MEMÓRIA
Travessia: Uma jornada pela imigração alemã e italiana em Medianeira
Texto por Assessoria Casa da Memória de Medianeira . Fotos por Acervo Família Biesdorf/Acervo Venício Carrer/Arquivo Casa da Memória . Republicado em 4 de outubro de 2024 . 14:38
Data de publicação original: 19/09/2024
Número da edição original: 2328
Em 2024 é celebrado 200 anos da imigração alemã e 150 anos da imigração italiana no Brasil. E esse é o tema da nova exposição da Casa da Memória Roberto Antonio Marin.
Oficialmente, a imigração alemã no Brasil começou em 1824, com a chegada dos primeiros alemães e a criação da Colônia de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Durante o século XIX, estima-se que aproximadamente 80 a 90 mil alemães imigraram para o Brasil. Já a imigração italiana tem como marco a data de 21 de fevereiro de 1874, quando o navio “La Sofia” atracou no porto de Vitória, marcando o início oficial da imigração italiana no país. Entre as décadas de 1870 e 1920 cerca de 7 milhões de italianos deixaram sua terra natal em busca de novas oportunidades e melhores condições de vida em terras brasileiras.
Durante o século XIX a Europa passava por diversas crises econômicas, políticas, religiosas e sociais, motivando as pessoas a saírem em busca de uma vida melhor. Em alguns casos incentivados por propagandas dos governos, tanto brasileiro como europeu. Muitos imigrantes se estabeleceram nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e a partir de 1950 iniciou-se um fluxo migratório para a região oeste do Paraná, estimulados por propagandas das empresas colonizadoras, que começaram a circular em muitas cidades do sul do Brasil, atraindo centenas de migrantes para a região.

As famílias que chegaram a Medianeira já possuíam uma trajetória de migrações e moradias por outras regiões do sul do país. Ao chegarem aqui, havia ainda mais desafios a serem superados. Não existia infraestrutura adequada, porque ainda estava em fase de construção. Muitas famílias já estavam acostumadas com energia elétrica e água encanada em suas cidades de origem e aqui não havia nada disso. Mosquitos, animais selvagens e viajantes mal-intencionados são lembranças presentes em todos os relatos dos pioneiros. Dificuldades em adquirir alimentos e outros produtos para consumo também fazia parte da realidade. Os vizinhos eram grandes amigos e havia no ar um clima de cooperação e ajuda mútua. As dificuldades eram enormes e muitos dos que chegaram acabaram desistindo e partindo. No entanto, aqueles que permaneceram, trouxeram consigo o sonho de prosperar e a determinação de transformar esse sonho em realidade. Todos acreditavam que, além da cortina de poeira, um dia surgiria uma Medianeira, que se tornaria uma cidade modelo e um município desenvolvido, com infraestrutura moderna e oportunidade de emprego, onde o progresso e a qualidade de vida fossem prioridade.
A presença dos descendentes de italianos e alemães em Medianeira faz parte da identidade e da história do município. Aos poucos Medianeira se constituiu em uma cidade multicultural. Celebrar estas datas é um ato de preservação da memória histórica. Nessa exposição, é possível compreender que trajetórias particulares se entrelaçam com a memória coletiva e juntas formam uma grande colcha de retalhos que é a História do município.



A Casa da Memória Roberto Antonio Marin de Medianeira é a guardiã das memórias do município, um espaço dedicado à documentação, pesquisa e resgate do Patrimônio Cultural.
Rua Argentina, nº 1546, Centro (antiga Prefeitura), Medianeira/PR
(45) 3264-8602
www.casadamemoriademedianeira.com.br
Horário de funcionamento: de segunda à sexta das 8h30min às 12h e das 14h às 17h30min, aos sábados das 8h às 11h30 e 13h às 17h


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