FORMAÇÃO
Quando a cidade ganha novos acordes
Conservatório de Música de Medianeira tem início das atividades na segunda-feira (22)
Texto por Ana Cláudia Valério . Fotos por Divulgação . 18 de setembro de 2025 . 13:40
“As experiências e dificuldades surgem para que possamos encontrar caminhos para superá-las. E quando estamos prontos para assumir o desafio é que os caminhos se abrem”. Com esta frase, o Presidente da Unicultura, Ricardo Trento, iniciou a sua fala sobre o Conservatório de Música de Medianeira.
Foi na dificuldade em relação ao valor de locação de pianos para a promoção de concertos, que Ricardo teve uma ideia. “Me encontrava em casa num momento de pesquisa e reflexão e a inspiração apareceu repentinamente, como um canto do Bem-te-vi surpreende. “E porque não comprar um piano e resolver de vez a questão de locação de piano para promoção de concerto e dos direitos culturais como fruição da produção cultural da população de Medianeira. “Somos uma cidade que produz riqueza e a materialização desta riqueza se traduz na Arte e Cultura. Então fizemos um projeto para comprar um piano. A Frimesa, numa reunião de 30 minutos, contando essa história, aprovou o incentivo fiscal.
O piano chegou a cidade em 2019. Foram quase 10 pessoas para tirá-lo da caixa, pois pesa 500 quilos. E outro desafio, um instrumento musical precisa ser tocado, pois caso contrário ele morre. “E assim criamos outro projeto, o Bravíssimo Concertos, com programação continuada e formação de plateia em Música Clássica em Medianeira. Durante a primeira temporada do Bravíssimo, fizemos uma pesquisa entre os alunos para saber se havia interesse deles em estudar música e para nossa surpresa recebemos 800 questionários respondidos e com eles outro desafio. Intensificamos a formação de plateia com os alunos, produzimos uma primeira ópera na cidade – La Traviata, depois um Festival de Ópera, uma primeira experiência do Festival de Medianeira com música, teatro, ópera, cinema”, detalha Ricardo.
Nesta época, a ideia do Conservatório de Música de Medianeira já estava no Planejamento. “Em 2025 o projeto se torna realidade com incentivos fiscais e patrocínio direto da Lar, Frimesa, Fertipar, BR Fértil, Ferragens Negrão, Itaipu Parquetec, Sicredi, Oasis, Publicar, UTFPR Medianeira, que cedeu o imóvel, além do apoio do Governo Italiano, através do Consulado Geral da Itália por meio do CCI, e tantas outras empresas que estão engajadas neste projeto para recuperar o ensino da música, para uma nova geração de medianeirenses. Nada disso seria possível sem o apoio incondicional da nossa Prefeitura. Afinal, é pelas nossas crianças, que vamos enviá-las como mensagem para o futuro. Só gosto daquilo que conheço, e só conheço aquilo que me é ensinado. Este é um projeto que requer sempre o engajamento local das nossas empresas. Formar um músico requer tempo”, salienta Trento.
A implantação do Conservatório está em fase avançada. “Já estamos com professores selecionados e em desenvolvimento através de outros professores que têm carreira de músicos de orquestra. Estamos desenvolvendo em Medianeira nosso próprio capital humano. Os professores coordenadores estão fazendo todo o planejamento pedagógico, com transferência de conhecimento. Estamos comprando os instrumentos musicais e formando uma biblioteca de música. Concomitante, também estamos indo às escolas, num trabalho de sensibilização musical com os alunos e planejando com a Secretaria Municipal de Educação aulas de iniciação musical com os pequenos”, explica.
Segundo Ricardo, o Conservatório está estruturado no ensino do instrumento, línguas estrangeiras modernas – italiano e alemão – (alemão numa segunda fase) canto e teoria musical. Todos os alunos terão as mesmas oportunidades. “A Unicultura está articulada com entes nacionais e internacionais para promover os intercâmbios futuros para os alunos. Por isso a importância da linguagem. Já estamos com 60 alunos matriculados, destes, 34 estão estudando italiano e já estamos preparando a próxima turma. No Conservatório, o aluno terá aula do instrumento a sua escolha: piano, clarinete, violino, violoncelo, acordeom, percussão, viola. Além de teoria musical e aula de canto individual e coro”.
Sobre a contribuição para a formação cultural e artística da comunidade, Trento destaca que o impacto é sempre a longo prazo. “A nossa alma precisa de tempo para se formar. A contemporaneidade está causando uma super ansiedade nas nossas crianças pois estamos imprimindo nelas, desde cedo, um conceito de que devem dar certo em algo, é a internet, as redes sociais, a adultização precoce, até sendo educadas financeiramente. É traumático. Sendo que as obrigações deveriam ser estudar e brincar. O tempo do brincar desenvolve as ferramentas que ela vai usar na fase adulta, e a arte e a cultura darão a elas a visão de mundo e futuro. A música, neste recorte dá o exponencial cognitivo para o cérebro, impacta significativamente na neuroplasticidade. E é importante falarmos sobre isso, pois já não estamos desconectados do mundo global. Economicamente falando, será esta formação integral do indivíduo que o fará ter sucesso. O mundo do trabalho mudou, não é mais pela força bruta, pelo suor físico que se obtém o sustento e sim pelo conhecimento, pelo esforço intelectual”, ressalta.
Apesar da implantação, existem alguns desafios em relação ao futuro. Dentre alguns fatores, tem o financeiro, que é manter o fluxo contínuo dos patrocínios pela Lei Federal de Incentivo à Cultura. Tanto das empresas locais, bem como daqueles que fazem negócios em Medianeira. “Estamos atraindo investimentos de muitos lados para aplicação direta no Conservatório e demais manifestações artísticas que ampliam nosso repertório. O saber nunca é demais. Esclarecendo que a destinação dos impostos pode ser tanto da pessoa física como da jurídica e contribui para a manutenção a longo prazo do projeto. E outro desafio é ‘A jornada do Ser’, que requer foco e disciplina, mas também leveza. Brincar de estudar música, é estudar. Queremos que a experiência da musicalização seja enriquecedora. Estudar música é formar poupança intelectual para o futuro”, comenta Trento.
Os desafios, no entanto, não impedem Ricardo de sonhar. “Se somos um sonho de Deus, então ao sonhar construímos realidades concretas. Estamos sonhando com a Praça das Artes. E é nela que vamos estar em 10 anos. Mas isso é uma outra história para contar. Vamos esperar o próximo Bem-te-vi”, finaliza.

Conservatório de Música de Medianeira irá funcionar em um imóvel cedido pela UTFPR Medianeira




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