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Café Analítico

Quando aquilo que nos protege começa a nos aprisionar

Há coisas que aprendemos para sobreviver e continuamos fazendo muito depois que o perigo passou. São situações que por algum tempo ajudaram a nos manter em pé, mas que depois de um tempo nos impedem de crescer.
Quem precisou ser forte pode não conseguir pedir ajuda. Quem foi decepcionado transforma a desconfiança em regra. Quem aprendeu a agradar sente culpa ao contrariar alguém.
No começo, essas atitudes fazem sentido. São maneiras de encontrar segurança em um mundo que nem sempre a oferece.
O problema é repetir antigas respostas para situações diferentes.
Quem não depende de ninguém pode confundir autonomia com isolamento. Quem precisa controlar tudo tenta antecipar o imprevisível. Quem esconde as emoções talvez já nem saiba expressá-las.
Transformamos estratégias de sobrevivência em regras de existência.
Chamamos de personalidade aquilo que pode ter sido adaptação. Dizemos que somos frios, desconfiados ou independentes, como se essas características fossem definitivas.
Mas será que somos assim ou aprendemos a ser assim?
Na psicologia junguiana, amadurecer exige olhar para aspectos de nós mesmos que permanecem fora da consciência. Isso inclui reconhecer sentimentos escondidos e comportamentos cuja origem esquecemos.
É difícil perceber que algumas certezas nasceram do medo.
Quem nunca pede ajuda talvez tenha aprendido que depender é perigoso. Quem evita conflitos pode ter confundido paz com silêncio. Quem teme a rejeição pode agradar tanto que já não sabe o que deseja.
Essas defesas não precisam de um perigo real para entrar em ação. Basta algo que lembre aquilo que um dia nos feriu. E reagimos ao presente como se ainda estivéssemos presos ao passado.
O conhecido, mesmo doloroso, pode parecer mais seguro do que experimentar algo diferente. Por isso, permanecemos em relações e comportamentos que já não nos fazem bem, sem saber quem seríamos sem essas proteções.
Mudar exige compreender por que esses comportamentos surgiram e quando deixaram de nos servir.
Respeitar a própria história não significa obedecer eternamente a ela.
Aquilo que nos protegeu merece compreensão, não necessariamente permanência.
Você vive a partir de quem se tornou ou continua organizando sua vida em torno de quem precisou ser para não sofrer?

Café Analítico

Por: Camyle Hart

Jornalista e Psicóloga (Crp 08/22594)
Atendimento terapêutico (45) 99932-0666

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