrossel alerta para outros desafios das as instituições de educação infantil. “Lidar com a alta demanda emocional do trabalho, acompanhar diferentes ritmos de desenvolvimento, acolher as dinâmicas familiares e, ao mesmo tempo, sustentar uma rotina pedagógica consistente, segura e humanizada. Também existe o desafio constante de equilibrar qualidade com estrutura, investimentos e responsabilidades legais, porque cuidar e educar na primeira infância exige excelência em muitos detalhes”, finaliza.

Comentários