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Ferida aberta

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Quando passamos por um sofrimento emocional, podemos levar algum tempo para nos recuperarmos. Às vezes, a ferida pode ficar aberta por anos e, não raro, nunca mais fechar. Tudo depende do que aconteceu, qual o trauma vivido e a capacidade de compreensão e resiliência em entender que todos nós passamos por situações de dor ao longo da vida. As mazelas são inúmeras e a intensidade do sofrimento é diferente para cada um. Não dá para medir a dor de alguém e, muito menos, julgar e achar que é frescura, afinal, cada um tem suas fraquezas.

As feridas emocionais levam muito mais tempo para cicatrizar do que as feridas no corpo. Em alguns casos, passamos pela situação e seguimos em frente na rotina, porém, em algum momento, o sofrimento causado no passado volta com tudo, mostrando que a ferida não estava curada. Isso pode acontecer quando passamos por situações semelhantes que nos remetem ao que já havia acontecido outras vezes, como se estivéssemos andando em círculos.

E como saber se os traumas do passado estão superados?

Simples. Quando somos capazes de falar sobre eles sem chorar. Quando lembramos o que aconteceu como uma história para contar, sem a carga emocional vivida no passado. Enquanto lembrarmos as situações de dor e sofrermos, elas ainda não foram superadas. Quer dizer, a ferida ainda está aberta.

E qual é o problema nisso? O problema é que, enquanto não superarmos o trauma, continuaremos carregando a dor e transferindo a carga para outras situações. Por exemplo, quando não superamos um antigo relacionamento, vamos continuar carregando todas as emoções negativas causadas e iremos transferi-las para as relações atuais. Então, a probabilidade dos mesmos problemas do passado ocorrerem novamente é grande. Aí muitos falam: “Parece que tenho o dedo podre para escolher meus relacionamentos!” Mas não percebem que só estão transferindo os traumas do passado para as relações de hoje e, consequentemente, os mesmos problemas surgirão.

Enquanto não encerramos ciclos anteriores não estaremos prontos para recomeçar, verdadeiramente. E para saber se o passado foi superado, basta ver se ao lembrar, ainda sentimos toda a dor, toda a angústia e sofrimento. Caso a resposta seja sim, este passado ainda está vivo e a ferida aberta.

“Só nos curamos de um sofrimento depois de o haver suportado até ao fim.” Proust

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Por: Camyle Hart

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 1999, atuando por 15 anos na área, em diversos veículos de comunicação do Paraná. Pós-graduada em Comunicação e Mercado na Era Digital.
Formada em Psicologia pela Faculdade Anglo Americano – Foz do Iguaçu, especializando-se em psicologia Junguiana. Atualmente, mantém uma coluna sobre saúde mental nos jornais Nossa Folha e O Mensageiro, ambos de Medianeira. Mantém um blog sobre temas da psicologia e atua como psicoterapeura, no contexto ‘home care’(domiciliar) e online.

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