C

Café Analítico

Sobre a verdade

Gosto muito dos contos orientais para pôr luz em determinadas questões nebulosas que vivenciamos aqui no ocidente. Neste momento da história, onde quem pensa diferente é tido como adverário, como um rival a ser destruído, vale nos perguntarmos, sinceramente, sobre o que é a verdade e como ela pode ser apenas um recorte do todo.

Num lugar distante, sete homens conhecedores das coisas do mundo discutiam qual deles era detentor da verdade. Um rei, muito sábio, que observava a discussão aproximou-se e perguntou:

– O que vocês estão discutindo?

– Estamos tentando descobrir qual de nós é dono da verdade.

O rei, então, pediu a um de seus servos que trouxesse sete cegos e um elefante até o seu castelo. Quando os cegos e o elefante chegaram ao palácio, o rei mandou chamar os sete homens e pediu-lhes que observassem o que aconteceria a seguir. O sábio rei pediu aos cegos que tocassem o elefante e o descrevessem, um de cada vez.

O primeiro cego tocou a tromba do elefante e disse:

– É uma serpente!

O segundo tocou-o no marfim e disse:

– É uma pedra!

O terceiro segurou-lhe o rabo e disse:

– É uma corda!

O quarto pegou na orelha e disse:

– É um pedaço de couro bem grosso.

E assim, sucessivamente, cada cego descreveu o elefante de acordo com a parte que estava tocando, que tinha acesso. Quando todos terminaram de descrever o animal, o rei perguntou aos sete sábios:

– Algum desses cegos mentiu?

– Não! – responderam os sábios em coro.

Então, o rei perguntou:

– Mas algum deles disse que era um elefante?

– Não, nenhum cego disse que era um elefante, mesmo porque cada um tocou apenas uma parte dele – disseram os sábios.

– Vocês, sábios, que estão discutindo quem é dono da verdade, parecem os cegos. Todos estão falando a sua verdade, como os sete cegos, mas cada um baseado na parte que tem acesso. Ninguém é dono da verdade, porque ninguém a detém por inteiro.

Café Analítico

Por: Camyle Hart

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 1999, atuando por 15 anos na área, em diversos veículos de comunicação do Paraná. Pós-graduada em Comunicação e Mercado na Era Digital.
Formada em Psicologia pela Faculdade Anglo Americano – Foz do Iguaçu, especializando-se em psicologia Junguiana. Atualmente, mantém uma coluna sobre saúde mental nos jornais Nossa Folha e O Mensageiro, ambos de Medianeira. Mantém um blog sobre temas da psicologia e atua como psicoterapeura, no contexto ‘home care’(domiciliar) e online.

Comentários