20ª PRIMAVERA DOS MUSEUS
Memórias em campo: futebol de Medianeira reúne gerações para contar uma história que permanece viva
Projeto da Casa da Memória levou estudantes à pesquisa sobre a trajetória do futebol no município e promoveu encontro com personagens que ajudaram a construir essa história
Texto por Assessoria . Fotos por divulgação . 29 de setembro de 2026 . 16:15
A história do futebol de Medianeira ganhou novos capítulos e, desta vez, foram escritos por diferentes gerações. Entre fotografias, troféus, objetos, vídeos, lembranças e histórias compartilhadas, a Casa da Memória Roberto Antonio Marin promoveu, nos dias 24 e 25 de setembro, o projeto “Memórias em Campo: a História do Futebol de Medianeira”, integrando a programação da 20ª Primavera dos Museus, que neste ano tem como tema “Museus para todas as pessoas”.
A proposta levou a memória para além das paredes da Casa da Memória e encontrou espaço dentro da escola. No Colégio Estadual Cívico-Militar Naira Fellini, estudantes da 2ª série do curso Técnico em Administração participaram da pesquisa e da organização de uma exposição que reuniu diferentes registros da trajetória do futebol no município. A programação também marcou a inauguração de um painel dedicado à trajetória de Naira Fellini, personagem que dá nome ao colégio. O ato contou com a presença do prefeito de Medianeira Antonio França, vice-prefeito Evandro Mees, secretária de Desenvolvimento Econômico e diretora interina da Casa da Memória Márcia Hanzen, representando a família Fellini, Rudimar, irmão de Naira, e a diretora do Colégio Patrícia Pilati.

A participação da Casa da Memória na Primavera dos Museus reforça a importância de levar a memória para diferentes espaços e aproximá-la das novas gerações. “Nosso objetivo é aproximar a comunidade escolar de sua própria história, mostrando que a memória também está nos lugares onde as pessoas estudam, trabalham, convivem e constroem suas trajetórias. Ao trabalhar dentro da escola, os estudantes deixam de ser apenas espectadores e passam a participar da construção e preservação da história de Medianeira”, afirmou Márcia Hanzen.
O prefeito Antonio França destacou a importância de preservar a história das pessoas que contribuíram para Medianeira, pois dessa forma também se preserva a própria história do município. O vice-prefeito Evandro Mees completou que “conhecer a história de quem veio antes, ajuda os estudantes a compreenderem melhor o lugar onde vivem e a importância de preservar esse patrimônio”.
Sobre a inauguração do painel da professora Naira Fellini, a diretora Patrícia reforçou que “essa história precisa ser conhecida pelas novas gerações, especialmente pelos estudantes que frequentam uma escola que carrega o nome dela”. Rudimar Fellini resumiu o momento como singular para sua família.
QUANDO QUEM VIVEU ENCONTRA QUEM PESQUISA – No dia 25 (sexta-feira), a história saiu novamente dos registros e ganhou voz durante o Café com Memória, realizado na Casa da Memória Roberto Antonio Marin.
O encontro reuniu os estudantes, que haviam participado da pesquisa, e pessoas que ajudaram a construir diferentes capítulos do futebol medianeirense: o prefeito Antonio França, o vereador Sebastião Antonio e o ex-jogador Ivo Francisco Brod, campeão da Taça Paraná de Futebol de 1972.
A conversa percorreu lembranças de campeonatos, equipes, jogadores, campos, viagens, torcedores e personagens que fizeram parte da vida esportiva do município. Vieram à tona histórias que muitas vezes não aparecem nos documentos oficiais, mas permanecem guardadas na memória de quem as viveu.
Para Ivo Brod, a conquista da Taça Paraná de 1972 representa um desses capítulos marcantes. “A gente não tinha a estrutura que existe hoje, mas tinha muita vontade e união. Aquela conquista ficou marcada não só para quem estava em campo, mas para toda Medianeira”, declarou.
Para Antonio França, o rádio também foi parte importante dessa construção, levando jogos e personagens para dentro das casas e aproximando comunidades. “O rádio fazia o jogo chegar a quem não podia estar no campo. As pessoas ouviam, comentavam, acompanhavam os resultados e acabavam vivendo aquele futebol juntas”.
Sebastião Antonio compartilhou experiências relacionadas ao Grêmio Esportivo Medianeirense, ao Medianeira Esporte Clube (MEC), à trajetória do Clube União Medianeirense (CESUM) e à organização das equipes, ajudando a revelar os bastidores que também fazem parte da história do esporte local. “Para um time existir, não bastava ter jogador. Tinha muita gente trabalhando por trás: quem organizava, quem buscava recursos, quem ajudava com transporte, uniforme, campo”, comentou.

UMA HISTÓRIA FEITA POR MUITAS PESSOAS – O projeto reforçou uma das ideias centrais da Primavera dos Museus: museus podem estar onde a memória está. Nas escolas, nas famílias, nas fotografias guardadas em caixas, nos objetos antigos, nos relatos e nas histórias que passam de uma geração para outra. “Quando os estudantes entram em contato com essas histórias, eles percebem que a memória de Medianeira não está apenas nos documentos. Ela também está nas pessoas”, salientou a professora e historiadora da Casa da Memória, Franciele Araujo.
Ao aproximar estudantes e personagens dessa trajetória, a Casa da Memória criou uma ponte entre passado e presente. “A nossa intenção era justamente fazer com que os estudantes percebessem que eles também são responsáveis pela memória da cidade”, finalizou a coordenadora de Gestão Documental e Memória da Casa da Memória, Ana Cláudia Valério.


Em campo, ficaram os gols e os campeonatos. Na memória, permanecem as pessoas, os encontros e tudo aquilo que fez do futebol parte da história de Medianeira.


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