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Café Analítico

Torne-se um lago

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Diz um antigo conto zen que o velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d’água e bebesse.
– Qual é o gosto? – perguntou o Mestre.
– Ruim – disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:
– Beba um pouco dessa água.
Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:
– Qual é o gosto?
– Bom! – disse o rapaz.
– Você sente o gosto do sal? – Perguntou o Mestre.
– Não – disse o jovem.
O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:
– A dor na vida de uma pessoa é inevitável. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Então, quando você sofrer, a única coisa que você deve fazer é aumentar a percepção das coisas boas que você tem na vida. Deixe de ser um copo de água e torne-se um lago.

Quando sofremos, – e todos nós, em algum momento, vamos sofrer – temos o impulso de ficarmos focados no que nos causa dor. Ficamos pensando, remoendo e, em muitos casos, pensamos ser o problema a coisa mais importante que nos acontece e ao invés de vermos a situação como algo pontual na trajetória, nós fazemos do problema o centro das nossas vidas. Mas, basta tentarmos observar de um ponto mais afastado, para vermos que o problema é só um momento difícil e que a vida é muito mais. Sempre é mais fácil avaliar e buscar caminhos para determinadas situações quando não fazemos parte dela. Quando vemos de fora, conseguimos ter um olhar mais global, mais isento e, portanto, menos embaçado pelas emoções.

Quando estivermos passando por algo difícil, vamos lembrar de que podemos aprender com o Mestre Zen e, em vez de reter a dor, podemos deixa-la se dissipar frente à grandiosidade da vida a nossa volta, tudo o que ela nos dá todos os dias e entender que os problemas passam, mas a vida é rica de aprendizado e beleza e flui como o rio, onde as dores se dissolvem frente à força e fluidez da água.

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Por: Camyle Hart

Graduada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 1999, atuando por 15 anos na área, em diversos veículos de comunicação do Paraná. Pós-graduada em Comunicação e Mercado na Era Digital.
Formada em Psicologia pela Faculdade Anglo Americano – Foz do Iguaçu, especializando-se em psicologia Junguiana. Atualmente, mantém uma coluna sobre saúde mental nos jornais Nossa Folha e O Mensageiro, ambos de Medianeira. Mantém um blog sobre temas da psicologia e atua como psicoterapeura, no contexto ‘home care’(domiciliar) e online.

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