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Laboratório de Ressonância Magnética Nuclear amplia capacidade de pesquisa da UNILA e da região

Além de estudos acadêmicos, aparelho poderá ser utilizado em ações forenses e por instituições como a Polícia Federal, Ministério da Agricultura e Receita Federal

O Laboratório de Ressonância Magnética Nuclear (LabRMN) da UNILA, inaugurado em agosto, abre uma nova perspectiva para as pesquisas acadêmicas — não apenas na região trinacional ou no Oeste do estado, mas também em todo o país. O equipamento de RMN permite, por meio de análise química, a identificação de compostos em um determinado material e pode ser usado em investigações na área da segurança pública que envolvam drogas e outras substâncias ilícitas e em casos de adulterações de produtos, como as que ocorreram recentemente com bebidas contaminadas por metanol. “Esse equipamento tem potencial para contribuir com a evolução da ciência na região”, destaca Caroline da Costa Silva Gonçalves, uma das coordenadoras do LabRMN da UNILA.

O laboratório integra o Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (Napi) RMN, da Fundação Araucária, uma infraestrutura voltada à pesquisa acadêmica e à análise de produtos, como alimentos e bebidas, por órgãos de controle e de fiscalização como a Polícia Federal, Ministério da Agricultura e Receita Federal. Integrando o Napi RMN, o laboratório da UNILA soma-se aos já existentes na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e nas universidades estaduais de Londrina (UEL), de Maringá (UEM) e de Ponta Grossa (UEPG).

Com a inauguração do laboratório, pesquisadores e instituições da região não necessitarão mais enviar amostras para outras localidades, explica Caroline da Costa Silva Gonçalves, uma das coordenadoras do LabRMN da UNILA. Da mesma forma, o local poderá receber visitantes. “Estamos com um laboratório bastante aberto para receber os pesquisadores que quiserem nos visitar, analisar suas amostras ou passar um tempo aqui”, anunciou. O laboratório está instalado no Bloco dos Barrageiros, no Itaipu Parquetec.

A particularidade de a UNILA tornar-se referência para a região trinacional e para o país foi destacada pela reitora da Universidade, Diana Araujo Pereira, para quem o aparelho trará benefícios para a ciência de todo o país, para o sistema educacional como um todo, contribuindo para o fortalecimento da produção científica no Brasil e no exterior. “Afinal, trazer um RMN, um aparelho com essa potencialidade investigativa científica para a UNILA, significa cooperação, colaboração no desenvolvimento da ciência nacional, latino-americana e caribenha”, contextualizou.

Sociedade

Embora tenha sido inaugurado recentemente, o LabRMN já vem sendo utilizado em pesquisas que poderão resultar em benefícios à população de todo o país. Entre elas, está a que analisa as substâncias presentes nos cigarros eletrônicos. No estudo, já foram detectadas quantidades de nicotina superiores às informadas pelo fabricante. “O potencial de gerar vício é muito maior. Além de haver outras substâncias que as pessoas estão lançando diretamente no pulmão sem saber”, adverte Caroline.

O RMN foi adquirido pela UNILA em 2016, com um investimento de R$ 2,2 milhões. Desde então, houve um longo processo que envolveu a aquisição de equipamentos auxiliares e o trabalho do corpo técnico e docente da Universidade e de instituições parceiras para viabilizar sua operação

Entre os equipamentos adquiridos, está a liquefatora de nitrogênio líquido. Comprado pela Universidade em 2017 – a um investimento de R$ 560,2 mil – o equipamento começou a operar em junho deste ano e fornece o nitrogênio líquido utilizado no sistema de resfriamento do RMN.

Também instalada no Bloco dos Barrageiros, a liquefatora é capaz de captar o ar atmosférico, separar e resfriar o nitrogênio do oxigênio (elementos que compõem o ar atmosférico) e entregá-lo líquido. “A liquefatora é um equipamento imprescindível para o funcionamento do espectrômetro de RMN, porque fornece nitrogênio líquido para a correta operação do equipamento, para que seja possível manter o magneto em temperaturas criogênicas e para que tenha propriedades de supercondutor”, explica Ricardo Hartmann, titular da Secretaria de Apoio Científico e Tecnológico (SACT).

Segundo ele, no momento, o LabRMN consome toda a produção de nitrogênio líquido da liquefatora. Porém, o equipamento pode ser usado em outras áreas. “É um excelente equipamento para o ensino de engenharia, termodinâmica e refrigeração. Além disso, há aplicações na Medicina. O aparelho tem amplas aplicações e vai abrir um leque importante na relação da UNILA com a sociedade, nas áreas de ensino, pesquisa e extensão”, encerrou.

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