COLUNA
Missão nas lentes
Texto por Ana Cláudia Valério . Fotos por Ana Cláudia Valério . 3 de agosto de 2023 . 14:05
“África sempre foi um sonho para mim. Não entendia muito bem, mas desde criança falava que queria ir para lá. Em 2021, minha paixão começou aumentar e no final do ano passado Jesus falou ao meu coração que em julho deste ano eu estaria lá”. E assim foi. De 06 a 20 de julho, a fotógrafa Barbara Gizeli Sutil foi para Moçambique, através da ONG Fraternidade sem Fronteiras.
Ela conta que para que seu sonho se realizasse entrou em contato com várias ONGs, porém a maioria delas não estava mais recebendo pessoas desde a pandemia. “Encontrei a Fraternidade sem Fronteiras na internet, entrei em contato e contei a minha história. A resposta deles foi imediata. Então comecei a ir atrás dos papéis que precisava. Foram muitas lutas, choro, orações, pois as circunstâncias não ajudavam, em alguns momentos duvidei, mas no fundo eu tinha a certeza que daria certo. Meu visto saiu um dia antes da viagem, minha primeira viagem internacional, o sonho estava se realizando”, recorda emocionada.
Ao desembarcar em Moçambique, Bárbara sentiu na pele a realidade. “Não tem luz, não tem saneamento básico e eles comem três vezes por semana, apenas uma refeição. A barriga deles roncava de fome, mas em nenhum momento pediam algo para nós. Eles andavam em média de 15 a 20 km para se alimentarem”, conta.
Nos dias em que ficou em missão, o grupo que Barbara fazia parte ajudou a servir refeições, reformaram duas escolas, montaram parquinhos, levaram doações de roupas, brinquedos e brincaram muito com as crianças. “Tínhamos momentos de conversa com eles e em todos os lugares que íamos havia uma recepção para nós”, relembra a fotógrafa.
Além dos momentos que ficaram gravados na memória, Barbara fez várias fotos e eternizou as pessoas em sua vida. “O que mais me tocou foi que eles nunca se viram, a maioria deles nem sabia quem eram. Pois como não tem água, não tem como eles verem seus próprios reflexos, celular é muito raro e espelho muito menos. Então, eu tirava foto, mostrava e eles pediam quem era. Ao dizer que eram eles, riam, se admiravam e até se achavam bonitos”, comenta.
Barbara conseguiu unir duas paixões numa só viagem: a Fotografia e a África. “Desde criança, sempre fui apaixonada por fotografia, sempre falava que seria fotógrafa, sou encantada por poder congelar um momento ‘para sempre’. Por isso fiz Tecnologia em Fotografia e sempre busco me aperfeiçoar. Penso que a fotografia é nossa única recordação física, para podermos ver como éramos na infância, adolescência e em todas fases da nossa vida. Eu sempre falo para os meus clientes que para mim é uma honra poder fotografar as pessoas e fazer parte da história de vida delas”, afirma.
E a fotógrafa realmente fez parte da vida daqueles que encontrou e fotografou. “Uma frase deles que me marcou muito foi: ‘eu sou porque nós somos’. Eu não existo se você não existir, lá não importa o dinheiro, sua profissão, o que está vestindo. Eles olham sua alma. O carinho e o respeito que têm um com outro e a fraternidade são impressionantes. Foi a experiência mais incrível da minha vida. Lá eu aprendi a amar as pessoas como Jesus e que por mais difícil que seja, Deus está conosco o tempo todo. Agradeço a todos os meus familiares, clientes e amigos que me ajudaram financeiramente, por mensagem ou oração. No final entendi que nós precisamos mais deles, do que eles de nós. E o nosso pouco, é muito”, finaliza Barbara Sutil.







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