Cidades

IDEB 2025

O caminho da aprendizagem

Na segunda reportagem da série sobre o IDEB 2025, o olhar se volta para dentro das escolas: como a rede municipal de ensino de Medianeira identifica quem precisa de ajuda, quais caminhos são adotados para recuperar aprendizagens e por que o acompanhamento contínuo é fundamental para que nenhum estudante fique para trás

Uma criança não deixa de aprender de um dia para o outro. Da mesma forma, uma dificuldade identificada em sala de aula não precisa se transformar em uma barreira permanente. Entre perceber que um estudante não desenvolveu determinada habilidade e ajudá-lo a avançar existe um processo que envolve diagnóstico, planejamento, intervenção e acompanhamento. É nesse caminho, construído diariamente nas escolas, que parte dos resultados educacionais começa a ser formada.
Na rede municipal de ensino de Medianeira, o acompanhamento da aprendizagem acontece de forma contínua. As escolas realizam avaliações e diagnósticos para identificar quais habilidades já foram consolidadas e quais ainda precisam ser desenvolvidas. Os resultados são analisados pelas equipes pedagógicas e utilizados para reorganizar o planejamento e definir estratégias.
A proposta é fazer com que a avaliação deixe de ser apenas um instrumento para atribuir notas. “A avaliação passa a cumprir uma função essencial no processo pedagógico: mostrar ao professor o que o estudante já aprendeu, quais habilidades ainda precisam ser desenvolvidas e quais estratégias podem ser adotadas para avançar”, explica a secretária municipal de Educação e Cultura, Rosiane Tonelli.
O processo envolve também a equipe pedagógica da Secretaria, que acompanha as escolas, oferece suporte aos gestores, coordenadores e professores e participa da definição de estratégias para as necessidades identificadas. Assim, os dados produzidos pelas avaliações precisam chegar à sala de aula e se transformar em ações concretas.
QUANDO A DIFICULDADE APARECE – Identificar uma dificuldade é apenas o primeiro passo. A partir do diagnóstico, a escola pode planejar intervenções específicas, como reforço, recuperação, atividades diferenciadas e estratégias adequadas ao ritmo de cada estudante. A rede também vem fortalecendo a Recuperação de Estudos, inclusive com ações no contraturno.
A lógica, segundo Rosiane, é não transformar a dificuldade em responsabilidade exclusiva do aluno. “Quando um estudante não aprende, precisamos olhar para o processo e perguntar o que nós, enquanto escola e Secretaria de Educação, podemos fazer de diferente para ajudá-lo a avançar”, afirma.
Esse olhar também amplia a compreensão sobre o que interfere na aprendizagem. Além das estratégias pedagógicas, profissionais de Psicologia e Assistência Social atuam em parceria com as escolas na identificação e encaminhamento de situações sociais ou externas que possam afetar o desenvolvimento da criança.
Em uma rede com aproximadamente 6.500 estudantes, essa tarefa ganha complexidade. São crianças com diferentes histórias, ritmos, necessidades educacionais e realidades sociais. Para a Secretaria, atender essa diversidade exige planejamento, acompanhamento permanente e capacidade de adaptação. Entre os desafios estão ainda a recomposição das aprendizagens, o fortalecimento da inclusão e a necessidade de ampliar o atendimento diante do crescimento da rede.
ALFABETIZAÇÃO COMO PONTO DE PARTIDA – Se o acompanhamento precisa acontecer ao longo de toda a trajetória escolar, alguns momentos são especialmente importantes. A alfabetização está entre eles. A rede implantou o Alfabetômetro, instrumento de acompanhamento dos estudantes do 1º ano que permite identificar com maior precisão quais crianças apresentam dificuldades e quais habilidades precisam de maior atenção.
O objetivo é que essas informações orientem intervenções e permitam acompanhar a evolução de cada estudante. Os resultados apresentados pela Secretaria mostram que, em 2025, Medianeira alcançou 90% de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano, enquanto o índice informado para o Paraná foi de 80%.
Mais do que o percentual, o dado ajuda a mostrar a importância de identificar dificuldades ainda nos primeiros anos. Uma alfabetização consolidada cria bases para as aprendizagens que virão depois e pode evitar que dificuldades iniciais se acumulem ao longo da vida escolar.
A ESCOLA COMO ESPAÇO DE ACOMPANHAMENTO – Nesse processo, diretores e equipes pedagógicas têm papel central. São eles que conhecem a realidade cotidiana da unidade, acompanham professores e estudantes e transformam orientações da Secretaria em ações concretas. “O resultado do IDEB não é produzido dentro da Secretaria de Educação. Ele é construído dentro das escolas, pelas equipes que estão todos os dias trabalhando diretamente com nossos estudantes”, destaca Rosiane.
A mesma lógica vale para o professor. Avaliações, materiais e políticas públicas só produzem efeito quando são transformados em práticas de ensino. “Nenhuma política pública, nenhum material pedagógico e nenhum investimento financeiro, por si só, substituem o trabalho, o conhecimento, a dedicação e o compromisso dos profissionais da educação”, afirma a secretária.
É nesse ponto que o caminho da aprendizagem deixa de ser uma sequência de números e passa a ser uma rotina pedagógica: observar, identificar, planejar, intervir e acompanhar.
No conjunto, a estratégia não está concentrada em um único programa. A própria Secretaria aponta a construção de uma cultura de acompanhamento sistemático, na qual avaliações diagnósticas, análise de resultados, recomposição, formação continuada e acompanhamento pedagógico funcionam de maneira articulada.
É esse processo que permite olhar para uma dificuldade não como um resultado definitivo, mas como uma informação capaz de orientar novos caminhos. E, quando os dados deixam de ser apenas números e passam a orientar decisões, o acompanhamento da aprendizagem ganha um sentido maior: descobrir mais cedo quem precisa de ajuda e criar condições para que esse estudante avance.
Porque, antes de qualquer indicador, existe uma criança aprendendo, e uma rede que precisa estar preparada para perceber quando ela precisa de um caminho diferente.

Com olhar atento, a rede municipal de ensino de Medianeira busca identificar dificuldades e criar estratégias para que cada estudante avance

Com olhar atento, a rede municipal de ensino de Medianeira busca identificar dificuldades e criar estratégias para que cada estudante avance.

Na próxima reportagem da série, traremos um olhar para a rede municipal de ensino como um todo e para o futuro.

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