CAMINHO DA FÉ
Passos que conduzem ao encontro e à transformação
Uma jornada marcada por devoção, superação e esperança reuniu peregrinos de Medianeira em uma experiência transformadora rumo ao Santuário Nacional, inspirando reflexão e renovação neste tempo de Natal
Texto por Ana Cláudia Valério . Fotos por arquivo pessoal . 18 de dezembro de 2025 . 11:36
Foram dias de passos firmes, silêncio respeitoso e fé que pulsava a cada amanhecer. Os cinco peregrinos de Medianeira e Foz do Iguaçu, que encararam o Caminho da Fé rumo ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida, de 03 a 12 de novembro deste ano, viveram muito mais do que uma simples jornada física: encontraram, na estrada, motivos para agradecer, refletir e fortalecer a espiritualidade.
Tudo começou com uma conversa entre um grupo de amigos do Movimento de Cursilhos de Cristandade: Bruno Matheus, empresário de Foz do Iguaçu e os medianeirenses Anderson Pinzon, bancário; Edineu Viapiana, avicultor; Gabriel Crestani, fisioterapeuta; e Lucas Ghellere, advogado. E era para ser, porque eles marcaram a data e tudo conspirou para que a jornada acontecesse. “Depois de ter ouvido o relato da experiência vivida por amigos próximos, senti um chamado para fazer o Caminho com o propósito de agradecer à Deus as inúmeras Graças por Ele concedidas ao longo da minha vida. Como completei 40 anos (dia 08/12) entendi ser o momento oportuno para manifestar minha gratidão”, afirma o advogado Lucas Ghellere. O fisioterapeuta Gabriel Crestani também foi motivado pela gratidão. “Foi a necessidade de me reconectar com Deus, agradecer por tudo que estou vivendo e fortalecer minha fé em meio às dificuldades e desafios da vida”.
Entre subidas desafiadoras, paisagens que acolhem a alma e encontros que transformam, cada quilômetro percorrido revelou uma história, um propósito e uma devoção que se renova. “Para mim, o momento mais marcante do percurso foi quando estávamos sem água, estava muito quente, e pedi para Nossa Senhora mandar alguém com água, pois estava com muita sede. E nesse momento de oração apareceu uma família (Fabris) oferecendo água, alimento, e ainda nos deu um presente. Nesse momento eu senti que Maria estava o tempo todo em nosso lado”, recorda Gabriel.
Lucas relembra um encontro que marcou muito os dez dias de caminhada, que aconteceu quando, em um dos povoados que passaram, uma senhora perguntou se eles estavam indo à casa da Mãe e, em seguida, fez um pedido: “Me chamo Benedita Maria da Silva. Ao chegarem lá, rezem por mim”. “Junto com tantos outros pedidos de oração, rezamos por ela e por muitos. Isso nos mostrou que não fazíamos o Caminho apenas por nós mesmos”, cita.
Cada um com seu propósito, mas com as mesmas dificuldades, o grupo foi desafiado física e emocionalmente o tempo todo. “Certamente o momento mais marcante aconteceu ainda no terceiro dia. Já sentindo intensas dores, ao passarmos pela cidade de Ouro Fino tivemos a oportunidade de adentrar no Santuário São Francisco de Paula e Nossa Senhora de Fátima. Me dirigi à capela do Santíssimo e ali, diante do Cristo Eucarístico, expus minhas dificuldades e pedi o auxílio divino. A partir desse momento, a caminhada se tornou muito mais leve. Esse momento me revelou que as dificuldades físicas são muito menores do que a fraqueza mental e espiritual. O Caminho nos revela isso: o propósito e muito mais determinante do que o preparo”, conta Lucas, emocionado.
Ele complementa que a fé e a motivação do grupo os fez seguir em frente. “Estar no Caminho com quatro grandes amigos que conheci no Movimento de Cursilhos me fez recordar que a amizade é a forma mais privilegiada de se viver e conviver o fundamental cristão. Sempre ao iniciarmos o dia de caminhada, rezávamos juntos o santo Rosário. Esse momento diário de oração com os amigos foi o principal alimento para o corpo e para a alma”, reforça.
Gabriel conta que a fé se manifestava nas pequenas coisas, nas recepções das pousadas, nas Capelas e Igrejas, e na conexão entre os peregrinos. “Mesmo sendo pessoas diferentes, parecia que todo mundo se entendia só pelo olhar. Um ajudando o outro o tempo todo. Conhecemos pessoas com histórias muito mais difíceis que a nossa, mas que seguiam firmes, com fé e gratidão. Isso me fez valorizar ainda mais tudo o que eu tenho”. Lucas completa que, além dos peregrinos, os encontros com as famílias que acolhem nas pousadas e nos pontos de apoio, e com os moradores locais foram sempre marcados por uma cordialidade extraordinária. “Dentre tantos encontros, a história do Júnior, que reside no Caminho da Fé no município de Estiva foi a que mais me marcou. De forma voluntária, todos os dias, ele aguarda em frente à sua casa os peregrinos para recepcioná-los com palavras de incentivo, reflexão de vida e oração. Após o encontro com o Junior, o caminho ganhou ainda mais riqueza espiritual”, destaca o advogado.
Transformação e aprendizado foram as palavras escolhidas por Gabriel e Lucas para resumir a experiência no Caminho da Fé. “O caminho me fez desacelerar, ouvir mais a Deus e entender que o sentido da vida está nas coisas simples, na fé e na perseverança, não só nas conquistas”, salienta o Fisioterapeuta. “O Caminho nos ensina a ver a ação de Deus em todos os momentos de nossa vida, inclusive nas coisas mais singelas. Vivendo a simplicidade e a privação de muitos dos confortos com os quais estamos habituados, aprendemos a dar mais valor para aquilo que realmente importa nessa caminhada terrena: as pessoas que cruzam pelo nosso caminho e o propósito de alcançar o nosso destino final que é o Reino de Deus”, pontua Lucas.
Eles comentam ainda que ao final, diante da Casa da Mãe, a emoção tomou o lugar das palavras, era o encerramento de um trajeto marcado por superação, companheirismo e profunda entrega. “A quem pensa em percorrer o Caminho, a minha mensagem é a de que a profundidade da experiência depende da pureza do propósito de quem quer trilhá-lo. No fim de tudo, o Caminho começa e termina no coração de cada peregrino. Em 2026 voltarei para lá!”, revela Lucas Ghellere. E Gabriel Crestani aconselha: “Quem pensa em fazer o Caminho da Fé, precisa ir de coração aberto e sem tantas expectativas. O caminho não é só andar quilômetros. Vai doer, vai cansar, vai dar vontade de desistir, mas é justamente nesses momentos que algo dentro da gente muda. A cada passo, aprendemos a confiar mais em Deus, a ser grato pelas pequenas coisas, a respeitar os próprios limites e a valorizar cada ajuda que aparece no percurso. Não é uma experiência só física, é espiritual. Voltamos diferentes, mais leves, mais conscientes, mais fortalecidos por dentro. Eu pretendo refazer o caminho, não só uma vez, mas várias, e levar mais pessoas comigo”, finaliza.




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