RAÍZES fortes
Pai e filho cultivam juntos o presente e o futuro do campo
Em comemoração ao Dia do Agricultor (28 de julho), contamos a história da família Welter, que tem sua propriedade rural, na Linha Javali em Medianeira. Lá o amor pela terra atravessa gerações e inspira uma história marcada por trabalho e superação
Texto por Douglas Florêncio . Fotos por douglas florêncio . 31 de julho de 2025 . 11:36
A história começa com Mário Welter e Therezinha Frank Welter, que saíram de Santa Rosa (RS) no início dos anos 1970, em busca de novas oportunidades. Após duas desapropriações de suas terras no município de São Miguel do Iguaçu, chegaram a Medianeira, onde permanecem até hoje. “Quando chegamos aqui, não tinha praticamente nada. Eu já trabalhava com suínos com meu pai, que também veio para cá. Com o tempo, também começamos a trabalhar com leite”, conta Mário Welter. Por muitos anos, a família se dedicou às duas atividades, mas há cerca de três anos decidiu focar apenas na produção de suínos, em parceria com a Lar Cooperativa Agroindustrial.
Relembrando os desafios enfrentados ao longo da caminhada, Mário destaca que, apesar das dificuldades, nunca faltou fé e força de vontade. “Tivemos que nos mudar, isso atrapalhou bastante. No começo as estradas eram ruins, chovia e a gente precisava se virar para conseguir escoar o leite. O trabalho era mais braçal, e mais pesado, mas a gente nunca desistiu”.

O que sempre permaneceu constante foi o espírito de continuidade. “Lá de onde a gente veio, sempre teve essa cultura: um dos filhos seguia no campo. Eu trabalhei com meu pai, do mesmo jeito que hoje meu filho trabalha comigo”, completa.
E é aí que entra Edio Rodrigo Welter, o filho que escolheu permanecer na propriedade da família. Bacharel em Administração, com pós-graduação em Gestão Estratégica do Agronegócio, Edio tem um olhar atento às mudanças no setor e à realidade da nova agricultura, ele representa uma geração que alia tradição e inovação. “Hoje, os desafios mudaram. Produzir talvez não seja mais o maior problema, o difícil é manter tudo dentro das exigências. São muitas documentações, normas e licenças. Não que isso não seja importante, mas às vezes falta agilidade e incentivo para quem quer continuar no campo”, afirma.
Ele conta que a decisão de ficar na propriedade aconteceu de forma natural. “Meus irmãos seguiram outros caminhos, mas eu fui ficando e ajudando, e quando vi já estava totalmente envolvido. Meus pais sempre estiveram comigo, me apoiaram, e a cooperativa também foi essencial. Sempre trouxeram informação, incentivo e orientação”, salienta Edio.
Hoje, Edio conduz a propriedade ao lado do pai, é casado com Lauani Kelen Mazon Welter e pai de dois filhos, Melissa Mazon Welter e Olavo Mazon Welter. A família decidiu encerrar a produção leiteira por questões de logística e custo, focando na suinocultura como atividade principal. “A gente até tinha um projeto de ampliação aprovado, mas na hora de executar, percebemos que não era o momento. Tudo tem que ser estudado com calma, não adianta só querer crescer”, comenta. Ele complementa afirmando que o segredo está na eficiência. “Vamos cuidando do que temos, fazendo cada vez melhor o que já fazemos. Aqui no campo, para se manter, tem que saber equilibrar produção, sustentabilidade e qualidade de vida”.

Mesmo diante dos desafios, Edio enxerga muitas oportunidades no meio rural. “Se eu não tivesse seguido a suinocultura, com certeza teria outras opções. O campo oferece muitos caminhos, o importante é escolher um, focar e fazer bem feito”.
Mário finaliza com um recado direto: “Quem vai para cidade buscando um bom emprego, tudo bem. Mas muitos deixam uma boa oportunidade no interior para se arriscar, e às vezes se arrependem. A propriedade exige muito, não dá para se desligar, é 24 horas de atenção, mas quem está disposto a cuidar, colhe bons frutos”.
Neste Dia do Agricultor, a história da família Welter nos lembra que o campo é mais do que produção, é herança, é missão, é vida. E que o sucesso, como dizem pai e filho, “vem do trabalho e da dedicação”.




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