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Casa da Memória e do Natal

“O objetivo mesmo é que o pessoal conheça a história de Medianeira e saiba como foi o começo, porque a gente só valoriza o que a gente conhece”, afirma Teresinha ao falar da Casa da Memória

Tudo começou em uma viagem ao México, em que Teresinha Selinke viu um presépio com uma mulher pastora, e não um homem. “Estava em uma casa de artesanato e me chamou atenção um presépio com uma mulher pastora. Aquilo me encantou e eu acabei comprando o presépio. A partir de então, nas outras viagens eu sempre olhava onde tinha presépios e comprava. Além disso, aprendi com o escritor chileno Pablo Neruda, que disse que quando você tem uma coleção deve contar para as outras pessoas, porque corremos o risco de ganhar algum presente (risos). E assim tem sido, vários amigos já me presentearam com presépios”, conta a professora aposentada.

Ao longo dos anos, portanto, Teresinha foi agregando presépios em sua coleção, que ficava exposta na sua casa. “Sempre gostei muito do Natal, de enfeitar a casa, era algo tradicional na nossa família e eu mantive a tradição. Para mim, o Natal é um tempo especial”, destaca. O que antes fazia parte da decoração de casa, em 2019 se tornou uma exposição. “O Padre Gringo me desafiou ao ver minha coleção, ele me perguntou se não era muito egoísmo eu guardar aquilo só para mim, que deveria permitir que outras pessoas vissem também. Então, eu pedi para o inquilino da minha antiga casa, onde morei 40 anos, sair e organizei a exposição dos presépios. Ficou muito legal, as pessoas gostaram muito, quem via se encantava. Foi então que eu decidi ampliar e transformar o local em uma Casa da Memória, até pelo fato de que sou de uma família de pioneiros”, relata.

Aqui abrimos um parêntese para contar um pouco da história da família Buss, que está presente na Casa da Memória e que permitiu a Teresinha ser quem é ela hoje. Os pais dela, Érico e Verônica Buss, chegaram a Medianeira em 1955. Ainda em Santa Catarina, Sr. Érico viu um anúncio da nova cidade e decidiu vir com a família – esposa e seis filhos: Nilza (in memoriam), Alcides, Teresinha, Maria Dolores, Mirian e Sérgio (in memoriam). Aqui nasceram os outros cinco: Célio, Lenisse, Iolanda, Margarete e Gilberto. O sonho de melhorar de vida plantando café foi frustrado já na primeira safra. A geada negra matou a plantação e então Érico passou a puxar madeira com seu caminhão. A esposa Verônica vendia leite na vila recém-criada. E foi assim que eles criaram os 11 filhos. “Cheguei aqui com cinco anos, e como tenho ótimas lembranças daquele tempo, inclusive escrevi um livro durante a pandemia, decidi resgatar um pouco dessa memória. Porque o pessoal que vive hoje em Medianeira não sabe o que os pioneiros passaram, o quanto foi difícil. Tem até a história da oração específica (Vinde Maria) que o padre Antão fez para o povo daqui, porque tinha algumas famílias que queriam ir embora, por causa das dificuldades. Não tinha mercado, não tinha nada, carne a gente comia quando caçava algum animal. O objetivo mesmo é que o pessoal conheça a história de Medianeira e saiba como foi o começo, porque a gente só valoriza o que a gente conhece”, salienta Teresinha.

A Casa da Memória de Teresinha é organizada a partir dos verbos, de coisas que se fazia na época. Na garagem é o trabalhar, onde estão expostos instrumentos de trabalho; na cozinha o cozinhar, com os utensílios e móveis da família; viajar na garagem com objetos de viagem e fotos; dormir e rezar em um dos quartos, onde está um colchão de palha; e brincar em outro quarto, onde estão brinquedos antigos e materiais escolares dos filhos.

Na sala principal, os 74 presépios convivem com elementos da história de Medianeira: a representação da primeira festa de São Cristóvão, a Festa da Padroeira, Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças e o Educandário Nossa Senhora Medianeira (Colégio das Irmãs).

Todo esse universo histórico está disponível gratuitamente para visitação. Até o dia 15 de dezembro a casa fica aberta, aos sábados, das 16h às 18h30, em outros dias e horários é preciso agendar pelo telefone (45) 99977-1149. “Inclusive os grupos de novena que quiserem fazer um encontro aqui, eu tenho um espaço com mesa, aí depois fica aberto para as pessoas visitarem a exposição. Acho que é uma motivação muito especial para a novena de Natal”, convida Teresinha.

Enquanto finalizávamos a entrevista, o marido de Teresinha, professor Selinke, chegou, e ela lembrou da vinda deles para Medianeira. “Sou a primeira que fez o primário aqui na vila, saí para estudar, fiquei 11 anos fora, fiz faculdade e retornei para Medianeira formada. E ainda trouxe o Selinke na mala (risos). Me recordo de uma Páscoa, em que a mãe dele veio nos visitar e tinha chovido, estava um barro. Ela não queria descer do ônibus naquela lama. Disse que o filho não ficaria aqui, mas o Selinke já estava vacinado com o barro vermelho (mais risos). Daquela época em diante nos dedicamos muito à educação de Medianeira, até nos aposentarmos”, finaliza.

 

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Casa da Memória e do Natal

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Por: Ana Cláudia Valério

Mestre em Educação, Especialista em Docência no Ensino Superior e graduada em Comunicação Social – Jornalismo. Tem experiência em Jornalismo nas áreas de Televisão, Assessoria de Comunicação e Jornal Impresso, tendo trabalhado em veículos de comunicação, instituições de ensino superior e campanhas políticas. Hoje é editora do Jornal Mensageiro e coordenadora de Gestão e Memória da Casa da Memória Roberto Antonio Marin, de Medianeira.

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