NOSSA HISTÓRIA
Das raízes ao futuro: uma cidade construída por quem acreditou neste lugar
Da chegada dos pioneiros à consolidação como polo regional de desenvolvimento, Medianeira preserva sua memória em monumentos, espaços históricos e histórias que revelam a força de um povo que nunca deixou de olhar para o futuro
Texto por Ana Cláudia Valério . Fotos por Acervo Silvia Biesdorf /Arquivo Casa da Memória . 24 de julho de 2026 . 11:51
Antes de se tornar uma das cidades mais desenvolvidas do Oeste do Paraná, Medianeira era apenas um projeto desenhado pela Colonizadora Bento Gonçalves. O nascimento da nova localidade foi planejado em 20 de outubro de 1949, na cidade gaúcha de Bento Gonçalves. Em 24 de agosto de 1950, os diretores da Colonizadora, Pedro Soccol e José Callegari, chegaram ao núcleo colonial que daria origem a Medianeira. Uma história que começou oficialmente em 24 de outubro de 1951, data em que foi celebrada uma missa reunindo os primeiros colonizadores e pioneiros, marco de fundação da então vila.
As primeiras famílias enfrentaram estradas precárias, mata fechada e inúmeros desafios. Mas trouxeram consigo algo que moldaria a identidade de Medianeira: disposição para trabalhar, espírito comunitário e a confiança de que aquele seria o lugar onde construiriam o futuro.
A emancipação político-administrativa, conquistada em 25 de julho de 1960, marcou apenas o início de uma trajetória que transformaria Medianeira em referência regional em agricultura, cooperativismo, educação, indústria e inovação.
UMA CIDADE PLANEJADA PARA CRESCER – Desde o início, Medianeira foi pensada para crescer de forma organizada. A Praça Ângelo Darolt, localizada no coração da cidade, faz parte desse planejamento original. Inspirado no traçado urbano de Erechim (RS), o projeto definiu ruas em formato de “X”, colocando a praça como ponto central da convivência e do desenvolvimento urbano. Décadas depois, sua revitalização e a construção da Colunata transformaram o espaço em um dos maiores símbolos arquitetônicos da cidade.
O TRABALHO COMO MARCA DA IDENTIDADE – A economia sempre caminhou lado a lado com o crescimento de Medianeira. Serrarias, madeireiras, cerâmicas e pequenas indústrias abriram caminho para o desenvolvimento que, anos mais tarde, seria impulsionado pelo cooperativismo, pela agroindústria e pelo comércio.
Hoje, monumentos como o busto do ex-prefeito José Della Pasqua e o painel Pioneiros e Cooperativismo, instalados no Paço Municipal, sintetizam essa trajetória ao retratar os personagens, a agricultura, a Estrada do Colono, o moinho, a igreja, o trabalho no campo e a força das cooperativas, que ajudaram a transformar a economia local.
A MEMÓRIA PRESERVADA EM CADA ESPAÇO – A história de Medianeira também pode ser percorrida por seus patrimônios culturais. As antigas Torres da Cerâmica Simonatto, que completam 54 anos em 25 de outubro, também permanecem como testemunhas silenciosas de uma fase importante da industrialização do município, e integrarão o Memorial Histórico da Colonização. Uma praça em homenagem aos pioneiros/colonizadores, para visitação e exposição da história da Cerâmica e dos primeiros anos de Medianeira construída pela Espaço 3.
FÉ, CULTURA E PERTENCIMENTO – A identidade medianeirense também foi construída pela religiosidade e pelas tradições culturais. O Morro da Salete, cuja comunidade foi oficialmente inaugurada em 1964, tornou-se um dos principais cartões-postais do município. Além da vista privilegiada, o local reúne fé, natureza e turismo religioso. Mais recentemente, o projeto da Via Sacra em azulejos, inspirada na tradição portuguesa e desenvolvida especialmente para o Morro, reforçou sua importância cultural e espiritual.
A tradição gaúcha também está presente na paisagem urbana por meio da monumental Cuia do CTG Sentinela dos Pampas, inaugurada em 1987 e transformada em um dos principais símbolos de boas-vindas à cidade.
UMA CIDADE QUE VALORIZA SUA MEMÓRIA – Preservar o passado também é preparar o futuro. A Casa da Memória Roberto Antonio Marin, instalada no antigo prédio da Prefeitura, tornou-se um espaço de preservação da história local, reunindo documentos, fotografias, objetos e relatos que ajudam a compreender a formação do município. Além de conservar esse patrimônio, a instituição desenvolve ações educativas que fortalecem o sentimento de pertencimento das novas gerações.
O FUTURO NASCE DAS RAÍZES – Ao completar 66 anos, Medianeira demonstra que desenvolvimento e memória caminham juntos. Enquanto investe em educação, inovação, turismo e planejamento urbano, a cidade mantém vivos os espaços, monumentos e histórias que revelam sua origem.
Cada praça, monumento, escola, igreja, parque ou obra pública preservada conta um capítulo dessa trajetória. São marcas deixadas por homens e mulheres que acreditaram neste lugar e ajudaram a construir uma cidade que continua crescendo sem perder sua identidade.



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