EDUCAÇÃO
IDEB 2025: muito além de uma nota
Na primeira reportagem da série sobre o IDEB 2025, trazemos um panorama geral do resultado de Medianeira nos anos iniciais, que mostra evolução, mas também revela o que existe por trás de um indicador: planejamento, gestão, formação, participação da família e o trabalho diário em cada instituição de ensino
Texto por Ana Cláudia Valério . Fotos por divulgação . 20 de agosto de 2026 . 10:53
Uma nota pode caber em uma linha. O caminho percorrido para chegar até ela, não. O 7,5 alcançado por Medianeira no IDEB 2025, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, representa avanço em relação aos 7,1 da avaliação anterior, supera os índices do Paraná, 6,9, e do Brasil, 6,1, na rede pública.
Mais do que um resultado, porém, o indicador ajuda a contar como se constrói a política educacional. O IDEB combina o desempenho dos estudantes nas avaliações do SAEB com os indicadores de fluxo escolar, relacionados à aprovação. Ou seja, reúne aprendizagem e trajetória escolar e, por isso, é consequência de um trabalho que começa muito antes da avaliação. “Esse resultado representa muito mais do que o crescimento de 0,4 ponto em um indicador. Ele representa o resultado de um trabalho coletivo, construído diariamente nas escolas, nas salas de aula e junto às famílias”, afirma a secretária municipal de Educação e Cultura, Rosiane Tonelli.
Para ela, a conquista também aumenta a responsabilidade da rede. “Uma nota 7,5 nos deixa orgulhosos, mas não nos permite acomodação. Pelo contrário: aumenta nosso compromisso de continuar avançando, garantindo que cada criança tenha o direito de aprender”, reforça.

O QUE EXISTE POR TRÁS DO RESULTADO – Uma das bases desse trabalho é utilizar os dados para orientar decisões pedagógicas. Avaliações diagnósticas, de percurso ajudam a identificar o que os estudantes já aprenderam e onde estão as dificuldades. A partir disso, professores e equipes pedagógicas podem reorganizar o planejamento, pensar em encaminhamentos para a sala de aula e definir intervenções, como reforço, recuperação e recomposição das aprendizagens. “Nosso entendimento é que aprovação sem aprendizagem não representa qualidade. Por isso, trabalhamos com avaliações diagnósticas, acompanhamento pedagógico, recomposição das aprendizagens e intervenções ao longo do ano”, explica Rosiane.
Esse trabalho começa antes do 5º ano, etapa diretamente relacionada ao resultado dos anos iniciais. A alfabetização e a consolidação das habilidades fundamentais nos primeiros anos são consideradas estratégicas para toda a trajetória escolar. Em 2025, segundo a Secretaria, 90% das crianças foram alfabetizadas ao final do 2º ano, acima dos 80% informados para o Paraná. Para acompanhar esse processo, a rede implantou o “Alfabetômetro”, que permite identificar dificuldades e direcionar intervenções.
A frequência também é acompanhada por meio do “Faltômetro”. A proposta parte de um princípio simples: não há aprendizagem contínua sem presença regular na escola. “Mais do que acompanhar números, queremos construir uma cultura em que estar na escola todos os dias seja compreendido como parte fundamental do direito de aprender”, afirma a secretária.
GESTÃO, FORMAÇÃO E INVESTIMENTO – O resultado também passa pelo trabalho das equipes gestoras. Diretores e coordenadores acompanham a realidade das escolas, dialogam com professores, analisam dados e transformam orientações em ações. “O resultado do IDEB é planejado dentro da Secretaria de Educação com a participação das equipes escolares e é materializado dentro de cada escola e CMEI que cumpre o seu papel”, destaca Rosiane.
A formação continuada é outro eixo. Nos últimos anos, foram realizadas capacitações em alfabetização, leitura, escrita, matemática, recomposição, avaliação e inclusão. Em 2025, aproximadamente 650 profissionais participaram da segunda etapa do Fórum Mais IDEB, realizado em Medianeira.
