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Nosso Povo

COLUNA

Missão nas lentes

“África sempre foi um sonho para mim. Não entendia muito bem, mas desde criança falava que queria ir para lá. Em 2021, minha paixão começou aumentar e no final do ano passado Jesus falou ao meu coração que em julho deste ano eu estaria lá”. E assim foi. De 06 a 20 de julho, a fotógrafa Barbara Gizeli Sutil foi para Moçambique, através da ONG Fraternidade sem Fronteiras.

 Ela conta que para que seu sonho se realizasse entrou em contato com várias ONGs, porém a maioria delas não estava mais recebendo pessoas desde a pandemia. “Encontrei a Fraternidade sem Fronteiras na internet, entrei em contato e contei a minha história. A resposta deles foi imediata. Então comecei a ir atrás dos papéis que precisava. Foram muitas lutas, choro, orações, pois as circunstâncias não ajudavam, em alguns momentos duvidei, mas no fundo eu tinha a certeza que daria certo. Meu visto saiu um dia antes da viagem, minha primeira viagem internacional, o sonho estava se realizando”, recorda emocionada.

Ao desembarcar em Moçambique, Bárbara sentiu na pele a realidade. “Não tem luz, não tem saneamento básico e eles comem três vezes por semana, apenas uma refeição. A barriga deles roncava de fome, mas em nenhum momento pediam algo para nós. Eles andavam em média de 15 a 20 km para se alimentarem”, conta.  

Nos dias em que ficou em missão, o grupo que Barbara fazia parte ajudou a servir refeições, reformaram duas escolas, montaram parquinhos, levaram doações de roupas, brinquedos e brincaram muito com as crianças. “Tínhamos momentos de conversa com eles e em todos os lugares que íamos havia uma recepção para nós”, relembra a fotógrafa.

Além dos momentos que ficaram gravados na memória, Barbara fez várias fotos e eternizou as pessoas em sua vida. “O que mais me tocou foi que eles nunca se viram, a maioria deles nem sabia quem eram. Pois como não tem água, não tem como eles verem seus próprios reflexos, celular é muito raro e espelho muito menos. Então, eu tirava foto, mostrava e eles pediam quem era. Ao dizer que eram eles, riam, se admiravam e até se achavam bonitos”, comenta.

Barbara conseguiu unir duas paixões numa só viagem: a Fotografia e a África. “Desde criança, sempre fui apaixonada por fotografia, sempre falava que seria fotógrafa, sou encantada por poder congelar um momento ‘para sempre’. Por isso fiz Tecnologia em Fotografia e sempre busco me aperfeiçoar. Penso que a fotografia é nossa única recordação física, para podermos ver como éramos na infância, adolescência e em todas fases da nossa vida. Eu sempre falo para os meus clientes que para mim é uma honra poder fotografar as pessoas e fazer parte da história de vida delas”, afirma.

E a fotógrafa realmente fez parte da vida daqueles que encontrou e fotografou. “Uma frase deles que me marcou muito foi: ‘eu sou porque nós somos’. Eu não existo se você não existir, lá não importa o dinheiro, sua profissão, o que está vestindo. Eles olham sua alma. O carinho e o respeito que têm um com outro e a fraternidade são impressionantes. Foi a experiência mais incrível da minha vida. Lá eu aprendi a amar as pessoas como Jesus e que por mais difícil que seja, Deus está conosco o tempo todo. Agradeço a todos os meus familiares, clientes e amigos que me ajudaram financeiramente, por mensagem ou oração. No final entendi que nós precisamos mais deles, do que eles de nós. E o nosso pouco, é muito”, finaliza Barbara Sutil.

 

Nosso Povo

Por: Ana Cláudia Valério

Mestre em Educação, Especialista em Docência no Ensino Superior e graduada em Comunicação Social – Jornalismo. Tem experiência em Jornalismo nas áreas de Televisão, Assessoria de Comunicação e Jornal Impresso, tendo trabalhado em veículos de comunicação, instituições de ensino superior e campanhas políticas. Hoje é editora do Jornal Mensageiro e coordenadora de Gestão e Memória da Casa da Memória Roberto Antonio Marin, de Medianeira.

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