LEGADO
Planejamento e cooperativismo garantem continuidade de propriedade rural em Serranópolis do Iguaçu
Texto por Ana Cláudia Valério/ Assessoria . Fotos por arquivo pessoal . 30 de abril de 2026 . 11:55
A história da família de Mateus Favaretto Alves, 28 anos, é um exemplo de como o planejamento no campo, aliado à confiança no cooperativismo, pode fazer a diferença em momentos decisivos. Nascido em Medianeira e criado na Linha Bonatto, em Serranópolis do Iguaçu, ele cresceu acompanhando de perto o trabalho do pai, Edson, na propriedade rural da família, experiência que moldou não apenas sua formação, mas também seus valores.
Segundo Mateus, o principal legado deixado pelo pai vai além das práticas produtivas. “Ele nos ensinou a ter fé, a não desistir, principalmente na lavoura. Se um ano não é bom, a gente tenta novamente, sempre com dedicação e compromisso”, relembra. A diversidade de atividades na propriedade também contribuiu para formar uma visão ampla e resiliente sobre o trabalho no campo.
Produtor experiente e associado atuante do Sicredi, Edson sempre acreditou na força do cooperativismo e no planejamento financeiro. Ao longo dos anos, manteve diversas operações junto à cooperativa e optava pela contratação do seguro prestamista, pensando na proteção da família diante de imprevistos.
A importância dessa decisão se tornou evidente após um episódio inesperado: Edson sofreu um infarto durante um dia de trabalho na propriedade e faleceu. Em meio ao luto, a família encontrou no planejamento deixado por ele um suporte essencial. “No momento, a gente fica sem chão, sem saber para onde correr, mas sabíamos que a vida continua. O seguro nos deu a oportunidade de seguir em frente, resolver a parte burocrática do inventário e reorganizar a propriedade”, destaca Mateus.
Diante da nova realidade, a família buscou se estruturar. Com apoio do Sicredi, participou de um evento voltado à sucessão familiar, que trouxe orientações sobre gestão, divisão patrimonial e aspectos tributários. O processo marcou uma mudança importante na forma de encarar a propriedade. “Precisávamos entender que a propriedade era uma empresa rural. Com isso, conseguimos definir ganhos específicos para cada membro, de acordo com a produção, descontando despesas e garantindo segurança para novos investimentos”, explica.
Atualmente, a gestão da propriedade está sob responsabilidade de Mateus, que conduz as atividades com base em diretrizes alinhadas entre os familiares. “Administro as despesas e produções, apresento as entradas e saídas para todos e planejamos juntos os próximos passos”, afirma. A organização permitiu que a propriedade se mantivesse ativa e diversificada, com produção em pocilgas, criação de gado de corte, cultivo de lavouras e geração de renda por meio de aluguéis.
A relação com o Sicredi segue como um dos pilares dessa trajetória. “Sempre esteve presente na história da nossa família. Desde pequeno eu acompanhava meus pais na cooperativa. Com essa parceria, tivemos acesso a recursos, investimentos e segurança para crescer e realizar nossos sonhos, sempre com muito trabalho”, ressalta.
O olhar para o futuro também está bem definido. A família planeja que, ao longo do tempo, cada integrante possa conquistar sua independência, mas sem abrir mão do crescimento coletivo. “A gente vê a propriedade como uma empresa e quer que ela tenha espaço para todos trabalharem e crescerem juntos. Quando a família permanece unida, os projetos se tornam maiores e mais viáveis”, projeta Mateus.
O caso reforça a importância do planejamento sucessório, da gestão profissional e do cooperativismo no meio rural, evidenciando como decisões tomadas no presente podem garantir a sustentabilidade das propriedades e a continuidade das famílias no campo.



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