Os investimentos criam as condições para esse trabalho. Em 2025, o município teve dotação atualizada de aproximadamente R$ 105,5 milhões para despesas gerais com educação, com mais de R$ 95 milhões empenhados. Os recursos abrangem profissionais, alimentação, transporte, materiais, tecnologia, manutenção e infraestrutura. A secretária, entretanto, ressalta que não é possível atribuir o avanço a um investimento isolado. “Educação é resultado de múltiplos fatores e de ações que produzem efeitos ao longo do tempo”, explica Rosiane. Uma escola estruturada, novos equipamentos ou materiais ampliam as possibilidades, mas não substituem a dedicação de um professor, o planejamento e a prática pedagógica.
MAIS DO QUE UMA MÉDIA – Outro cuidado é não olhar apenas para a média municipal. Segundo a Secretária, nenhuma escola ficou abaixo de 7,1, embora existam diferenças entre as unidades. “Não trabalhamos apenas com a média municipal. Uma das prioridades da Secretaria é justamente analisar os resultados de cada unidade, identificar onde estão os maiores avanços e onde ainda existem os maiores desafios para intervir”, afirma Rosiane.
O olhar para cada escola traz uma questão fundamental: qualidade também significa equidade. Não basta elevar a média se parte dos estudantes continua enfrentando dificuldades. O desafio, portanto, é manter a evolução e reduzir diferenças, garantindo oportunidades reais de aprendizagem. “Naturalmente, queremos superar os 7,5 alcançados no IDEB, mas nosso verdadeiro objetivo é muito maior: queremos melhorar efetivamente a aprendizagem, reduzir as desigualdades entre estudantes e escolas e manter bons indicadores de fluxo escolar. Uma nota maior será consequência de um trabalho que realmente faça diferença na vida dos nossos estudantes”.
É também por isso que o IDEB não pode ser o único parâmetro para avaliar a educação. Inclusão, frequência, alfabetização, formação dos professores, participação das famílias e desenvolvimento integral fazem parte de uma escola de qualidade. “O IDEB é importante, mas não pode ser o objetivo final da educação. A nota é uma consequência de um processo muito maior”, afirma a secretária.
No fim, o 7,5 pode ser visto menos como um ponto de chegada e mais como um ponto de partida. Um indicador serve para mostrar avanços, mas também para provocar novas perguntas: onde ainda é preciso avançar? Quem precisa de mais apoio? O que precisa ser ajustado?
Educação não se constrói por uma única ação. Ela nasce da soma de escolhas cotidianas: na formação de um professor, no planejamento de uma aula, na identificação de uma dificuldade, na presença de um estudante, na participação de uma família e na melhoria de uma escola. É essa soma que transforma números em trajetórias. “Nosso objetivo é fazer com que mais crianças aprendam, que aprendam melhor e que nenhuma fique para trás”, resume Rosiane.
Porque, no fim, o resultado mais importante da educação não é apenas a nota que aparece no papel. É a possibilidade que ela abre na vida de cada criança.
COMO O IDEB É CALCULADO?
APRENDIZAGEM + FLUXO ESCOLAR
Aprendizagem
Desempenho dos estudantes no Saeb
Fluxo escolar
Indicadores de aprovação obtidos a partir do Censo Escolar
=
IDEB
Importante: 7,5 não é a nota de uma prova. É um indicador que combina aprendizagem e trajetória escolar.
NÚMEROS DA EDUCAÇÃO
90% crianças alfabetizadas ao final do 2º ano em 2025, segundo dados da Secretaria
10 Escolas com turmas de 1º ano em tempo integral em 2026
R$ 105,5 milhões dotação atualizada para despesas gerais com educação em 2025
R$ 95 milhões empenhados em educação em 2025
R$ 1,398 milhão de investimento em seis salas de aula modulares




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